terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Ficou




Está no Grande Prêmio: Rubens Barrichello vai correr na Stock Car em 2013, com patrocínio da Medley. A empresa de genéricos até já tinha decidido sair da categoria,que teria apenas 3 provas exibidas ao vivo em 2013. Teria porque é bem provável que, com Barrichello, a emissora reveja sua posição.
A Medley gostou da exposição que teve com Rubens nas últimas três provas e,
com essa perspectiva, resolveu ficar.

Isso confirma o que falamos no post abaixo: Rubinho não gostou da Indy de jeito nenhum. A adaptação foi difícil e os resultados não vieram. Para correr em 2013 ele teria que levantar uma grana alta para andar no meio do pelotão. Muito trabalho. A Stock é mais barata e ainda oferece a oportunidade de correr no Brasil, depois de tantos anos de Europa e um 2012 de perrengue nos EUA.

Particularmente, acho uma pena que isso tenha acontecido dessa forma, mas a verdade é que o casamento de Rubinho com a Indy não deu certo em nada. O piloto não obteve os resultados que esperava e a Band não aproveitou a presença dele para tornar a categoria um pouco mais emocionante. Pelo contrário: a emissora deixou de passar várias provas ao vivo, como de costume. Investimento mesmo, só no GP do Brasil e nas 500 milhas de Indianápolis.

No início do ano, lembro de ter feito um post no qual falava que a ida de Barrichello para a Indy seria bom para ele e para a categoria. Para o piloto porque poderia buscar resultados numa categoria competitiva que dava chances mais igualitárias, fornecendo o mesmo equipamento. E a Indy ganhava com a imagem de um ex-piloto de Fórmula 1, com grande experiência, que poderia ajudar no desenvolvimento do novo chassi Dallara, que estreou esse ano.

Infelizmente, não aconteceu nem uma coisa nem outra.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Muito na dúvida




Rubens Barrichello negocia com a Caterham, pensa seriamente em correr na Stock Car e promete à TV Bandeirantes que pretende continuar na Indy. Nesse meio tempo, ainda participa, e bem, da transmissão do GP do Brasil e considera a possibilidade de virar comentarista no futuro.

É mais ou menos assim que está a vida do piloto brasileiro no momento, o que nos revela algumas verdades. A primeira delas é que obviamente a Indy não o encantou nem um pouco. Talvez pela falta de resultados, talvez pela qualidade técnica duvidosa da categoria. O fato é que se Rubens tivesse se apaixonado de verdade pelos monopostos americanos, já teria se arranjado por lá.

A outra é que a Fórmula 1 continua representando um assunto mal resolvido para ele. Daí essa suposta negociação com a Caterham, uma das nanicas que entraram em 2010 e que até hoje não marcou pontos na F1. É a melhorzinha das três, mas me parece pouco ambicioso para um piloto que ainda tem a oferecer, como Barrichello.

E a última, claro, é a atração instantânea que Rubens sentiu pela Stock Car, não sabemos os motivos. Mas esta é uma opção que já se configura como óbvia: está na cara que Rubens vai terminar sua carreira correndo na Stock, se não for a partir do ano que vem, será em pouco tempo.

Barrichello sente um óbvio prazer em correr, o que é muito bom. Certamente, ele ainda terá muitos anos de uma carreira competitiva pela frente. Mas também é bom ter foco. Até porque, uma decisão sua mexe com o destino de muitas pessoas. Fico imaginando o que se passa na cabeça de Jimmy Vasser, que lhe deu a chance de correr na Indy em 2012 e esperava uma renovação de contrato. Não sabe se o piloto vai ou fica e não consegue, com isso, correr atrás de outros pilotos.

Vamos ver quanto tempo vai durar essa novela de final de ano.

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

De pagante a procurado

A Williams acaba de anunciar aquilo que já sabíamos: Bruno Senna está fora da equipe em 2013. Será substituído pelo finlandês Valteri Bottas, protegido de Toto Wolf, sócio do time. Desde o início do ano, Bottas estava sendo colocado para testar nas sextas feiras de corrida, uma preparação para a futura titularidade que viria a adquirir. Para reverter este quadro, Bruno Senna precisava de uma coisa apenas: fazer uma temporada espetacular, que fizesse Frank Williams optar por ele como piloto talentoso, e não como piloto rico.

Mas isso não aconteceu. Bruno fez uma temporada boa, com algumas ótimas corridas, mas nada que chamasse a atenção. Demonstrou boa regularidade nas corridas, marcando 31 pontos no campeonato, 14 a menos que Pastor. Mas o venezuelano ganhou uma corrida, classificou-se 18 vezes na frente de Senna (largou 15 vezes na frente, já que foi punido em três oportunidades) e muitas vezes incomodou os líderes. Se não fosse tão afobado e irregular, poderia ter feito bem mais que os 45 pontos que marcou em 2012.
É isso que falta aos pilotos brasileiros. Me lembro de ter escrito isso sobre Nelsinho Piquet, ao final de sua primeira temporada na Renault: o brasileiro foi até razoavelmente bem, mas apostou na regularidade e não fez nada que chamasse grande atenção da mídia e das equipes.

Bruno foi pelo mesmo caminho. Mal nas classificações, apostou em corridas de regularidade e marcou pontos em metade das provas. Mas o que vale mais? Isso ou a sensacional vitória de Pastor Maldonado em Barcelona?

Mesmo assim, Bruno Senna ainda tem chance de buscar alguma coisa. As vagas estão na Catheram e na Force Índia. O brasileiro tem dinheiro e alguma experiência (2 temporadas e meia). Se conseguir alguma vaga, principalmente na equipe indiana, terá sua derradeira chance. Ou mostra serviço e deixa de ser apenas um piloto pagante, ou dá adeus de vez à Fórmula 1.

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Decisão à moda Interlagos


Tinha que ser assim. Uma temporada com 8 vencedores diferentes e uma gama enorme de variáveis durante as provas merecia ser decidida em Interlagos, uma pista que parece não se cansar de produzir corridas imprevisíveis. Mas ontem, voltando para Belo Horizonte depois da corrida, fiquei pensando em como estruturar este post. E não cheguei a conclusão alguma. Como ainda não vi imagens pela TV, resolvi eleger os personagens principais da decisão e mostrar como foi a corrida, usando estes pilotos como base.

Vettel – O legítimo tricampeão



Tricampeão. É meio estranho se referir assim a um piloto de 25 anos, mas depois de ontem, não há discussão. Sebastian Vettel conseguiu o que parecia impossível até a metade do campeonato. Virou o jogo contra Alonso e garantiu o título em uma corrida épica, que lembra os grandes momentos do passado da Fórmula 1. Caiu para último depois de se enroscar na curva do lago. Em poucas voltas chegou ao 6º lugar. Depois tomou uma decisão equivocada ao colocar pneus para pista seca quando a chuva apertou. Voltou
aos boxes e foi prejudicado pela Red Bull que se enrolou toda na troca de pneus. Com o carro prejudicado pelo acidente do início, partiu insanamente para cima dos adversários, engolindo-os. No final, Michael Schumacher lhe cedeu a 6ª posição, mas nem precisava. Com Alonso em Segundo, garantia o título com o 7º lugar. Não é só um tricampeão. É um monstruoso tricampeão.

Alonso – Um ano inesquecível

Com um carro sofrível, Fernando Alonso fez uma temporada absolutamente espetacular. Ontem, quando fez a ultrapassagem dupla sobre Webber e Massa, levantou o autódromo de Interlagos que, curiosamente, torcia por ele. Mas o restante da corrida não foi como ele esperava. Alonso saiu da pista algumas vezes, brigou com o carro, terminaria em terceiro não fosse o presente de Felipe Massa no final. Largar em 7º e terminar em 2º, de Ferrari, é um resultado espetacular. Mas não o suficiente. Fernando Alonso merece um
carro vencedor na equipe italiana. Que ele venha em 2013.

Massa – Lágrimas do desabafo

Discordo de quem diz que Felipe Massa teve um ano para esquecer. Acho que ele teve 3 anos para esquecer, os 3 que correu com Fernando Alonso. E foi isso que ele parece ter percebido nessa segunda metade de campeonato, período no qual subiu de performance a cada corrida, tendo seu ápice no GP do Brasil. Em casa, Felipe fez uma corrida memorável. Depois de sofrer bastante com pneus slicks em pista molhada, ele se adaptou às condições do asfalto, superou Webber e fez uma ultrapassagem de mestre sobre Kobayashi na reta oposta. Partiu como um leão para cima de Fernando Alonso e superou o companheiro nos boxes. E depois, claro, precisou entregar a posição. No final, as lágrimas e os desabafos. Que sejam lágrimas de transição e de renascimento de um piloto que tem muito mais a oferecer à Ferrari do que as
performances pífias dos últimos anos. Que tem a oferecer a atuação soberba deste final de semana.

Button – O calculista

Não tenho dúvidas de que a dupla de pilotos da McLaren é a melhor do grid. E ontem , Hamilton e Button deram um show, descendo a reta oposta quase batendo rodas em duas oportunidades. Enquanto Hamilton deu azar em uma batida com Hulkenberg, Button seguiu seu caminho sem cometer um único erro sequer. Isso numa pista com asfalto imprevisível, hora seco, hora molhado, hora úmido. Um show de um dos melhores pilotos do grid da F1.

Hulkenberg – O intruso

No treino de sábado de manhã, quando a Force Índia de Nico Hulkenberg passou zunindo na reta oposta pela primeira vez, meu amigo Fábio Campos, o cara que mais entende de F1 que eu conheço bradou: “Esse alemão é foda. Você vai ver na Sauber, ano que vem”. Nem precisamos esperar tanto. Hulkenberg se meteu na disputa de gigantes dos personagens acima e liderou 30 voltas do GP do Brasil. Ele e Button foram os únicos a encarar o piso molhado de Interlagos com pneus slick. Não fosse o inexplicável Safety car enquanto estava em primeiro e seu erro na tentativa de ultrapassagem sobre Hamilton, Hulk poderia ter vencido a prova e igualado seu feito de 2010, quando marcou a pole em Interlagos. Como diria Fábio Campos, vamos ver na Sauber.

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Ferrari, Massa e as mutretas


Pelo que tenho visto e lido por aí, tem muita gente revoltada com a estratégia da Ferrari para a largada do GP dos EUA. Resumindo: Massa largava em 6º e Alonso em 8º, ambos do lado sujo da pista que, em Austin, parece ser mais sujo que o normal. A equipe então rompeu o lacre do câmbio de Felipe que, com isso, foi punido com a perda de 5 posições. Caiu para 11º e deixou Fernando Alonso em 7º lugar. A Ferrari emitiu uma nota sincera, dizendo que fez de propósito e que vai empregar todos os esforços
para conseguir o título.

Ora, se em 2002, com um carro quase um segundo mais rápido que a concorrência, a Ferrari tirou uma vitória de Rubens Barrichello para beneficiar Michael Schumacher na Áustria, qual a surpresa com a estratégia italiana na terra dos ianques? A Ferrari não tem o melhor carro e quer buscar o título que esteve próximo de Maranello o campeonato todo. Questões éticas não vão impedir a equipe agora. Se está dentro do regulamento, e a questão do câmbio está, então vão fazer.

E Felipe Massa não pode reclamar de nada. Está na Ferrari desde 2006 e sabe exatamente como a equipe trabalha. E se renovou seu contrato para 2013, é porque de certa forma concorda com os métodos. E mais: se foi vítima de mais uma mutreta da sua equipe é porque, mais uma vez, está na posição de 2º piloto. Se tivesse tido um desempenho razoável este ano, poderia estar disputando o título e aí a conversa seria outra. Mas não está.

Querem saber? No fim das contas, o culpado é Massa. Como era Barrichello. Segundo piloto só é segundo piloto por estar atrás na pontuação. Se estivesse parelho, a situação seria outra. Lembrem de Webber em 2010, que disputou o título com Vettel e Alonso até o final. Foi tratado como protagonista, assim como o companheiro. Em 2011 foi mal e virou escudeiro de novo. Simples assim.

domingo, 18 de novembro de 2012

Em Interlagos, de novo


Ficou para o Brasil. Isso era esperado. O que não era esperado é a diferença de pontos entre primeiro e segundo colocados no mundial: Vettel tem 13 pontos sobre Alonso, o que não reflete o equilíbrio geral da temporada. Mas reflete o que foi a reta final, quando a RedBull achou os segundos que faltavam ao seu ótimo carro e ainda melhorou a confiabilidade do modelo (menos para Webber, coitado).

Essa diferença de pontos faz com que Alonso precise vencer o GP do Brasil, no próximo domingo, e torcer para que Vettel termine em 5º lugar. Difícil? Muito, mas não podemos esquecer de um fator importante: Interlagos. A pista paulistana é, talvez, a mais imprevisível do mundial, com seu asfalto irregular, suas curvas desafiadoras e, principalmente, o clima instável de São Paulo. Essas são as apostas da Ferrari e de Fernando Alonso.

Ferrari que começou o GP dos Estados Unidos mostrando que vai lançar mão de todos os artifícios possíveis para levar o título. Hoje, mandou trocar o câmbio de Felipe Massa para que o brasileiro, que largasse em sexto perdesse 5 posições e cedesse uma à Fernando Alonso, que largava em 8º. E deu certo. Alonso aproveitou o lado mais limpo da pista para ganhar três posições na primeira curva e pular para quarto. E não tem nenhuma surpresa na decisão da Ferrari. Certo ou errado, a equipe trabalha assim.
Mas Alonso fez uma corrida apagada, chegando só em terceiro, muito atrás dos dois primeiros. A sorte dele é que Hamilton estava endiabrado e perseguiu Vettel o tempo todo, ultrapassando na metade da corrida para vencer.

Mas a ótima pista de Austin proporcionou brigas muito boas, envolvendo Raikkonen, Hulkenberg, Grosjean, Senna, Maldonado, Button e Massa. Felipe fez uma ótima corrida, e ainda foi responsável por uma das mais belas ultrapassagens da prova, sobre Raikkonen no finalzinho. O brasileiro realmente resolveu andar bem quando já era tarde demais.

Agora, vamos ver como será o decorrer da semana da decisão. Os dois melhores pilotos da atualidade, num duelo dentro e fora da pista. Como nos velhos tempos!

terça-feira, 30 de outubro de 2012

#ripjacarepaguá




Esse fim de semana foi realizado o último evento automobilístico no que restou do Autódromo de Jacarepaguá. Uma etapa do campeonato estadual de marcas e pilotos do RJ e uma prova de arrancada na reta oposta. Depois disso, o único autódromo brasileiro que já recebeu provas da Fórmula 1, Fórmula Indy e Moto GP será demolido.

Ví uma entrevista de um dos pilotos que disputaram a prova de marcas e a sua fala é bem coerente. Ninguém é contra a Olímpiada. Pelo contrário. Mas por que, numa cidade enorme como o Rio de Janeiro é preciso sacrificar Jacarepaguá para construir parques aquáticos e velódromos. Aliás, reconstruir, já que ambos, velódromo e parque aquático, foram construídos ali mesmo em 2007, para o Pan, mas advinhem? Pois é, não têm padrões olímpicos, pois que serão demolidos e construídos de novo. Uma farra com o
nosso dinheiro e ainda por cima sacrificando outro templo esportivo.

Mas isso não é uma surpresa. É apenas mais uma etapa de um processo que começou lá atrás, quando Senna estampou a Williams no muro da Tamburello, morreu, e levou junto o interesse do brasileiro por automobilismo. E esporte, sem público, não sobrevive. Como nada que não seja futebol sobrevive no Brasil. A não ser que tenha um ídolo em ação, como tinha Senna e Piquet para o automobilismo, como tinha Guga para o tênis, como tinha Oscar para o Basquete. Alguém assiste tênis hoje?

Não assiste, como não assiste basquete e como não assiste corrida. As poucas iniciativas para formação de pilotos no Brasil vem de algumas empresas privadas. E, mesmo assim, é injusto chamar de “iniciativa”. De
maneira geral o que acontece é que o pai do jovem piloto tem algum relacionamento com um dirigente da empresa e na base da troca de favores arruma um apoio.

Sem formação de jovens atletas, o esporte não sobrevive, simples assim. Jacarepaguá não tinha mais o que receber para correr lá, a não ser esses campeonatos quase amadores que fazem, ou a Stock Car. É pouco. Sem eventos, a conta não fecha. A prefeitura promete construir outro autódromo em Deodoro, mas não acredito. A conta vai continuar não fechando.

De minha parte fica uma pequena homenagem a este autódromo. No vídeo, a vitória de André Ribeiro, na Indy, em 96. Um dos grandes, talvez o maior momento do circuito carioca. Sorte de quem esteve lá.


segunda-feira, 29 de outubro de 2012

O estraga decisões

Quatro vitórias de ponta a ponta, saindo da pole. E foi assim que Sebastian Vettel estragou um mundial de Fórmula 1 que vinha sendo o melhor em muitos anos. Vencedores diferentes e inusitados, corridas movimentadas e um líder (Fernando Alonso) que tinha apenas o terceiro melhor carro do grid. Foi assim até Cingapura.

Depois disso, a Fórmula 1 voltou ao seu normal. Uma equipe superior, com um piloto excepcional e um companheiro eficiente. Resultado: corridas previsíveis e título praticamente definido.

Mesmo assim, esse último GP da Índia conseguiu trazer momentos interessantes, enquanto Vettel e a Red Bull iam embora tranquilamente. Uma delas foi a atuação, mais uma vez impecável de Fernando Alonso. Andando sempre no ritmo de Mark Webber, o espanhol aproveitou a única chance que teve durante a prova para fazer a ultrapassagem e garantir pontos importantes. A não ser que haja uma catástrofe, Alonso não será campeão em 2012. Mas é uma pena. Foi o melhor piloto do ano, disparado.
A perseguição de Raikkonen (de contrato renovado) a Massa também foi interessante, com o brasileiro tendo que salvar combustível no final. Não entendi esse problema. A Ferrari não explicou direito. Se faltou combustível, teria Massa forçado além da conta no início? Se foi isso, não entendo como ficou tão para trás em relação às McLaren. Sem uma explicação plausível, podemos considerar que Massa fez uma corrida bem discreta, principalmente em relação às últimas provas.

O pelotão intermediário ainda proporcionou disputas interessantes envolvendo Rosberg, Grosjean, Maldonado, Perez, Kobayashi e Senna. Bruno, diga-se, fez uma ótima corrida, recuperando-se de uma péssima classificação. É bem pouco provável que fique na Williams, mas acredito que pode buscar vaga na Catheram ou até mesmo na Force India. Essas equipes não perderiam nada ao contratá-lo. Tem dinheiro e é um bom piloto. Só precisa mesmo é melhorar sua performance nas classificações.

Faltam apenas 3 provas para o fim e se Vettel vencer em Abu Dhabi e Austin, levanta a taça antes de Interlagos, mesmo que Alonso fique em segundo nessas duas provas. Um anti-climax para uma decisão que parecia digna dos grandes campeonatos da história.

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Massa e Ferrari anunciam acordo

Conforme Lito Cavalcanti havia anunciado na sexta feira, no Sportv, Felipe Massa renovou seu contrato com a Ferrari por mais um ano. Era esperado. Não pela temporada de Felipe, que foi lamentável, e sim pela tendência natural das coisas. A impressão que se tem é que a equipe italiana estava louca para renovar com o brasileiro, mas seu desempenho vinha sendo tão ruim que não havia uma justificativa plausível para isso. Foi só Massa emplacar uma sequência aceitável de corridas para que o acordo fosse assinado.

Existem fatores a serem considerados aí. O primeiro é o óbvio carinho que a Ferrari tem por Felipe Massa. A história mostra que a equipe é pouco tolerante com pilotos que apresentam desempenho tão ruins assim. Em 1992 dispensaram Ivan Capelli, italiano, que fazia uma campanha tão irrisória quanto a de Massa este ano. No ano anterior, tinham mandado embora Alain Prost, que vinha mal e resolveu desancar a equipe na mídia. O Professor Alain Prost.

A Ferrari jamais tratou Massa com desdém. Sempre procurou justificar seu desempenho e protegê-lo das críticas. Este ano, chegou a trocar o chassi de seu carro, antes do GP da Malásia. Há, aparentemente, uma certa dívida da equipe italiana com Felipe por causa das trapalhadas de 2008, que o ajudaram a perder o campeonato. E Massa, hoje, só não reina na Ferrari porque seu companheiro é Fernando Alonso. E este é, na minha opinião, o fator que melhor explica o ridículo desempenho do brasileiro nas últimas temporadas.

Além da óbvia dificuldade com os pneus, sempre esteve na cara que o desempenho de Massa se deve ao psicológico. Não é fácil perder espaço profissionalmente, em qualquer setor. A ordem para troca de posições, na Alemanha / 2010, teve conseqüências bastante graves para o brasileiro. Mas seu bom desempenho nas últimas provas, podem indicar que Felipe finalmente compreendeu seu novo papel. Ele é o segundo piloto da Ferrari, e ponto final.

Que faça bom uso do seu novo contrato e que aproveite a nova fase para realizar uma temporada digna em 2013. Essa pode ser sua ponte para respirar novos ares em 2014 e, quem sabe, voltar a lutar por vitórias.

domingo, 14 de outubro de 2012

Vettel é o cara da reta final

Essa Red Bull é danada. Titubeou, titubeou, titubeou e deixou para aparecer no finalzinho do campeonato. E com os dois pilotos. Sorte de Vettel, que novamente tem o melhor carro. Azar de Alonso, que fez um campeonato espetacular, mas perdeu o fôlego na hora "H".

Aliás, a situação do espanhol só não é pior porque a McLaren parece ter desistido de 2012, após o abandono de Hamilton em Cingapura. Os ingleses estão de olho é no ano que vem.

Infelizmente há muito pouco a comentar deste GP da Coreia, disputado num circuito horroroso, com um traçado medíocre que não faz jus à excepcional temporada que estamos vendo este ano. A única briga digna de nota foi a disputa entre Hamilton e Raikkonen na metade da prova, com o inglês recuperando a posição sobre o adversário numa manobra belíssima.

Destaque mesmo foi a atuação de Felipe Massa. O brasileiro teve um ritmo de corrida impressionante, e passaria por Alonso se não recebesse a ordem para manter distância. Um final de temporada que poe uma pontinha de raiva na torcida brasileira: por que andar tão bem apenas na hora de renovar o contrato?

O campeonato que, que estava nas mãos de Alonso, passou para as mãos de Vettel. E não há nada que indique uma mudança nesse cenário. Em 2012, teremos um tri. E ele não será do piloto da Ferrari.

domingo, 7 de outubro de 2012

2012: um campeonato doido

Não foi exatamente uma corrida à altura do que a pista pode oferecer, este GP do Japão. Mas as 53 voltas dessa madrugada colocaram um molho especial para a reta final do campeonato. E, se o título parecia nas mãos de Fernando Alonso, a bandeirada final japonesa serviu para colocar Vettel com a mão na taça pela primeira vez no ano.

É um campeonato estranho, este de 2012. A cada final de prova o prognóstico parece mudar radicalmente, especialmente na segunda metade. Se antes era uma surpresa constatar que Alonso liderava com folga, passou a ser particularmente interessante ver seus adversários se revezando a cada prova.

E hoje foi dia de Vettel. O alemão não deu chance a ninguém e venceu com 20 segundos de vantagem para Felipe Massa. Sim, o brasileiro, que não subia no pódio a 35 corridas, voltou. Fez uma corrida inteligente, uma bela largada. Faz uma reta final de campeonato interessante, o Massa. O que nos dá uma pontinha de tristeza: porque não correu assim o ano todo?

O que Massa não pode fazer, foi ajudar Alonso na luta pelo título. O espanhol se estrepou na largada, como já havia acontecido na Bélgica. De novo uma Lotus em seu caminho, só que dessa vez Raikkonen, que tocou a traseira do espanhol furando seu pneu, mandando-o para a brita. Fernando deve ter torcido a beça para que seu companheiro ameaçasse Vettel, mas isso nem chegou perto de acontecer.

E o grande destaque do dia foi Kobayashi, que subiu ao pódio, igualando o feito de Aguri Suzuki, em 1990, no mesmo circuito. Bonito ver a festa dos japoneses na bandeirada final e durante o pódio.

Hamilton não esteve bem, talvez esteja com a cabeça na Mercedes. E Perez pior ainda, rodando de forma infantil. Com certeza, com a cabeça na McLaren.

Portanto, é isso. Mas não, não vou cair na armadilha de apontar Vettel como favorito, embora pareça mesmo ser. Esse campeonato está doido demais para corrermos riscos.

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

A despedida




Dia 25/11/2012. Esse é o dia do Grande Prêmio do Brasil, encerramento da temporada. Neste dia, veremos pela última vez, o maior piloto dahistória da Fórmula 1 a bordo de um carro da categoria. Sim, essa sensação já havia sido sentida em 2006, quando ele anunciou a aposentadoria pela primeira vez, mas agora deve ser para valer. Naquele ano, sua decisão deparar parecia muito mais uma circunstância imposta pela Ferrari, do que uma vontade sua. Agora não. Aos 43 anos, Schumacher já não está mais apto a disputar uma corrida de Fórmula 1 no ápice. A batida com Jean Eric Vergne, no último GP de Cingapura, é um bom parâmetro para se chegar a essa conclusão.

Schumacher vai se aposentar. Essa hora chega para todo mundo e agora chegou para ele. Todos os dias, vemos atletas anunciando que estão se aposentando, mas com Schumacher é diferente. É diferente como foi com Pelé,como foi com Michael Jordan. Como vai ser com Usain Bolt. O que eles têm em comum? São lendas do esporte, referências, aqueles que, daqui 20 anos, serão lembrados como os maiores do esporte que disputaram. 

Sempre acho complicado comparar atletas de diferentes épocas, dizer qual é melhor, qual é mais habilidoso, qual é mais rápido. Para isso existem as estatísticas. E Schumacher é o dono delas. Praticamente todos os recordes da Fórmula 1 são dele, desde o número de títulos, ao número de pódios, passando pelo número de voltas na liderança e por aí vai. Então não tem discussão: ele é o maior de todos. 

Sua volta à Fórmula 1 em 2010 não foi o que muita gente esperava, talvez nem ele. Conseguiu um pódio e faria a pole em Mônaco este ano, não tivesse sido punido. Mas não foi o desastre que pintam. Andou bem em algumas corridas, disputou bastante, jamais correu do compromisso de estar numa equipe como a Mercedes. Mas fez o que seu carro o permitia fazer. 

A pergunta que fica é: esses três anos foram suficientes para manchar sua carreira? É claro que não. Os modestos números obtidos na Mercedes não afetam em nada suas estatísticas e muito menos suas realizações na pista. O Schumacher da Mercedes teve um desempenho pior que o Schumacher da Ferrari porque teve um carro inferior e porque tem muito mais idade. E ponto final. 

O dia 25 de novembro vai ser estranho. Uma pontinha de alegria por ter a oportunidade de ver uma atleta desse nível se aposentar. E uma pontinha de tristeza em saber que dificilmente veremos outro como ele.

domingo, 30 de setembro de 2012

A indecisão...



A ida de Lewis Hamilton para a Mercedes, confirmada na última sexta feira, trouxe duas conseqüências diretas: a primeira, e óbvia, é a ida de Sérgio Perez para a McLaren. Uma grande sacada da equipe inglesa, um grande negócio para ela e para o mexicano.A segunda, mais nebulosa: o que vai ser de Michael Schumacher, que ficou desempregado? O piloto alemão agradeceu à Mercedes pelos três anos em que ficou lá, e deixou o futuro em aberto. As especulações são de que ele poderia ir para a Sauber, ou até mesmo para a Ferrari, no lugar de Felipe Massa.  Seria uma bobagem. Nos três anos em que ficou na Mercedes, Schumacher provou que a idade elevada não permite que alguém pilote um carro exigente como o Fórmula 1 em alto nível.

Me recordo que, em 2009, quando foi anunciado como substituto de Felipe Massa, acidentado na Hungria, Michael realizou um teste com uma Ferrari de 2007 numa pista particular. O resultado deste teste foi estarrecedor, com Schumacher sofrendo de fortes dores do pescoço e descendo do carro vomitando litros.

Meses depois ele foi anunciado como piloto da Mercedes e deixou todo mundo de queixo caído. Como ele suportaria uma temporada inteira, se não foi capaz de superar algumas voltas?  Mas Schumacher se preparou, sentou no carro e acelerou o que podia. Mas o que ele podia em 2010, já não era o mesmo que podia em 2006. Seus objetivos estavam claríssimos: Michael queria se divertir, passear pelos circuitos do mundo pilotando um carro de F1. Se as vitórias viessem, ótimo.

Pouco para uma empresa como a Mercedes, que paga caro para por um carro de F1 para passear pelos circuitos do mundo.  Os resultados não vieram e Schumacher demorou a definir se parava ou continuava. A Mercedes não teve paciência e foi buscar Hamilton. Na verdade, acho que Ross Brawn estava mesmo era torcendo para que o heptacampeão tirasse o time de campo, por isso desistiu de esperar. 

As especulações põem Schumacher na Ferrari, no lugar de Massa. Acho improvável. Sua volta já foi negativa demais para ele passar um último ano levando tempo de Fernando Alonso. Na Sauber, se ele ainda estiver muito afim, é mais provável. Mas também será uma bobagem. Depois de 7 títulos, ficar andando numa equipe média, sem chance nenhuma de vitória, não é lugar para alguém como ele. 

Em 2010, fui a favor da sua volta e, de verdade, achei um barato ver Schumacher de novo, mostrando lampejos de sua genialidade em algumas provas e se estabacando em outras. Mas agora já deu. Se quiser continuar correndo, tem muitos lugares nos quais ele pode se adaptar melhor e andar em alto nível. A DTM é um ótimo exemplo.  Mas o fato é que enquanto sua decisão não sair, muita gente vai ficar com as barbas de molho. Não é, Felipe?

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Sexta feira agitada

E eis que, quando todos esperávamos que a grande notícia do final do ano seria a previsível renovação de Massa com a Ferrari, a Fórmula 1 nos surpreendeu. Hamilton, Perez, McLaren e Mercedes deram um chapéu em todo mundo (menos no jornalista brasileiro Américo Teixeira Júnior, do Grande Prêmio) e balançaram as estruturas da F1. Vamos por partes:

Hamilton é da Mercedes, até 2015:

Já estava claro que Hamilton não estava satisfeito com a McLaren, e nem a McLaren com ele, a bem da verdade. O inglês é um excepcional piloto, rapidíssimo, mas tem uma vida pessoal e social bastante agitada para os padrões de Ron Dennis. Os excessos fora da pista vinham atrapalhando seu desempenho há tempos e isso ficou ainda mais claro após a chegada do sossegado Jenson Button.

A grande surpresa é que, mesmo com insatisfações de lado a lado, Lewis era uma cria da McLaren e a parceria entre eles parecia que não ia terminar nunca. A ida para a Mercedes é um desafio interessante e mostra que a equipe quer, finalmente, assumir uma estrutura mais profissional e buscar títulos. Com Schumacher querendo apenas se divertir, seria bem difícil.

Perez na McLaren

Uma grande sacada da McLaren. Sérgio Perez, dos novatos da F1, é o melhor. Tinha vínculos com a Ferrari, mas os italianos demoraram a definir por sua contratação e Ron Dennis foi mais esperto. Para ele, um grande negócio. Vai para uma equipe forte e que dá a seus pilotos a chance de disputarem abertamente. Na Ferrari, seria escudeiro de Alonso. E os ingleses ainda vão levar a grana do mexicano, que não é pequena.

Schumacher?

Se despediu da equipe, mas não anunciou aposentadoria. Tem muita especulação rolando. Para? Vai para a Ferrari? Vai para a Sauber? Acredito que, até a sua decisão, as coisas vão ficar meio estagnadas já que, com um estalar de dedos, arruma lugar onde quiser. Minha opinião: vai se aposentar.  Mas é bom não apostar muito na minha opinião. As coisas estão pouco previsíveis, neste momento...

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

As verdades de Cingapura



Vettel venceu, mas Red Bull ainda é muito irregular

O GP de Cingapura mostrou algumas verdades:

A primeira: A FIA está bem perdida com essa história de punições. A idéiade convidar ex-pilotos como comissários surgiu como uma boa novidade em 2010 mas o resultado foi péssimo. Os tais comissários, talvez sentindo-se na obrigação de mostrar porque foram escolhidos, acabaram se esquecendo que automobilismo envolve riscos, toques e ultrapassagens. O resultado é que hoje ninguém pode fazer nada. Ontem, Allan McNish até parecia ir contra essa maré, ao não punir Bruno Senna por sua defesa de posição na briga com Felipe Massa. Mas o comissário convidado compensou punindo Schumacher eWebber, um por atropelar um adversário, o outro por ultrapassar usando a enorme e asfaltada área de escape que tinha a disposição. Cansei decomentar sobre isso. 

Briga antológia entre os brasileiros
A segunda: Felipe Massa ainda sabe pilotar um carro de Fórmula 1. Ontem, em Cingapura, fez uma corrida excepcional, tempos de volta muito consistentes e, de quebra, uma das mais belas ultrapassagens que já vi na Fórmula 1, sobre Bruno Senna. Isso prova o que já disse aqui: seu mal desempenho não tem a ver com o acidente na Hungria. Seu problema é motivação. Está correndo atrás do seu novo contrato para 2013. Se conseguir melhorar em classificação, pode voltar ao pódio ainda este ano. 

Schumacher atropela Vergne: e o freio?
A terceira: infelizmente, já deu para Michael Schumacher. Aos 43 anos, o heptacampeão não precisa mais passar pelo constrangimento que a falta de reflexo tem lhe causado. Ontem, mais uma vez, o alemão atropelou um adversário (tinha feito o mesmo com Bruno Senna na Espanha) e foi obrigado a pedir desculpas públicas. Acredito que este acidente vai pesar muito na decisão de ficar ou se aposentar. Caso opte pela aposentadoria, Schumacher vai causar um enorme movimento no mercado de pilotos, o que também é ótimo. 

Quarta e última: Alonso vai ser campeão porque é o melhor piloto e porque tem muita sorte. Lewis Hamilton parecia imbatível com a McLaren em Cingapura e se configurava como principal rival do espanhol. Mas o carro do inglês teve problemas no câmbio e Sebastian Vettel herdou a vitória com a irregular Red Bull. Pelo jeito, Hamilton e Vettel deverão alternar vitórias até o fim do ano. Se Alonso se mantiver próximo, e é provável que vai se manter, leva o caneco.

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

O caminho da Indy ainda é longo



Acabou a temporada 2012 da Indy. A primeira temporada do novo chassi Dallara e a primeira de Rubens Barrichello na categoria. O campeão foi Ryan Hunter Reay, que venceu o duelo contra Will Power, vice campeão pela terceira vez, vítima de sua própria incapacidade de lidar com circuitos ovais. O melhor brasileiro foi Hélio Castroneves, que terminou o campeonato em 5º. Há anos correndo na Penske, Helinho passou perto do título algumas vezes, mas nunca foi campeão.

A temporada foi boa mas, de novo, passou despercebida no Brasil. E por vários motivos. A começar pelo mais óbvio: ninguém liga para automobilismo no país. A categoria cresceu em audiência nos anos 90, principalmente após a morte de Senna, quando as pessoas procuraram a categoria americana quedava aos brasileiros chance de vitória. E brasileiro só gosta de esporte em que o Brasil vai bem. Mas com os problemas que a Indy enfrentou no início dos anos 2000 (Separação entre Cart e IRL, perda de identidade, falta de dinheiro e crise técnica), o brasileiro desistiu de vez do automobilismo. 

Some-se a isso o fato de que Rubens Barrichello, principal atração da Indy em 2012, não fez o que se esperava dele. E no Brasil se espera o impossível. Em seu primeiro ano na Indy, correndo em uma equipe pequena como a KV, Rubinho conseguiu um quarto lugar como melhor resultado e terminou o ano em 12º. Poderia ter feito mais, mas é preciso dar tempo. Mas a torcida brasileira não é muito adepta a conceder tempo aos seus atletas. 

E ainda temos os motivos técnicos, que são o calcanhar da Indy a alguns anos. A Dallara é fornecedora única de chassis. Nos tempos áureos, a categoria contava com Reynard, Lola, Penske, Eagle e Swift. Pistas como Laguna Seca e Elkhart Lake foram trocadas por bombas como Baltimore, São Paulo e São Petesburgo. O asfalto de Detroit estava se desintegrando durante a prova. 

Antigamente víamos disputas entre Al Unser Jr., Michael Andretti e Bobby Rahal. Hoje temos Ryan Hunter Reay, Ryan Briscoe e Will Power. Sem grandes juízos de valor, o mínimo que podemos dizer é que o automobilismo americano já contou com gente melhor. 

E por fim, claro, o que já debatemos aqui: precisamos de uma emissora de TV que tenha a tarde livre de esportes e que possa transmitir a Indy como uma alternativa à nossa lamentável programação de TV aberta. A Band, compreensivelmente, investe no futebol. Tanto que as etapas que não foram disputadas às 16hs (horário dos jogos do campeonato brasileiro) foram transmitidas. É difícil se identificar com um campeonato em que não se pode ver todas as corridas.  Ainda não foi desta vez que vimos o tal renascimento da Indy. O caminho ainda é longo e é preciso percorrê-lo com mais velocidade. Que 2013 traga essa dose extra de potência.

domingo, 9 de setembro de 2012

Massa na Ferrari em 2013: bom negócio para quem?




Apesar de não ter feito uma corrida excepcional em Monza, acredito que Felipe Massa tenha conseguido, com seus dois últimos resultados, caminhar bastante na direção de uma renovação de contrato para 2013. Em Spa, o brasileiro recuperou-se bem após largar em 14º lugar e chegou em quinto, à frente de Mark Webber, até então adversário de Alonso no campeonato. Na Itália, Felipe não fez nada de mais, mas chegou em quarto, logo atrás do companheiro, manteve um ritmo competitivo e só não foi ao pódio por causa da excepcional corrida de Sérgio Perez, que largou em 12º, guardou os pneus médios para o final e engoliu todo mundo. Não dava para segurar o mexicano e nem Alonso fez isso.

A questão que fica é: seria vantajoso para Felipe permanecer na Ferrari? Renovando por mais um, dois ou três anos, não importa, o destino de Felipe Massa está traçado: será o segundo piloto de Fernando Alonso. Isso significa lutar por algumas migalhas, talvez um ou outro pódio e, se der muita sorte, pode beliscar uma vitória (se voltar a pilotar em nível aceitável, coisa que não faz desde o início de 2010).

Mas existem outras opções entre as equipes médias que poderiam lhe render frutos mais interessantes. Caso a Ferrari contrate Sérgio Perez, Massa poderia ficar com a vaga do mexicano na Sauber, uma equipe com bom ambiente e que tem um carro aceitável. Seria companheiro de Kobayashi, ótimo piloto, mas não fora de série. Se seu substituto fosse Hulkenberg, por exemplo, Massa poderia acelerar a Force India, que conta com o ótimo motor Mercedes.

Sim, são equipes médias, mas o que é melhor: recuperar a auto-estima e liderar uma equipe média, ou ser relegado a coadjuvante do melhor piloto da atualidade? No lugar de Felipe, eu escolheria a primeira opção.

domingo, 2 de setembro de 2012

Grosjean doidão põe fogo no campeonato


Alonso prestes a ser atingido pelo "francês voador"

Romain Grosjean conseguiu uma coisa que parecia bem difícil: colocou pimenta num campeonato que caminhava tranquilamente para as mãos de Fernando Alonso. Com um revezamento de adversários correndo atrás da Ferrari, bastava ao tricampeão marcar pontos em posições intermediárias que o título era certo. Mas o francês da Renault resolveu se transformar em bola de boliche e fez um strike de respeito na primeira curva do GP da Bélgica, tirando Alonso, Hamilton, Kobayashi e Perez. E ainda colocou na disputa a dupla da Red Bull, Vettel e Webber, que haviam largado no meio do pelotão. Um pancão de respeito.

A batida não ficou barata para Grosjean, que está suspenso do GP da Itália. Além de dar graça a um campeonato que parecia decidido, Romain ainda alimentou a central de boatos da Fórmula 1, já que agora todos estão especulando sobre o nome do seu substituto nessa corrida. A Renault não confirmou, mas Jerome D’Ambrosio, que é o terceiro piloto da equipe, afinal, deverá assumir o cockpit.

Mas Grosjean não precisa ficar triste, já que seu companheiro de confusões também aprontou. Maldonado queimou feio a largada e depois ainda acertou a traseira de Timo Glock ficando fora da prova. Na próxima corrida, perderá milhares de posições no grid, talvez tenha que largar de Ímola, e ir pela estrada até chegar à Monza.

Com tudo isso, o GP da Bélgica acabou sendo movimentado nas posições intermediárias, com disputas entre Schumacher, Raikkonen, as duas Force Índia, as duas Toro Rosso e os dois brasileiros. Massa terminou em quinto e à frente de Webber, um bom resultado para os seus padrões atuais. Já Bruno Senna fez outra corrida muito boa, mas foi prejudicado pela tática ridícula da Williams e ficou sem pneus no final. Bruno vai superar Maldonado até o final do ano, um resultado que será muito importante para ele.

Lá na frente, Button passeou tranqüilo, e venceu sem dificuldades. O destaque ficou mesmo para Vettel que fez várias ultrapassagens e terminou em segundo lugar. Tem agora 24 pontos a menos do que Alonso e tudo indica que os dois vão lutar até o fim pelo título.

Graças a Romain Grosjean.

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

No caminho...



Parece que a Rede Globo começou a acusar o golpe da falta de competitividade de Felipe Massa. Durante toda a transmissão do GP da Hungria, no último domingo e a cobertura dessa mesma corrida nos programas esportivos, a TV oficial da F1 no Brasil desviou toda a sua atenção para Bruno Senna, que faz um campeonato bem mais honesto e consistente do que Massa. No campeonato, Bruno está só um ponto atrás de Massa. Mas pilota uma Williams, enquanto Felipe é piloto da Ferrari, equipe que lidera o campeonato com Fernando Alonso.

De fato, Bruno Senna faz um campeonato bom, considerando que é seu primeiro ano completo, numa equipe estruturada. Está 6 pontos atrás do companheiro Pastor Maldonado, mas o venezuelano conseguiu uma vitória brilhante na Espanha e a maioria dos seus 29 pontos veio desse resultado. Bruno pontuou em 6 corridas no ano, e se mostra muito mais consistente do que o venezuelano. Se conseguir melhorar seu desempenho em classificações e obter um resultado de destaque, como um pódio, por exemplo, pode virar opção para outras equipes em 2013.

Isso porque dificilmente ficará na Williams. Não é mais segredo que o finlandês Valteri Bottas, protegido dos dirigentes da equipe inglesa, será promovido a titular e Pastor Maldonado tem dinheiro o suficiente para pagar o conserto de todos os carros que destrói ao longo do ano.

Senna é um piloto sério, competente, rápido e trabalhador. Faz um ano aceitável. Porque não imaginar que conseguiria vaga em outra equipe para 2013?

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Iceman e a língua queimada




Quando a Lotus anunciou a contratação de Kimi Raikkonen, como primeiro piloto da equipe, ao lado do novato Romain Grosjean, critiquei bastante a equipe aqui no blog. Escrevi que era uma bobagem achar que Raikkonen seria capaz de liderar um projeto, visto que ele nunca demonstrou esse talento em especial. Rápido ele sempre foi, mas correndo com carros rápidos. Precisando trabalhar para fazer com que o carro seja competitivo, como foi na Ferrari, em 2009, o finlandês não era eficaz. Errei feio.

Primeiro porque, claro, a Lotus deu um salto em relação à 2011, e produziu um bom carro para este ano. E segundo porque a experiência no Rali parece ter feito muito bem a Kimi Raikkonen, que voltou à Fórmula 1 pilotando como nunca. Unindo sua incrível rapidez, à uma surpreendente regularidade, Raikkonen terminou todas as corridas deste ano e ocupa a 5ª colocação no mundial de pilotos, apenas 48 pontos atrás do líder Fernando Alonso. Tivesse um carro um pouco melhor, estaria na luta pelo campeonato.

Na Hungria, Raikkonen foi o único a ganhar um número expressivo de posições entre os primeiros colocados, largando em quinto e terminando em segundo, pressionando Lewis Hamilton pela vitória. Numa corrida em que ninguém ultrapassou ninguém, Raikkonen acelerou fundo durante a utilização de seu segundo jogo de pneus e, ao voltar do pit stop, dividiu a curva com seu companheiro Grosjean e levou a melhor. No final, andou perto de Hamilton mas o inglês não cometeu um único erro, o que seria o suficiente para que Raikkonen o ultrapassasse.

Não acompanhei sua carreira no mundial de Rali, mas está na cara que a experiência por lá ajudou Kimi a aprimorar seu estilo. Se antes o finlandês usava velocidade pura durante todo o fim de semana, às vezes sacrificando o carro, agora ele opta por pensar a etapa como um todo, às vezes abrindo mão da classificação para surpreender na corrida.

Até o final do ano, deverá subir ao alto do pódio, o que será ótimo para o campeonato. Raikkonen é bom de qualquer jeito mas, motivado, é quase imbatível.

sexta-feira, 27 de julho de 2012

E a batata assa...

De acordo com essa matéria, do site Tazio, a Ferrari não exerceu a opção de renovação automática do contrato de Felipe Massa, que tinha validade até ontem (26/07). É só juntar alguns fatos, para fazer uma leitura mais adequada da situação:

1) Os resultados do brasileiro, desde 2010, cada vez mais lamentáveis.
2) As declarações públicas de cobrança dos dirigentes da Ferrari, feitas a cada mau resultado, ou seja, a cada final de corrida.
3) A pressão da mídia italiana
4) A entrevista de Webber ao site da RedBull, na qual o australiano admite ter conversado com a Ferrari sobre um contrato para 2013.

Está na cara que a Ferrari não tem mais Massa em seus planos para o futuro. Mas também não quer colocar Sérgio Pérez como escudeiro de Alonso, já em 2013. Por isso tentaram contratar Webber. E por isso deixaram expirar a opção de renovação com Massa.

Dessa forma, a equipe italiana fica com duas cartas na manga: caso o brasileiro melhore muito, mas muito seu desempenho este ano, oferecem mais um contrato ao brasileiro, com um salário bem menor, para que ele esquente lugar para um novo piloto em 2014. Se ele continuar nessa toada, leva um chute nos fundilhos e a equipe vai buscar gente experiente que possa segurar o lugar até a chegada de Perez (ou até mesmo Vettel, como se especula). Opções não faltam. Adrian Sutil é rápido e tem certa experiência, Heikki Kovalainen vem fazendo um ótimo trabalho na Caterham, e já correu na McLaren, inclusive venceu uma prova. Os dois fariam bem mais do que Felipe vem fazendo.

Opinião minha: Massa está fora em 2013. Mas ainda tem meia temporada para provar a alguma equipe média que pode colaborar com ela a partir de 2013. Caso contrário, nem isso vai conseguir.

terça-feira, 24 de julho de 2012

Os fiscais e a grama


Observe a manobra do vídeo acima. Uma ultrapassagem de Alessandro Zanardi sobre Bryan Herta, na última volta do GP de Laguna Seca da Indy, em 96. A curva é a famosa saca-rolha que, junto com a Eau Rouge, de Spa Francorchamps, talvez seja a mais espetacular de todas. Se essa corrida valesse pelo campeonato 2012 de Fórmula 1, essa manobra, uma das mais incríveis que já vi no automobilismo, não ocorreria.

Não ocorreria, porque Zanardi ultrapassou os limites da pista e precisou completar sua manobra numa parte de areia, uma incrível demonstração de habilidade e capacidade de controle do carro, inclusive para fugir do muro que estava próximo. Se fosse na Fórmula 1 2012, Zanardi encontraria uma enorme área de escape, não precisaria se preocupar com muro nenhum, porque ele não existiria. O italiano cortaria caminho e, se não devolvesse a posição, seria punido no final. Mas isso seria justo?

Em nome da segurança, nos últimos anos, a Fórmula 1 expandiu as suas pistas para além do limite do traçado. Foram construídas áreas de escape gigantescas, a parte interna das curvas também foi asfaltada. Sair com o carro do traçado não prejudica o equipamento em nada. A punição natural que ocorreria, a sujeira da grama grudada nos pneus ou um toque no muro, foi substituída pela ação dos fiscais. São eles quem decidem se punem ou não, frustrando o público e, o pior, inibindo pilotos de tentarem manobras mais ousadas.

A briga Vettel x Button do último domingo, aconteceria da mesma maneira se, do lado de fora do grampo, houvesse grama ao invés de asfalto. Vettel teria só que escolher o caminho: passar pela grama e sofrer as consequências, como fez Zanardi em Laguna Seca, ou recolher para não bater, o que também não seria condenável. Mas não havia grama lá. Havia asfalto, que os caras da FIA mandaram colocar, para aumentar a segurança. E, como havia asfalto, Vettel se jogou lá e acelerou. Como fez Schumacher contra Trulli, em 2003. E o alemão não foi punido.

OK, segurança é importante, mas ali não era mais área de escape. Podia ter grama. Sei lá, é preciso fazer alguma coisa. Se não fizerem, é melhor salvar aquele vídeo lá de cima nos favoritos do Youtube. Porque é só lá que vamos conseguir ver manobras como esta.

domingo, 22 de julho de 2012

Haja paciência...

Se na pista a Fórmula 1 atual é a mais sensacional da história recente da categoria, fora dela a coisa vai de mal a pior. Hoje foi um belo exemplo. Tivemos uma corrida movimentada em Hockenheim, não tão movimentada quanto as outras da temporada, mas na medida do possível. No final, Sebastian Vettel, que economizou pneus para atacar Jenson Button no fim, fez a ultrapassagem no grampo, da parte nova do circuito. Para se defender, Button fez aquilo que os pilotos passaram a fazer desde que as áreas de escape foram asfaltadas: espremeu Vettel, que fez o que todos os pilotos também passaram a fazer depois que as áreas de escape foram asfaltas. O que? Se jogou nela e completou a manobra. A FIA puniu o alemão com 20 segundos e ele caiu para quinto no final.

Um belo dia, alguém teve a brilhante idéia de asfaltar as áreas de escape das pistas da Fórmula 1 porque, segundo a convenção geral, a brita era perigosa por causar capotamentos. E a grama não segurava os carros em caso de uma escapada. Ótimo. Mas, com isso, deu aos pilotos a chance de cortar caminhos por ali e desde então temos visto um festival de incoerências.

Em 2008, Hamilton cortou caminho na Bélgica para ultrapassar Felipe Massa. Foi punido. Em 2007, Massa e Kubica se estapearam na pista e fora dela em Fuji. Nada aconteceu. Portanto, qual o critério? A desculpa para a punição de hoje foi a de que os “pilotos combinaram”. E por isso, nem Vettel nem Red Bull reclamaram de nada. Quem perde? O público, que vê a disputa na pista, vê o pódio, e quando chega em casa descobre que o resultado é outro.

E como o resultado final foi alterado, estou sem saco para comentar a corrida. Ainda mais que Alonso venceu como sempre e os brasileiros fizeram uma corrida desastrosa. A boa notícia foi a volta de Jenson Button ao pódio. Uma pena que isso ocorre tarde demais. O campeonato está nas mãos do espanhol. Ainda mais, com a ajuda da FIA.

terça-feira, 10 de julho de 2012

Webber na Red Bull em 2013 - Algumas reflexões




Como todos já sabem, Mark Webber renovou com a Red Bull por mais um ano. Uma notícia que leva a algumas reflexões interessantes.

A primeira delas é de que, obviamente, a equipe confia bastante na sua dupla de pilotos. Hoje os dois são os únicos que surgem como rivais de Fernando Alonso na luta pelo título. Tanto Webber quanto Vettel estão em ótima forma, o carro energético parece ser melhor que o da Ferrari e o australiano vem tendo performances melhores que o do companheiro bi-campeão.

Com o enfraquecimento da McLaren e a irregularidade de Mercedes e Lotus, o campeonato começa a ficar polarizado entre esses três pilotos, o que só aumenta a responsabilidade de Felipe Massa. Seu papel fica claro: tirar pontos dos pilotos da Red Bull. Com isso, conclui-se que, apesar de ter feito sua melhor apresentação do ano na Inglaterra, o quarto lugar ainda não é o que a Ferrari espera dele. E Felipe ainda vai precisar mostrar mais. Neste momento, sua renovação de contrato para 2013 está apenas em suas mãos. Se conseguir ajudar Alonso na missão de vencer os rivais austríacos, fica na equipe italiana. Caso contrário, Perez surge como seu substituto.

E por último, e mais importante: a Red Bull parece ainda não estar segura sobre o substituto do australiano, que já tem 35 anos. O que coloca o projeto da Toro Rosso na corda bamba. A equipe, declaradamente um laboratório de futuros pilotos da equipe austríaca, só conseguiu revelar Sebastian Vettel até hoje. E, mesmo assim, o alemão é fruto da escola de pilotos da BMW. No ano passado, a equipe dispensou Sebastian Buemi e Jaime Alguersuari, desperdiçando dois anos de investimento nas jovens promessas. Em 2012 nem Jean Eric Vergne, nem Daniel Ricciardo conseguiram performances consistentes.

Vale a pena manter uma equipe satélite para revelar pilotos, sendo que ela não revela ninguém? Dietrich Mateschitz deve estar com a calculadora nas mãos.

Quanto a Webber, a renovação é merecida. É um piloto que melhorou muito com o passar dos anos e, se não é brilhante, tampouco dá vexames. Em 2010 poderia ter sido campeão, se não tivesse se estropiado num estúpido acidente de bicicleta. Mark nunca aceitou a ser segundo piloto, mas lutou pela condição de protagonista na pista. De presente, ganhou a permanência na equipe e a confiança dos patrões. E merece o nosso respeito.

domingo, 8 de julho de 2012

Alonso já tem seu principal rival no campeonato

Pela segunda vez no ano, os pneus venceram Fernando Alonso. Mas, se no Canadá, o atual líder do campeonato perdeu várias posições, dessa vez ele conseguiu se segurar em segundo, uma posição importantíssima para ele na briga pelo título. Muito embora, sua cara no pódio estivesse de pouquíssimos amigos.

Talvez ele estivesse pensando no erro estratégico que cometeu, ao escolher pneus mais duros logo na largada. Como ninguém sabia direito o comportamento dos pneus em Silverstone, já que choveu em todos os treinos, Alonso achou que sair com compostos duros o deixaria em vantagem. E deixou mesmo. O problema foi que, na primeira troca, ele manteve a borracha mais dura o que o obrigou a fazer o último trecho de macios. Um erro fatal.

Seus pneus acabaram rapidamente e Webber aproveitou para fazer uma bela ultrapassagem e tomar a ponta a quatro voltas do fim.

O australiano vai se consolidando como principal rival de Alonso no campeonato, o que é uma surpresa, em se tratando de um piloto que começou o ano mal.

A prova, como de hábito em 2012, foi movimentadíssima, com várias e belas ultrapassagens. Destaque para Felipe Massa que dispensou a asa móvel e fez a mais bonita manobra da corrida, ao ultrapassar Michael Schumacher no começo da prova. Massa fez sua melhor corrida do ano, desconfio que esse seja seu limite com o carro da Ferrari.

Bruno Senna, também fez uma boa prova. Não entendo muito bem porque as pessoas vêm criticando tanto o brasileiro. Na minha opinião, faz uma temporada bastante honesta, contando que é sua primeira completa (com a Hispania não conta). No final da corrida, deu um passão humilhante em Hulkenberg e arrumou um 9º lugar. Seu companheiro, Maldonado, mais uma vez se meteu em confusão e acabou tirando Sérgio Perez da corrida.

Decepção mesmo foi Michael Schumacher, que largou em terceiro mas fez uma corrida discreta e terminou apenas na sétima posição. Vettel também foi discreto e conseguiu o terceiro lugar após antecipar sua primeira parada. Mas não ultrapassou ninguém na pista.

E vamos embora que ta chegando a hora de ver a Indy.

domingo, 24 de junho de 2012

Sensacional é pouco...

Que temporada fantástica é essa de 2012. Que corrida tivemos agora a pouco, em Valência. E que vitória conquistou Fernando Alonso.

É realmente muito emocionante ver um piloto ganhar em casa, dessa maneira. Aliás, estava pensando: todo grande piloto tem pelo menos uma vitória que é marcante. Senna tem Interlagos/93, Schumacher tem Bélgica/95, Hakkinen tem Bélgica/00. E Alonso tem Valencia/12.

Sim, ele deu sorte porque Vettel e Grosjean tiveram problemas, mas sorte também é um fator importante. O que realmente importa é que o cara largou em 11º, passou um monte de gente na pista, e ganhou com autoridade de campeão. Tem agora 111 pontos no campeonato, contra 91 de Webber. Uma diferença monstruosa num campeonato tão competitivo.

Sua vantagem poderia ser bem menor se Hamilton conseguisse compreender a importância de se marcar pontos no campeonato. Com pneus no osso no finzinho, encarou Maldonado na briga pelo terceiro lugar, os dois forçaram além da conta e Hamilton se deu mal. Aliás, os dois se deram mal.

Valencia ainda nos presenteou com a volta de Schumacher ao pódio, depois de um trecho final de prova espetacular. Aliás, ele e Raikkonen destruiram os adversários nas últimas voltas. A se destacar também que Webber saiu do 19º lugar para o 4º, um grande resultado.

Os dois brasileiros ficaram de fora da festa, ambos acertados por Kamui Kobayashi. Os dois acidentes, na minha opinião, culpa do japonês. A diferença é que Massa vinha fazendo sua tradicional corrida ruim. Já Bruno Senna fazia grande prova, andando com pneus macios ainda na 20ª volta, uma estratégia que o levaria a um bom resultado no final. Bruno precisa aproveitar esse bom carro da Williams e converter suas atuações em resultados. Senão vai ficar difícil, infelizmente.

Essa semana vamos falar mais desse GP, um dos melhores do ano. E em Valência. Essa temporada é mesmo sensacional.

quarta-feira, 13 de junho de 2012

“Na época do Senna era melhor”


Mansell e Senna batem rodas na Espanha: era melhor nessa época?


Quem gosta de automobilismo para valer, já ouviu essa frase centenas de milhares de vezes. A cena é comum: você chega numa roda de conversa e alguém lembra que você gosta de automobilismo. Se você estiver com 10 amigos, garanto que pelo menos 8 encherão o peito para repetir o título deste post.

Se a quantidade de pessoas que diz ter parado de ver Fórmula 1 em 1994 realmente assistisse às corridas nessa época, calculo que as manhãs de domingo na Globo deveriam ter quase 100% de audiência. Uau, melhor do que qualquer Big Brother!

Mas isso não é verdade. É claro que a epopéia de Emerson Fittipaldi, seguida do tricampeonato de Nelson Piquet e Ayrton Senna, somando a tudo isso o incrível talento midiático deste último, tornou a Fórmula 1 um esporte popular no Brasil. Mas isso foi apenas uma fase, aliás como são fase os sucessos de todos os esportes que não contam com 11 jogadores de cada lado, num gramado cercado de arquibancadas, povoada por gente fanática, que muitas vezes quer mais é agredir à torcida adversária do que, necessariamente, acompanhar o esporte.

Quem gosta de automobilismo gosta e pronto. A “época do Senna” foi ótima, uma Fórmula 1 de altíssimo nível, grandes pilotos e grandes equipes. A época agora é outra, mas não dá para dizer que não temos uma grande Fórmula 1.

A temporada de 91, por exemplo, último título do Brasil na Fórmula 1 (e com ele, Senna), não foi exatamente um primor de emoção. Até a 7ª etapa, Senna havia vencido 4 de ponta a ponta. Dessas 4, a única realmente emocionante foi a etapa de Interlagos, quando o brasileiro perdeu todas as marchas e quase foi alcançado por Riccardo Patrese, da Williams.

Ah, mas o campeonato só foi decidido na penúltima corrida, dirá alguém. Sim, mas isso aconteceu porque Nigel Mansell, que tinha um carro muito melhor, marcou só 6 pontos nas primeiras 4 etapas (que Senna venceu) e depois saiu ganhando todas as provas sem dar chance a ninguém.

Em 2012 já temos 7 vencedores em 7 GP’s. Desses, só Rosberg venceu com folga. Os outros tiveram vitórias apertadas. E ainda temos Lotus e Sauber em condições de vencer a qualquer momento. Em 1991 era só McLaren e Williams. A Benetton beliscou uma vitória com Piquet, quando Nigel Mansell abandonou o GP do Canadá na última volta.

A Fórmula 1 de hoje tem vários defeitos em relação ao passado. E, claro, ninguém é obrigado a gostar de corridas. O que falta à F1 de hoje é brasileiro na ponta. Infelizmente isso servirá para atrair as pessoas que só valorizam esporte em época de olimpíada ou copa do mundo. Porque, para quem gosta mesmo de corridas, sinto dizer: a época do Senna não era melhor. Era igual.

segunda-feira, 11 de junho de 2012

O nó tático que não deu certo



Button, Alonso, Rosberg, Vettel, Maldonado, Webber e Hamilton. Esses são os 7 vencedores dos 7 primeiros grandes prêmios desta que é a melhor temporada de Fórmula 1 em muitos anos. E ainda podemos colocar nessa fila Grosjean e Raikkonen, da Lotus, mais Sérgio Perez da Sauber e, porque não, Schumacher, que precisa benzer sua Mercedes.

O GP do Canadá, disputado no último fim de semana, mostrou que, quando tudo parece definido, aparece um novo fator para bagunçar a corrida e tornar tudo imprevisível. Primeiro, Vettel tomou a pole que parecia ser de Hamilton. Largou bem e se mandou na frente. Depois, no momento da primeira parada, foi Alonso quem deu um lençol em todo mundo e tomou a ponta. Mas logo perdeu para o quase imbatível Lewis Hamilton.

Lewis imprimiu um ritmo fortíssimo e parecia que ganharia a prova fácil, quando a McLaren o trouxe para os boxes pela última vez. Ainda assim, era só esperar que Alonso e Vettel parassem para retomar a ponta. Mas o alemão e o espanhol resolveram dar outro “nó tático” na McLaren e tentaram levar até o final. Vettel logo viu que não daria e parou. Alonso não. Foi superado não só por Hamilton, mas também por Grosjean, Perez e o próprio Vettel. Aliás, se a corrida tivesse mais 3 voltas, acho que o espanhol nem marcaria pontos.

Mas não foi só na ponta que as disputas aconteceram. Rosberg e Raikkonen protagonizaram uma briga de cinema após o primeiro pit-stop do finlandês. Felipe Massa, ainda no início da prova, também fez uma bela ultrapassagem sobre filho de Keke e parecia estar partindo para sua melhor prova no ano.

Parecia, porque quando começava a se aproximar de Mark Webber ele rodou sozinho, como um principiante. É incrível como Massa parece dar munição para a imprensa italiana. Na semana em que Montezemolo diz que Sérgio Perez ainda é muito jovem para sentar no cockpit vermelho, o brasileiro comete um erro de estreante e, um pódio que poderia ser seu, cai na mão de quem? Exatamente, Sérgio Perez. Está ficando indefensável.

Sobre o restante, ficam algumas considerações: o carro da Williams começa a cair de rendimento e Bruno Senna precisa abrir o olho. A temporada de 2012 é, de longe, a mais azarada de toda a carreira de Michael Schumacher, que não perde o bom humor. E, por fim, o que aconteceu com Jenson Button?

domingo, 3 de junho de 2012

Decepção de verdade



Quando se fala em decepção do ano, na Fórmula 1, o primeiro nome que vem a cabeça é o de Felipe Massa. E não é para menos: com 66 pontos a menos que o companheiro de equipe no campeonato, o brasileiro já é dado como carta fora do baralho na Ferrari no fim do ano e vários nomes de substitutos já foram ventilados. Mas Felipe vem em uma curva descendente desde 2010 e não chega a ser uma surpresa seu mal desempenho. Surpresa é ele ser tão ruim assim.

Para mim, decepção mesmo é Jenson Button. Num campeonato que premia a regularidade, como este de 2012, o campeão de 2009 deveria estar nadando de braçada. Mas não está. Button venceu o GP da Austrália, na estréia da temporada, e parecia ser capaz de massacrar seu instável companheiro de equipe Lewis Hamilton.

Button ainda foi o segundo colocado na China, fazendo uma bela prova, mas de resto sua temporada é fraquíssima. Não pontuou na Malásia e no Barhein e, em Mônaco, passou a corrida toda preso atrás de Heikki Kovalainen, com a fraquíssima Catheram.  O máximo que conseguiu na Espanha foi o nono lugar.

Se, nas três provas que zerou, Button tivesse conseguido um quinto lugar em cada uma, teria hoje 75 pontos e seria vice líder do campeonato. É evidente que este é um pensamento simplório, mas são resultados dentro da realidade de um piloto da capacidade de Jenson Button.

O equilíbrio do campeonato, até aqui, permite que uma sequência de vitórias, leve o piloto à liderança do torneio rapidamente. O problema é conseguir essa sequência. Este ano vai vencer aquele que tiver mais regularidade. E Button não teve nenhuma até agora. A fatura vai ser paga no final do ano.

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Por que não?


Al Unser Jr. lidera o pelotão da Indy, em Michigan/96
 Estava eu a visitar minha avó outro dia, num domingo à tarde. Sua TV estava ligada na Record, que passava o programa da Eliana, aquela dos dedinhos. A pauta do programa? Durante duas horas e meia, que foi o tempo que permaneci sentado no sofá, ao lado de minha avó, diversas pessoas se revezaram, aos berros, diante de uma taça de cristal, tentando quebrá-la.

A Record não transmite futebol, como Globo e Band, de modo que precisa lançar mão de estratégias para obter audiência. E sua estratégia era colocar Eliana recebendo convidados que tentavam, em vão, quebrar uma taça de cristal. Berrando.

Longe de mim querer pautar as capengas emissoras de TV aberta do nosso país, mas fica a pergunta: será que a Fórmula Indy não seria um produto interessante para emissoras que não transmitem futebol, como Record, Rede TV e SBT? Estamos falando de uma competição esportiva de nível razoável, que produz um espetáculo no mínimo interessante e, o principal para o Brasil, tem brasileiros em condições de vitórias.

No início da década de 90, Nigel Mansell saiu da Fórmula 1 e foi para a Fórmula Indy, onde já estavam os ex-F1 Emerson Fittipaldi, Mário Andretti e uma turma do calibre de Bobby Rahal, Al Unser Jr. e Paul Tracy. A rede Manchete comprou os direitos de transmissão da categoria e, a partir da daí, a Indy se tornou uma das mais populares categorias de carros no Brasil.

E, para melhorar, veio o SBT e, a partir de 95, realizou um trabalho impecável, uma aula de transmissão ao vivo, com profissionais in loco, câmeras exclusivas, entrevistas com pilotos pelo rádio do carro durante a prova, um verdadeiro show. Tenho as temporadas de 95 e 96 da Indy em DVD. É um material de primeira qualidade.

(PS: assistam a este vídeo. Não consegui linkar direto aqui. É a vitória de André Ribeiro em Jacarepaguá/96. O ponto alto da Indy no Brasil, de arrepiar)

Depois a Indy entrou em crise, houve a separação entre Cart e IRL, a qualidade caiu e aí não tem milagre que salve uma categoria que perde o que tem de melhor: bons pilotos e bons carros.

No último fim de semana assistimos às 500 milhas de Indianápolis pela Bandeirantes. Transmissão correta, sem grandes espetáculos, um narrador decadente, mas tudo bem. Só que não pudemos assistir à premiação final, porque a Band transmite o futebol e este é, compreensivelmente, o principal produto. Este mesmo futebol nos impedirá de acompanhar todas as etapas ao vivo.

A Indy não é um produto tão caro como a Fórmula 1. Recuperou a qualidade de tempos anteriores e produz espetáculos interessantes. Apesar do trabalho excepcional do SBT na década de 90, nem é preciso tanto. Uma transmissão correta, ao vivo, que permita ao espectador assistir à todas as corridas, sem cortes no final, já estaria de bom tamanho.

Ou será que a Eliana e seus convidados com o gogó de ouro são melhores que isso?


terça-feira, 29 de maio de 2012

Indianápolis e a sua incapacidade de produzir corridas monótonas

Franchitti, Dixon e Kanaan: final espetacular para uma corrida morna

Por mais que tente, Indianápolis é incapaz de oferecer uma corrida que não tenha surpresas. A prova deste ano caminhava para ser a mais monótona de todas as edições das 500 milhas. Mas uma série de bandeiras amarelas no final aproximou os líderes e colocou entre eles o japonês Takuma Sato. Claro que não podia dar coisa boa.

Sato tentou ultrapassar Dario Franchitti na última volta. O escocês, raposa velha, não deixou espaço e, percebendo a insistência do adversário, abriu um pouco a curva, quando Sato já tinha se metido na grama e começava a rodar. Se não tivesse feito isso, teria ido para o muro junto com o japonês. Takuma foi embora sozinho, bateu e perdeu a chance de fazer história nas 500 milhas.

Franchitti venceu pela 3ª vez, fazendo uma prova de quem conhece cada milímetro daquele templo. Discreto no inicio, apareceu no final, trazendo seu companheiro de equipe Scott Dixon. A Chip Ganassi é mesmo uma equipe que sabe tudo de circuitos ovais.

Mas outros pilotos poderiam ter saído vencedores. Tony Kanaan, por exemplo, que terminou em terceiro, mas liderava até a volta 195, quando fez uma relargada absolutamente fantástica. Acabou não conseguindo segurar a dupla Franchitti / Dixon. Marco Andretti também liderou uma boa parte da corrida, mas bateu sozinho no muro.

Helio Castroneves acabou tendo um desempenho discreto e terminou em 10º. Rubens Barrichello, 11º, foi o melhor estreante de 2012 e segue aprendendo coisas novas na Indy.

Vexame mesmo deram os carros com motor Lotus, que foram desclassificados por falta de desempenho no início da prova. Uma vergonha para Jean Alesi e Simona de Silvestro.

Infelizmente não pudemos assistir à premiação, porque a Band precisava transmitir o campeonato brasileiro, e cortou para o jogo Atlético MG x Corinthians. Será que a Indy não é um produto suficientemente bom para que alguma emissora que não transmite futebol se interesse?

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Webber vence em Mônaco e também chega para a festa


O trenzinho do tio Webber

O campeonato de Fórmula 1 de 2012 é tudo aquilo que o público que gosta de automobilismo sempre pediu a Deus: tem uma enorme diversidade de vencedores (6 diferentes, em 6 GP’s), premia o talento (o líder do campeonato é o melhor piloto, que não tem o melhor carro), equipes pequenas têm aparecido e brigado por vitórias (Sauber na Malásia e Williams na Espanha) e tudo isso com 6 campeões do mundo na pista (Schumacher, Alonso, Vettel, Button, Hamilton e Raikkonen).

Portanto é uma pena que o GP de Mônaco, disputado neste fim de semana, tenha sido tão entediante. O trenzinho que se formou atrás de Mark Webber, no início da corrida, seguiu até o final, com pouquíssimas variações. E, as duas variações foram conseguidas pelos dois melhores pilotos do campeonato até aqui: Alonso e Vettel.

Começando pelo espanhol. O ritmo lento adotado pelo bi-campeão no início da prova logo se mostrou uma acertada estratégia: a economia de pneus super macios, permitiu que Alonso desse uma volta a mais do que Lewis Hamilton, deixando o inglês para trás e assumindo o terceiro lugar.

Já Vettel fez o contrário e também obteve sucesso: não treinou no Q3 e largou com pneus macios, fez um stint mais longo e, quando trocou, voltou logo atrás do adversário da Ferrari. Nessa história, dançaram Lewis Hamilton e Felipe Massa, que fizeram boas largadas, mas acabaram sendo superados nas paradas de box.

A largada, aliás, vitimou três pilotos que poderiam trazer alguma graça à corrida: começou com Grosjean que, na minha opinião, não teve culpa de ter virado recheio de sanduíche entre Alonso e Schumacher. Essa batida levou também Kobayashi e Maldonado, mas esse errou feio. Largando em último, o venezuelano tentou passar por cima da HRT de Pedro de La Rosa e, em duas semanas, foi do céu ao inferno.

Ainda mais porque Bruno Senna fez outra corrida consistente e conseguiu mais um pontinho para a Williams. Digam o que quiserem, mas para mim, Bruno faz um campeonato bastante digno, levando em consideração sua situação na equipe. O outro brasileiro, Felipe Massa, pela primeira vez fez uma corrida aceitável, andando perto de Fernando Alonso e se mostrando combativo. Tomara que seja um recomeço para ele. Só assim Massa se mantém na Fórmula 1 em 2013.

Ainda essa semana falaremos das 500 Milhas de Indianápolis e de outros aspectos do GP de Mônaco.

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Maldonado e as primeiras vitórias na Fórmula 1




Se tem um momento bacana no automobilismo, ele ocorre quando um piloto consegue sua primeira vitória na Fórmula 1. Pelo menos na minha opinião. É como se o cara marcasse sua passagem pela maior categoria do automobilismo e coroasse toda a sua carreira. Mais que um título, porque esse depende de muitos fatores. Uma vitória pode vir, tanto em lances fortuitos, quanto fruto de muito trabalho e esforço.  

Eu me lembro de várias. Alesi, no Canadá/1995, transformando o circuito de Montreal num estádio de futebol. Ou Barrichello, na Alemanha/2000, uma vitória espetacular comemorada por praticamente todo o padock. Ou então Tulli, em Mônaco/2004 suportando a pressão de Jenson Button. Jonnhy Herbert na Inglaterra/1995, herdando a vitória em casa depois do ídolo local Damon Hill atropelar Schumacher, com quem brigava pelo título.

Ontem foi a vez de Pastor Maldonado, que com certeza será lembrado daqui muitos anos após a vitória na Espanha. Porque venceu com a tradicional e combalida Williams, porque venceu no dia do aniversário de Frank Williams e, acima de tudo, porque venceu com a autoridade de um veterano. Sua primeira vitória lembra muito a de Sebastian Vettel, quando o alemão venceu na Itália, com a Toro Rosso, debaixo de chuva. Maldonado está em seu 2º ano. Em nenhum momento o venezuelano perdeu a calma, nem mesmo quando Alonso o pressionou, a parte final.

Eu disse Alonso? Sim, Alonso, que é o líder do campeonato ao lado de Sebastian Vettel. O espanhol ligou o botão de “foda-se” para os problemas da Ferrari e vem compensando no braço as deficiências do carro. Num campeonato com tantas alternativas, não ficarei surpreso se o espanhol erguer a taça no final.

Aliás, voltando ao tema primeiras vitórias, esse campeonato promete muitas delas. Já tivemos, além de Maldonado, Nico Rosberg vencendo na China. Mas a Sauber pode pintar por aí, já bateu na trave com Perez na Malásia, e ainda tem a Lotus que pode levar Romain Grosjean ao alto do pódio. E, claro, a Williams, que se mantiver o bom desempenho, pode levar Bruno Senna a vencer também.

O brasileiro vinha fazendo uma prova discreta ontem, quando foi acertado por Michael Schumacher na 13ª volta. Para mim, sem discussão: o alemão passou da conta e foi punido para a próxima corrida justamente. Tem muita gente fazendo alarde com o fato de Maldonado ter vencido uma corrida e Bruno estar mais atrás.  O brasileiro faz um campeonato decente e estava na frente do companheiro antes do GP da Espanha. Se não tivesse se dado mal no treino de sábado, teria largado mais à frente e poderia ter feito uma corrida melhor.

Sobre Massa, cansei de comentar, já falei tudo o que pensava. Seu desempenho é ridículo. E a Ferrari é uma mãe de não demiti-lo imediatamente.

Vamos torcer muito para que o campeonato siga nessa toada. As corridas estão movimentadíssimas e não temos do que reclamar. Quem gosta de Fórmula 1 está, finalmente, tendo um ótimo campeonato para curtir.

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Primeira vez



O ano de 2012 é mesmo de grandes emoções para Rubens Barrichello. Hoje o piloto da KV andou pela primeira vez num circuito oval, num teste realizado no Texas. Uma preparação para as 500 milhas de Indianápolis, que acontecem no final de maio.

Estreias em ovais são sempre interessantes, principalmente quando se trata de pilotos com muita quilometragem no automobilismo europeu, que não corre neste tipo de pista. “O sangue vai rápido e há muitas, muitas diferenças de qualquer outra coisa que já testei”, disse. “Na minha segunda volta, depois de ultrapassar as 200 milhas, eu fui muito rude no rádio porque estava muito animado. Eu disse que era algo espetacular, mas não de uma maneira boa”, disse Rubens, à Agência AP.

Aliás, o site Grande Prêmio lembrou que hoje, dia 07 de maio, completam-se 20 anos do acidente que praticamente encerrou a carreira de Nelson Piquet, em Indianápolis. Piquet encontrou o muro de frente ao perder o controle do Lola-Buick da equipe Menard’s. O resultado foram múltiplas fraturas nas pernas e pés, membros reconstruídos após uma série de cirurgia.

Sobre isso, vi outro dia um vídeo interessantíssimo no Youtube, com uma entrevista de Nelson à Reginaldo Leme, dias após a última cirurgia sofrida pelo tricampeão. O material foi ao ar no Fantástico, da TV Globo. Nelson fala sobre o acidente, admite ter cometido um erro no contorno da curva 3 e explica, em detalhes, a sua recuperação. Muito boa, como são todas as entrevistas de Piquet.

Resta ver como Rubens Barrichello vai se comportar ao encarar, pela primeira vez, a pista de Indianápolis.


terça-feira, 1 de maio de 2012

Um bom espetáculo, finalmente


E a Indy conseguiu. Depois de dois anos tentando, finalmente produziu um espetáculo aceitável nas ruas de São Paulo. Evidentemente contou com a ausência da chuva que, se viesse, se encarregaria de melar o evento. Mas, não se pode negar o óbvio: a corrida foi movimentada, cheia de alternativas, com belas ultrapassagens e uma atuação razoável dos brasileiros.

É claro que o resultado esperado era outro, mas a verdade é que Hélio Castroneves, Rubens Barrichello, Tony Kanaan e Bia Figueiredo treinaram muito mal no sábado e, na corrida, viveram situações distintas. No caso de Barrichello e Kanaan, a equipe KV tratou de derrubá-los com uma estratégia absurda, tirando-os de 5º e 6º lugares para devolvê-los à pista, já no fim da prova, em 16º e 17º lugares.

Helinho fez boa prova de recuperação e, aparentemente, não tinha carro para atacar no final. Ficou com o quarto lugar. Já Bia Figueiredo fazia uma prova combativa, levantou as arquibancadas em dois lances espetaculares na curva 1 mas acabou se atrapalhando no final e se envolveu num acidente com outros carros na última volta. Merecia melhor sorte.

E nenhuma dessas confusões citadas parece ter afetado o australiano Will Power que venceu pela 3ª vez seguida em São Paulo. Um piloto de grande qualidade em circuito misto, talvez o melhor entre todos da Indy na atualidade.
A nota negativa do fim de semana vai para a Bandeirantes e sua péssima transmissão do Grande Prêmio. Sim, a emissora deu destaque ao evento, recheando sua programação do fim de semana com a Indy. Mas, adotou um discurso exageradamente promotor da emissora (“Uma batida entre Power e Franchiti seria fantástico!”), escalou um locutor absolutamente perdido que sequer sabe falar os nomes dos pilotos (“Hunter-Rahal”!?) e ainda nos brindou com uma lamentável edição de imagens que nos privou de vários momentos decisivos da prova.

Agora é hora de Indianápolis, onde se pratica automobilismo de verdade. Já aguardamos ansiosamente.

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Em busca do reconhecimento



André Ribeiro lidera o pelotão da Indy em Jacarepaguá/96: tempo de vacas gordas

Domingo a Indy vai correr pela 3ª vez seguida em São Paulo. Vão montar aquela pista improvisada no Anhembi, com uma reta que passa por um sambódromo e a cidade que abriga um autódromo como Interlagos terá que se contentar com essa pistinha chinfrim para ver a Indy. Uma pena, mas vamos em frente.

Esses dias, andei assistindo o 1º GP de Fórmula Indy no Brasil, em 1996 num circuito oval construído dentro do autódromo de Jacarepaguá, no Rio de Janeiro. Espetacular. A Indy havia acabado de passar pelo processo que separou IRL e Cart (e que, mais tarde, acabaria com ambas) e a corrida no Rio era a consagração de uma categoria que só crescia, no país e no mundo.

Mercedes Benz, Honda, Ford e Toyota forneciam motores. Os chassis eram Penske, Lola, Eagle e Reynard. Duas fornecedoras de pneus: Goodyear e Firestone. Entre os pilotos, gênios como Al Unser Jr., Emerson Fittipaldi e Bobby Rahal. Grandes nomes da Indy como Michael Andretti e Paul Tracy dividiam a pista com jovens promessas como Gil de Ferran, André Ribeiro e Greg Moore. De quebra uma transmissão impecável do SBT, com câmeras exclusivas, repórteres espalhados pelo pit, Téo José e Dedê Gomez em grande forma (apesar da pachecada de sempre).

Infelizmente depois de 96 tudo mudou, a Indy perdeu identidade, virou um celeiro de gente roda dura. Em 2008, IRL e Cart voltaram a se encontrar e hoje tentam se estabelecer novamente.  Mas, a situação deste GP do Brasil, é bem diferente daquele de 96. O que antes era uma celebração, agora é uma tentativa de aproximação com o público, que anda afastado das corridas.

A Indy correu no Anhembi duas vezes. Em 2010, os carros não eram capazes de se manter em linha reta no piso do Sambódromo, porque piso de sambódromo é feito para sambar, não para correr de carros. Em 2011 a chuva que caiu desmontou o circuito e a corrida foi realizada numa segundona brava.

Esse ano é decisivo. As pessoas vão dar à Indy uma segunda chance, principalmente por causa da presença de Rubens Barrichello. Cabe à Indy caprichar no espetáculo e ganhar, de novo, a atenção do público brasileiro.