sábado, 7 de dezembro de 2013

Stop

Hora de dar um tempinho no blog para descansar. Agradeço a companhia de vocês em 2013. Que continuemos juntos no próximo ano!

Até janeiro!

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Novidades velhas...

Duas novidades (nem tão novas) que ficaram faltando comentar aqui:

1) Saída de Ross Brawn da Mercedes:
Absolutamente esperada. Depois da ida de Toto Wolf para a equipe da estrela de três pontas, Brawn perdeu o resto do poder que tinha, já que Niki Lauda já dava as cartas por lá, como consultor. E Ross Brawn gosta de mandar muito. Na minha opinião, perde a Mercedes. Mesmo sendo um camarada meio autoritário, Brawn é competente, sabe das coisas e conhece a Fórmula 1 como poucos. Esse Toto Wolf chegou outro dia, e Niki Lauda nunca foi exatamente um mestre no assunto, fora do cockpit, claro. E tem no currículo uma participação horrorosa na Jaguar.

Ross Brawn fez parte de vários times vencedores como Benetton, Ferrari e a Brawn, que em um ano estreou, ganhou o campeonato e acabou. Abrir mão de um funcionário desses, privilegiando outros dois, me parece trocar o certo pelo duvidoso.

Agora é esperar para ver onde Ross Brawn vai mandar. Especula-se Ferrari (não acredito), Williams (mais provável) e até na FIA, a convite do amigo Jean Todt. Se for para a Williams, o negócio começa a ficar bom para Felipe Massa. Regulamento novo, sabe como é. Em 2009 a história foi a mesma.

2) Pastor Maldonado na Lotus: 

Outra história já esperada. A Lotus tem uma estrutura interessante, mas se embananou com a falta de grana.

Kimi Raikkonen trouxe resultados, mas custou muito dinheiro e agora a conta não está fechando. Maldonado vem com um cheque gordo no bolso, mas é um piloto menos qualificado e que pode trazer prejuízos, já que adora bater um carrinho por aí. Além disso, quando Valteri Bottas começou a andar mais rápido na Williams, botou as manguinhas de fora e começou a reclamar, o que não é bom para ambiente nenhum. E, com o que Romain Grosjean mostrou no final do ano, é quase certo que o venezuelano vai apanhar do francês.


A princípio, a Lotus parece ser carta fora do baralho para 2014. 

terça-feira, 26 de novembro de 2013

O significado das homenagens

Massa é aplaudido na saída dos boxes em Interlagos: devoção da
Ferrari ao brasileiro não está ligada à resultados

Desde que teve anunciada a não renovação de seu contrato, Felipe Massa não para de receber homenagens da equipe Ferrari. No Brasil então, sua última corrida, tudo pareceu um exagero. Afinal de contas, se gostam tanto dele, porque não deram uma nova canetada no contrato?

A resposta para essa pergunta é uma triste constatação de que Felipe pode ser um cara bacana, leal e companheiro mas, infelizmente não traz bons resultados. A devoção dos mecânicos e dirigentes à sua figura está muito mais ligada àquilo que Massa ofereceu fora da pista. Dentro dela, foram 11 vitórias ao todo, uma a mais que Fernando Alonso, que correu metade do tempo na equipe italiana. Houve a disputa de título em 2008. Mas o grande problema foi a partir da chegada do espanhol na Ferrari, quando o desempenho de Felipe Massa caiu vertiginosamente, culminando com a não renovação do contrato.

Então, cabe a pergunta: sendo Felipe mais um cara legal do que exatamente um ótimo piloto, teria feito a Williams um bom negócio? O time inglês está investindo pesado, contratou Pat Symonds e Rob Smedley, terá motor Mercedes e quer aproveitar ao máximo o novo regulamento em 2014.

Mas em termos de pilotos... não sei. Claro que Felipe traz a experiência de anos de Ferrari (já disse ter andado no carro do próximo ano no simulador) mas, a princípio, parece não ser a melhor aposta para liderar um projeto de ressurgimento de uma ex-campeã.


Em 2012 errei ao palpitar sobre a contratação de Kimi Raikkonen para a Lotus. Tomara que eu erre de novo. 

domingo, 24 de novembro de 2013

Vettel vence no fim de feira da Fórmula 1

Acabou a temporada 2013 da Fórmula 1. Um campeonato que vai deixar poucas saudades. É claro, se o campeão vence 13 das 19 corridas, não há como ter mesmo uma competição. Principalmente após a segunda metade da temporada quando somente a RedBull parecia mesmo ter um carro. As outras equipes passaram todas a pensar em 2014 e agora é conferir se isso surtiu algum efeito.

Assim mesmo, Interlagos foi, como sempre é, capaz oferecer um bom espetáculo. Corrida com muitas ultrapassagens, boas disputas, um clima de dúvida no ar em função da chuva que pode vir ou não.

O circuito brasileiro só não conseguiu frear o tetracampeão Vettel que igualou o recorde de vitórias numa mesma temporada, que pertencia à Michael Schumacher. O caminho até parecia que seria mais duro para o alemão quando Nico Rosberg largou melhor e tomou o a ponta. Mas isso durou uma volta. Fazendo uso do seu melhor equipamento, Sebasitian passou de passagem pela Mercedes do compatriota e foi embora. A RedBull ainda cometeu um erro em seu último pit-stop ao ficar em dúvida sobre qual jogo de pneus usar, mas nada que impedisse a vitória do alemão.

As duas despedidas mais significativas tiveram desfechos diferentes. Mark Webber, que deixa a Fórmula 1 para disputar o mundial de endurance, conseguiu um ótimo segundo lugar e comemorou dando a volta de desaceleração sem capacete. Enquanto Felipe Massa, que deixa a Ferrari para competir pela Williams fazia boa prova, estava em 4º lugar quando foi punido por passar com as quatro rodas numa área não permitida. A FIA e suas frescuras.

Fernando Alonso fechou em terceiro ainda dando trabalho à Webber. Sinceramente, torço para que a Ferrari acerte a mão no carro de 2014. O espanhol merece um equipamento que lhe permita brigar por títulos.


Agora resta aguardar os anúncios previstos para os próximos dias. Lotus, Sauber e Force Índia são os lugares cobiçados por Pérez, Hulkenberg e Maldonado, principalmente. E torcer para que 2014, com o novo regulamente, traga as disputas de volta, sem passeios de um piloto só. A torcida merece.  

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Pérez dança na McLaren: Button e Magnussen formam a dupla em 2014

Kevin Magnussen faz parte do
programa de desenvolvimento de
pilotos da McLaren

Finzinho de ano pra lá de agitado na Fórmula 1. Depois do anúncio de Massa, na Williams, agora foi a vez da McLaren definir sua dupla de pilotos para o ano que vem: Jenson Button e Kevin Magnussen, filho de Jan, aquele que andou de McLaren e Stewart na década de 90, sem sucesso em nenhuma delas. Sérgio Perez dançou.

Os indícios já vinham aparecendo há muito tempo. A começar pelo comportamento um tanto quanto agressivo do mexicano na pista, o que irritou Jenson Button. As más línguas dizem que Perez é um cara difícil e que seu santo não vinha batendo com a equipe de Woking. No Tooned, aquela série divertidíssima que a McLaren criou no Youtube, o personagem do mexicano ficou mudo nos últimos episódios. E, na última semana, ele andou criticando a equipe para quem quisesse ouvir. Hoje veio a confirmação de que está fora.

Interessante é que Perez chegou à McLaren com status de revelação, depois de 2 anos muito competitivos na Sauber (sem contar a grana que o acompanha, que vem da Claro). Mas pegou uma McLaren em plena decadência e talvez tenha tido pouca habilidade para lidar com isso. Nem acho que seus resultados foram tão desastrosos, mas está na cara que não foi só uma questão de resultados.


E agora? Com a grana que tem, o mexicano deve ter lugar na Sauber, na Force Índia e até na Lotus. Mas, e Maldonado? Parece que sua situação na equipe de Enstone já não é mais tão clara assim. Temos muito o que ler e ouvir até o início da próxima temporada... 

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Williams vai de Massa e Bottas em 2014

Felipe Massa vai mesmo correr pela Williams, a partir do ano que vem. Poderia ser uma notícia ruim, um piloto sair de um time de ponta como a Ferrari para andar na metade de trás do grid. Mas não é o caso. Depois de três temporadas lamentáveis, Felipe ganha uma nova chance na carreira, a de liderar um time que busca crescer novamente. A Williams é uma equipe estruturada, terá um bom motor (Mercedes) e um segundo piloto inexperiente e que ainda não mostrou nada (Valteri Bottas). Um bom cenário para o brasileiro de 32 anos dar à sua carreira um ato final honroso.

 Massa tem carisma o suficiente para trazer a equipe para junto de si, provou isso nos anos em que correu com Raikkonen. Com Fernando Alonso a história é diferente, principalmente porque o espanhol é mais piloto. No ano que vem o regulamento trará grandes mudanças, é sempre um cenário propício para o surgimento de surpresas inesperadas (alguém lembra da Brawn, em 2009?).

Mas é bom não criar muitas expectativas. A Williams é uma equipe digna, mas não faz parte das grandes há muito tempo. Teve um brilhareco no ano passado, com a vitória de Maldonado na Espanha, mas foi uma exceção.

Maldonado que, aliás, deverá levar a grana da PDVSA para a Lotus, o que também é bom negócio para ele. Só não sei se será bom para a equipe, que contará com uma dupla explosiva e desastrada, composta pelo venezuelano e por Romain Grosjean. É bom fazer um seguro dos carros pretos.


Voltando à Massa e à Williams, o Brasil ganha uma sobrevida na Fórmula 1. Há, ainda, a possibilidade de Felipe Nasr fechar como piloto de testes da equipe inglesa, o que também seria boa notícia. Vamos acompanhar as próximas notícias. 

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Especulações

A temporada de boatos da Fórmula 1 está bem quente, como era de se esperar desde o anúncio da saída de Felipe Massa da Ferrari. Na última semana, o jornalista Américo Teixeira Júnior cravou que o brasileiro assinou um contrato de cinco anos com a Williams, sem a necessidade de uma compensação financeira. No mesmo dia, descobrimos que Massa seguia Ferrari e Williams no seu perfil do Twitter e, ao ser descoberto, saiu seguindo outras equipes desvairadamente. Agora, o mesmo Américo crava que Maldonado fechou com a Lotus, levando a grana da PDVSA, na mesma semana em que Eric Boullier disse que não tem condições de bancar um piloto, praticamente descartando a até então certa contratação de Nico Hulkenberg.

Ainda sem nenhuma confirmação oficial, este parece ser um cenário provável, apenas com uma ressalva estranhíssima: de onde a Williams tiraria dinheiro para pagar salários à Felipe Massa, sem que o brasileiro contribua com nenhum centavo para os cofres da equipe? E ainda mais depois de perder dinheiro da PDVSA!

Há algum tempo, havia especulações de que a Petrobrás estudava uma volta à Fórmula 1 pela equipe de Frank Williams. Testes estariam adiantados e a petrolífera brasileira poderia ser anunciada a qualquer momento. Isso sim poderia explicar a ida de Felipe Massa para a Williams, já que seria bem interessante para a Petrobrás contar com um brasileiro defendendo seu combustível. E um brasileiro experiente, vice campeão do mundo e que passou 8 anos na Ferrari, melhor ainda.


De qualquer maneira, prefiro esperar para comentar quando os anúncios saírem. Aí fica mais fácil para pensar no cenário do Brasil na F1 em 2014. 

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

A FIA e sua maneira de enxergar o esporte



E a FIA puniu Vettel em 25 mil Euros pela quebra de protocolo na comemoração de seu quarto título mundial ontem, na Índia. Repito: Vettel foi punido por quebrar o protocolo ao comemorar sua quarta conquista seguida. Ou seja, o cara não sabe o que é ficar em segundo lugar num mundial desde 2010 e ainda tem que seguir “protocolos” para comemorar tal feito.

E o pior: até podíamos pensar que a tal quebra de protocolo teria sido algo assombroso, talvez Sebastian tivesse enchido a cara e quebrado todos os motorhomes do circo, ou tivesse jogado champagne no olho de Bernie Ecclestone, ou tivesse comido metade daquelas samambaias que aplaudem os pilotos quando eles se encaminham para o pódio. Mas não foi nada disso. O cara apenas deu zerinhos na reta principal, em frente à torcida e estacionou o carro ali mesmo, fora da área permitida.

Cada vez mais a FIA vem se tornando um pequeno retrato do mundo atual em que vivemos, no qual tudo é artificial e fabricado, não existem emoções e sim aparências que devem ser mantidas. Um modelo que a FIFA também adota no futebol, transformando o esporte mais popular do mundo numa competição insípida.
Ganhar um título mundial de Fórmula 1 é a conquista máxima de um piloto que começa no kart, passa por todas as categorias até atingir o auge da carreira. Ganhar 4 deles então, nem se fala.

E não tem nada mais bonito do que ver um esportista genuinamente feliz, comemorando sua conquista à sua maneira. E da maneira como Vettel fez, melhor ainda. De forma respeitosa, indo próximo ao público que, naquele momento, testemunhava sua epopeia.

Ao longo dos anos há um claro esforço da FIA em “limpar” o esporte, tornando-se mais rigorosa na fiscalização das corridas e sendo severa na padronização de procedimentos antes, durante e depois das provas. Isso traz vantagens, claro, a segurança é uma delas. Não se veem mais acidentes na Fórmula 1. Mas, por melhor que seja, é necessário que a FIA volte a enxergar a Fórmula 1 como corrida de automóveis, que é o que ela é, afinal de contas.


E uma corrida de automóveis é composta por ultrapassagens, batidas, quebras, caronas e, no fim de tudo, comemorações. Se não tivermos mais nada disso, o esporte perde a graça. Vale mais a pena irmos jogar videogame. 

domingo, 27 de outubro de 2013

Incontestável



Não acordei cedo para ver a conquista de Sebastian Vettel na Índia. O horário dessa corrida é péssimo, se você acorda às 07:30hs para assistir a uma corrida que vai acabar lá pelas 09:30hs acaba não conseguindo dormir mais. Além disso, o Sportv transmitiria a reprise na íntegra às 10hs, o que acabou se revelando tentador.

Mas o maior motivo de não ter acordado era porque já sabia o resultado. De uma maneira ou de outra Vettel conquistaria o merecidíssimo tetracampeonato, num campeonato particular que passou a disputar com ele mesmo após às férias da Fórmula 1. De lá pra cá, a partir do GP da Bélgica, só ele venceu, liderou quase todas as voltas e fez quase todas as poles. Um domínio absurdo do melhor piloto, a bordo do melhor carro.

E, no fim das contas, é isso que vale. Desde 2010 a Red Bull tem o melhor carro, um equipamento do qual Vettel tira o melhor. Uma combinação perfeita, regida por uma equipe incrível, com um ambiente de trabalho irretocável. Enquanto a Ferrari depende do braço de Fernando Alonso, a Lotus se debate com problemas financeiros, a Mercedes sofre com a incompetência de seus projetistas e a McLaren carece de comando desde a saída de Ron Dennis, a RedBull formou um time espetacular, um dos melhores da história da Fórmula 1.

A esperança, agora, é que as mudanças de regulamento igualem um pouco mais as coisas. Caso contrário, acredito que os recordes de Michael Schumacher irão durar bem menos do que imaginávamos.

E sobre Vettel, apenas assino embaixo do que escreveu FlávioGomes: a simplicidade leva às conquistas. E ponto final.  

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

A importância de ser relevante

Depois que teve sua não renovação de contrato confirmada pela Ferrari, após o GP da Itália, Felipe Massa entrou em (mais um) momento decisivo da carreira. Mais especificamente para ir atrás da vaga que sobrou na Lotus, o lugar mais cobiçado da Fórmula 1 atualmente. Basicamente, a equipe parece estar entre dois nomes: o brasileiro e Nico Hulkenberg, da Sauber.

O resultado, até aqui, é desastroso para Felipe Massa. Enquanto ele permanece com a estranha característica de começar a corrida muito bem e ir desanimando ao longo do GP, o alemão da Sauber vem se destacando com um carro inferior. Classificou-se em 3º lugar na Itália, chegou em 4º na Coréia e só não repetiu o resultado em Suzuka porque ficou sem pneus no final e foi superado por Alonso e Raikkonen. No mesmo Japão, Massa passou da velocidade permitida nos boxes , um erro infantil e, na Coréia, atropelou os adversários como uma vaca louca, na primeira volta.

Um piloto que sai de uma equipe como a Ferrari, tendo ficado lá por tantos anos, deveria ser cobiçado por outros times médios, nem que seja para levar segredos da sua antiga casa. Mas, para isso, é preciso ter um mínimo de resultados relevantes. A Lotus parece interessada em Felipe, se não fosse isso, já teria fechado com Hulkenberg há muito tempo. O alemão é mais barato, mais jovem e, principalmente, mais veloz. Se com uma Sauber, faz o que faz, é de se imaginar que possa até mesmo vencer corridas com um carro mais competitivo.


Felipe Massa está conseguindo jogar pela janela uma chance de ouro para prosseguir na Fórmula 1. Ele tem 4 corridas para mostrar à Lotus que, além de experiente, pode ser um piloto relevante para a equipe. Caso contrário, adeus Fórmula 1. 

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Ídolos do Blog: Nigel Mansell



Na década de 80, foi tirada uma fotografia que se tornou emblemática na Fórmula 1: sentados numa mureta, Nelson Piquet, Ayrton Senna, Alain Prost e Nigel Mansell, enfileirados, se abraçavam. Eram apresentados como os maiores nomes da categoria. De fato, entre 1985 e 1993, apenas esses 4 ganharam títulos na Fórmula 1.

Alguns críticos apontam Nigel Mansell como um intruso na foto. Aquele que destoava da turma. Os números também apontam isso: Prost ganhou 4 títulos, enquanto Senna e Piquet sagraram-se tricampeões. O Leão ganhou apenas um campeonato, a bordo de um carro capaz de disfarçar qualquer erro cometido pelo piloto, o Williams FW14B.

A questão é que ninguém divertiu mais os torcedores do que o veloz e atrapalhado Leão. Enquanto Senna e Prost eram competitivos ao extremo e Piquet atraia a antipatia de todos no circo com seu mal humor crônico, Mansell conquistava com seus jogos de cena, suas trapalhadas ilárias na pista e, principalmente, com sua pilotagem exuberante. Um piloto que não sabia esperar: se tivesse um adversário à frente não hesitava em ultrapassá-lo, nem que tivesse que colocar todas as rodas na grama para isso. Sem nunca deixar de lado a lealdade em todas as disputas.

Em 1991 Mansell disputava o título da Fórmula 1 com Senna e acabou cometendo um erro em Suzuka, perdendo a taça. Ao final da prova, foi até a área de box cumprimentar o brasileiro quando ele descia do carro, erguendo seu punho em frente à torcida japonesa. Uma imagem tocante após dois anos nos quais o campeonato foi decidido com manobras desleais, politicagens e brigas de bastidores entre Ayrton e Alain Prost.

Após ser campeão da Fórmula 1, Mansell foi dispensado por Frank Williams. Poderia ter ido para qualquer equipe do grid, mas topou o desafio de ir para a Indy, categoria que ganhava cada dia mais força. Lá encontrou gente do nível de Bobby Rahal, Al Unser Jr. e Emerson Fittipaldi. De cara, levou o título, numa temporada memorável em 93. No ano seguinte, dividido entre a Fórmula 1 e a Indy, sucumbiu ao domínio dos Penske Mercedes. Encerrou a sua carreira de forma melancólica, sem caber no carro da McLaren, em 95. Dos quatro da foto, foi o último a se retirar.


Mansell é um personagem que faz falta à Fórmula 1 de hoje. Ou talvez não. Do jeito que as coisas estão, talvez os comissários o obrigassem até a raspar o bigode para ficar com a cara de coxinha da turma atual. Seria uma pena. 

terça-feira, 24 de setembro de 2013

Rush inaugura uma nova fase dos filmes sobre esportes



Realismo. Essa é a palavra que melhor define Rush, filme que conta a história de Niki Lauda e James Hunt do começo da carreira dos dois na Fórmula 1, até o título do inglês em 76, passando pelo terrível acidente de Lauda em Nurburgring, naquele ano. A expectativa em torno do filme era muito grande e ele não decepciona.

Filmes que giram em torno de esportes, geralmente, retratam a modalidade escolhida de uma forma equivocada, exagerando nas imagens e nas situações. No automobilismo então, isso é ainda pior. Como vimos neste post, não me lembro de um filme que tenha tido a capacidade de mostrar as corridas sem apelar para acidentes improváveis, ultrapassagens impossíveis e disputas inverossímeis.

E ambientar a Fórmula 1 dos anos 70, com todo o seu charme e, principalmente, o perigo envolvido nas corridas é o grande mérito de Rush. O diretor Ron Howard fez um trabalho de pesquisa incrível, trazendo pilotos e suas características de forma perfeita. É evidente que há um ou outro deslize (Niki Lauda não começou na BRM, por exemplo, e sim na March) mas no computo geral, o que temos é uma recriação intensa e realista da categoria.

O acidente de Lauda em Nurburgring, é retratado da maneira como ocorreu, sem nenhuma pretensão de deixa-lo mais ou menos grave. Sobre as atuações, não me atrevo a analisar pois não sou crítico de cinema, mas os dois atores que fazem o papel dos pilotos trabalham muito bem.

Há algumas reclamações na Internet de pessoas questionando detalhes do filme. Quanto a isso, é bom lembrar que estamos falando de ficção, não de um documentário. A história de Lauda e Hunt é interessantíssima, mas precisa de elementos cinematográficos que a tornem palatáveis ao público (Ron Howard não quer só agradar fãs de Fórmula 1). Portanto é possível que passagens como Lauda dirigindo um carro em alta velocidade na Itália nunca tenham acontecido. Assim como o último pit-stop de Hunt no Japão, que foi demorado, mas não tanto quanto aparece no filme.
   

No fim das contas, Rush é um filmaço que pode e deve ser assistido não só por todos que gostam de automobilismo, mas por todos que adoram ver uma ótima história, contada de uma maneira emocionante. 

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Constatações necessárias



OK, Vettel venceu o GP de Cingapura enfiando uma trolha de mais de 30 segundos sobre Alonso. Uma atuação espetacular de um piloto que está só contando os GP’s para pegar logo o troféu de tetracampeão.  Não há mais o que comentar. Falemos aqui da dupla da Ferrari em 2014.

Alguém ainda duvida que os italianos acertaram em cheio ao contratarem Raikkonen para o ano que vem? Vejam bem o que fez a dupla da equipe para o ano que vem: Alonso saiu em 7º para chegar em 2º lugar, enquanto Raikkonen largou na 13ª posição para fechar o pódio, com direito a uma espetacular ultrapassagem sobre Jenson Button no finalzinho.

Enquanto isso, Felipe Massa chegou em 6º, sua posição original de largada. OK, é o que da para fazer. Mas a Ferrari quer mais e, desconfio, a Fórmula 1 também. Felipe  tem, agora, mais seis corridas para provar que pode ser um diferencial para a Lotus ou McLaren, equipes com as quais negocia. Serão performances decisivas.

Não há muito mais o que comentar sobre o GP de Cingapura, uma corrida que só aconteceu de verdade nas últimas 6 voltas, quando os pilotos que optaram por não trocar pneus ficaram para trás e foram sendo ultrapassados.

Infelizmente a temporada de 2013 não é nem de longe o que foi a de 2012. E as próximas provas não devem empolgar mesmo. As equipes já estão pensando em 2014 por causa das mudanças no regulamento. Acho que as notícias de bastidores serão bem mais interessantes do que o que vai ocorrer na pista. Sobretudo para nós, aqui no Brasil. 

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

De volta à velha casa



Menos de 24 horas depois de Felipe Massa anunciar sua saída da Ferrari, a equipe italiana anunciou que Kimi Raikkonen será seu substituto. O contrato é de dois anos a partir de 2014. E, depois de muitos anos, a Ferrari passa a ter uma dupla de pilotos fortes, quase no mesmo nível. A melhor dupla de pilotos do grid da Fórmula 1, certamente.

Isso é algo que pode ou não dar certo, mas não se deve criticar uma equipe por buscar aquilo que a categoria oferece de melhor. E foi o que fez a Ferrari. Depois de anos adotando uma política clara de primeiro e segundo pilotos, os italianos perceberam que isso só funciona bem quando se tem um carro espetacular, como foi na era Schumacher. Quando se luta contra um adversário forte como a RedBull, é preciso que os dois pilotos sejam capazes de somar muitos pontos. Infelizmente Felipe Massa não foi capaz disso, em nenhum momento.

Mas o que esse anúncio significa na prática? Primeiro, uma importante mudança na mentalidade de Maranello, pelos motivos citados acima. Segundo, uma retomada de poder da cúpula da equipe, que se cansou de ver Alonso dar as cartas. E é esse o motivo da cara de poucos amigos do espanhol nos últimos dias. E talvez seja isso que o levou a fazer elogios rasgados a Felipe Massa agora a pouco no Twitter.

Sobre Raikkonen,  seu desafio será o de se adaptar novamente a um ambiente hostil, com o qual ele não lida bem. Sua passagem anterior pela Ferrari teve mais baixos do que altos, apesar do título de 2007, justamente por causa da pressão italiana. A Lotus, ao trazê-lo de volta do Rali, blindou-o dessas questões e teve sucesso. Não é o que a Ferrari vai fazer. E Alonso, que é espertíssimo, já sabe onde cutucar o companheiro para desestabilizá-lo.


E agora começamos uma nova novela: quem fica com a vaga na Lotus. Eu acho que a equipe deveria dispensar Grosjean e montar uma equipe com Nico Hulkenberg (rápido e endinheirado) e Felipe Massa (experiente e mais barato do que Raikkonen). Mas qualquer coisa que for dita é chute e especulação. 

terça-feira, 10 de setembro de 2013

Chegou o dia...



Felipe Massa está fora da Ferrari em 2014. Foi ele mesmo quem anunciou, em sua conta no Twitter e no Instagram. Agradeceu a equipe e disse que busca um time de ponta que possa lhe dar um campeonato, sem especificar qual (equipe e campeonato). Uma despedida sóbria e respeitosa, como foi o tempo em que esteve por lá. Sem estripulias.

Esse é um anúncio esperado desde 2011. Mas só veio agora, porque há um óbvio respeito da Ferrari por ele. Desde 2010, quando seu desempenho veio caindo ladeira abaixo, foram pouquíssimas chamadas públicas da Ferrari, uma equipe que adora fritar pilotos, principalmente quando eles vão mal. Ao contrário: antes do GP da China de 2012, seu chassi foi trocado pela equipe, numa clara demonstração de que eles o estavam apoiando e queriam seu piloto andando na frente.

Algo que jamais aconteceu. Felipe Massa foi bem em 2008, mas todas as suas temporadas anteriores haviam sido medianas. Em 2009 sofreu o acidente da mola, na Hungria. A partir de 2010 passou a dividir os boxes com Fernando Alonso e aí a coisa degringolou de vez, principalmente após a ordem de box para dar a vitória ao companheiro no GP da Alemanha daquele ano.

No final do ano passado, ganhou sobrevida com alguns brilharecos. Este ano, parecia ter diminuído a diferença de tempo entre ele e Alonso, mas resultado que é bom, nada. Não vence uma prova desde o GP do Brasil de 2008.

Entre todas as equipes grandes da F1 (RedBull, Mercedes e, vá lá, McLaren), a Ferrari é a única que enfrenta uma diferença abissal de desempenho entre seus pilotos. Até mesmo na Lotus, Grosjean belisca alguma coisa de vez em quando. Na Ferrari, Massa conseguiu apenas um pódio em 2013 e vem sendo assim desde 2010. Não rouba pontos dos adversários de Alonso nem de vez em quando, como faz Webber na RedBull, por exemplo.

Sua dispensa é natural, portanto. E esse é o problema de Felipe a partir de agora. Quem iria apostar num piloto que não mostra nada há três anos? Quando Kimi for confirmado na Ferrari (alguém ainda duvida?), teremos uma vaga na Lotus. Se Hulkenberg for para lá, sobra um lugarzinho na Sauber. São duas vagas boas, mas em times que precisam de dinheiro.


A crise no automobilismo brasileiro, que começou quando Senna acertou o muro da Tamburello há quase 20 anos, começa a apresentar seus últimos capítulos.  

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Censura?

Flávio Gomes foi demitido da ESPN Brasil hoje à tarde. Sou fã de Flávio Gomes há anos, comprei seu livro, tenho seu blog nos meus favoritos. Salvei textos seus no meu computador para ler de vez em quando, uma fonte de inspiração para mim. Ele não sabe disso e nem me interessa que saiba. Vou continuar sendo seu fã e ele continuará sendo minha referência para escrever sobre qualquer coisa.

Mas também sigo @flaviogomes69 no Twitter. Morri de rir quando ele fingiu ter tido sua conta roubada por um hacker argentino na final da Libertadores do ano passado, para zombar dos Corintianos. Me divirto quando seus seguidores lhe perguntam sobre Fórmula 1 ele finge não saber do que eles estão falando, apenas para ser xingado pelos mesmos seguidores curiosos. Mas odeio quando alguém discorda dele e recebe como resposta um "vai tomar no cú".

E odiei quando, no sábado, ele atacou ferozmente a torcida do Grêmio por estar aborrecido com a derrota da sua Portuguesa para o time gaúcho, com um gol esquisitíssimo de Kleber. Não gostei de vê-lo chamando gremistas de "bichinhas" e respondendo a um comentário de um torcedor com "enfia o canudo do chimarrão no rabo".

Flávio Gomes é jornalista esportivo da ESPN Brasil. Comenta futebol lá. Representa o canal, portanto. Claro, seu twitter é pessoal, mas suas opiniões esportivas, querendo ou não, representam a linha editorial do canal para o qual trabalha.

A ESPN não o censurou ao demití-lo, como estão dizendo. Censura seria impedí-lo de dizer o que quer. E Flávio Gomes pode dizer o que quer pelo perfil @flaviogomes69. Só que a ESPN tem todo o direito de não querer em seus quadros um jornalista esportivo que manda uma torcida de futebol "tomar no cú", ou os chama de "bichinhas" apenas porque seu time perdeu de uma forma estranha.


O jornalismo precisa se reencontrar e Flávio Gomes é um grande jornalista. Mas existe uma coisa que se chama credibilidade. Se ele comenta futebol, não pode agir da maneira como agiu no sábado. Sinto muito, isso não é censura. É bom senso. Que tem que existir em quem lê e em quem escreve. 

A coisa vai clareando

Depois de meses de muita especulação,  o paddock do GP da Itália parece, finalmente, ter ajudado a clarear a situação da troca de equipes para 2014. Juntando as informações de três importantes veículos da imprensa alemã, mais as declarações de Eddie Jordan no último GP da Bélgica, não precisamos mais ter dúvidas: Kimi Raikkonen voltará à Ferrari no ano que vem, no lugar de Felipe Massa.

Aí, começamos a juntar as peças do quebra cabeças. Primeiro a clara insatisfação de Alonso nas últimas semanas. É óbvio que ele não está gostando disso. É muito ruim, ainda mais para um piloto como ele, ter que lidar com uma decisão com a qual não concorda, quando se acostumou a dar as cartas desde que chegou. O bicampeão nunca quis um piloto forte por perto e Kimi representa uma ameaça inédita na sua carreira.

E foi esse o recado que deve ter recebido de Montezemolo após o GP da Hungria: algo na linha do “fica quietinho, porque aqui quem manda sou eu”. Isso explica suas críticas abertas ao time, a busca por um lugar na Red Bull e os elogios explícitos à Felipe Massa após o treino de sábado, em Monza. Fernando quer que Felipe continue.

Na verdade, a Ferrari também gostaria que Massa continuasse por lá. Eles gostam dele, aliás, se não gostassem, não teriam renovado seu contrato para 2012 e depois para 2013.  Gostam porque Felipe demonstra amor pela equipe também, uma situação parecida com Jean Alesi. Um amor que não traz resultado algum. Se trouxesse, seria o casamento perfeito, como foi com Schumacher.

Agora é começar a pensar o que vai ser do brasileiro. Aposto na Sauber. A Ferrari deve querer ver o piloto que a defendeu durante tantos anos numa equipe com a qual tem parceria técnica. Seria a chance para Peter Sauber conseguir um pacote mais atrativo e, de quebra, contaria com um piloto experiente para acompanhar o estreante russo  Sergei Sirotkin. Uma chance para Felipe liderar uma equipe, brigar de igual para igual, ser o piloto de ponta que foi em 2008.

Na Ferrari a situação só será interessante se o Kimi que correr lá, for o Kimi da McLaren e da Lotus, ou o mesmo de 2007. Se for aquele de 2008 e 2009, Alonso não terá dificuldades de dominá-lo. Mas legal mesmo será acompanhar a reação do espanhol ao ver seu companheiro ligando o foda-se para a ordem “Kimi, Fernando is faster than you”.

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

5+: Ultrapassagens

Todo blog de automobilismo que se preze precisa ter uma lista de ultrapassagens favoritas do blogueiro. Acabei me dando conta de que não tinha uma e, ao fazê-la, descobri porque: é uma tarefa dificílima.
Eu poderia colocar uma lista interminável de vídeos, mas isso seria inviável. Portanto, escolhi 5 que fui lembrando, mas várias outras certamente ficaram para trás.

E aí, discordam, concordam ou acrescentam?

Schumacher x Hakkinen (Bélgica/2000)


Tem quem diga que esta talvez tenha sido a maior ultrapassagens de todos os tempos. Pode ser verdade mesmo. A manobra de Mika Hakkinen para cima de Michael Schumacher reuniu técnica, habilidade, reflexo e muita coragem. Não é qualquer um que se mete pela direita desse jeito ao ver um retardatário tão mais lento à sua frente. Tem muita gente que ia enfiar o pé no freio.

Montoya x Schumacher (Brasil / 2001)

Falei de Montoya semana passada e citei o quanto me recordava dessa ultrapassagem. Taí o vídeo. Uma manobra incrível do colombiano, que veio lá de trás e jogou o então tricampeão Michael Schumacher na grama, sem dó nem piedade, para delírio dos torcedores.

Senna x Hill (Brasil / 1993)

Senna e Hill na pista úmida, em Interlagos. Alguma dúvida do que iria ocorrer? Ayrton engoliu o inglês, a Williams, a suspensão ativa, o controle de tração e todo o resto do aparato eletrônico que lhe estava massacrando desde o início de 92 e rumou para a vitória em casa. Uma vitória, aliás, tão incrível quanto a de 91, quando chegou com apenas uma marcha na Mclaren.

Piquet x Senna (Hungria / 1986)

Esta manobra é responsável por milhares de discussões entre os fãs de Senna e Piquet sobre qual dos dois é melhor. Bobagem. Nelson já era bi campeão e Senna estava em seu 3º ano na Fórmula 1. O que vale é ver que, nessa época, não tinha estratégia de equipe nem medo de bater o carro e ficar fora da prova. Se o de trás estava mais rápido, passava de qualquer jeito.

Zanardi x Herta (Laguna Seca / 1993 - Fórmula Indy)


A maior e mais incrível manobra de ultrapassagem já vista no automobilismo não pode ficar fora de lista nenhuma. Alessandro Zanardi mandou às favas qualquer tipo de cerimônia e, na última volta, jogou seu Reynard por dentro, numa das curvas mais difíceis do mundo (o Saca Rolha, em Laguna Seca) para vencer a corrida. Azar de Bryan Herta. Sorte dos fãs do bom automobilismo. Uma manobra corajosa e de pura raça e técnica que, hoje, sem dúvida, acarretaria em punição para o piloto, que usou a área de escape para completa-la. 

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Apenas um comentário



Aí está o vídeo da batida entre Scott Dixon e Will Power na Fórmula Indy ontem, em Baltimore. Hélio Castroneves, de novo, fez uma corrida medrosa e chegou em 9º. Power é seu companheiro e Dixon seu principal adversário.

Apenas um comentário sobre a batida: já fiz isso no videogame, quando não queria ser ultrapassado.



quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Ídolos do Blog: Juan Pablo Montoya



Estive em Interlagos pela primeira vez, em 2001. Já tinha ensaiado uma ida diversas vezes, mas só consegui viabilizar a viagem neste ano. O cenário era de expectativa pela vitória de Rubens Barrichello, apesar de todos saberem que era Michael Schumacher o favorito disparado.

Mas foi na segunda volta, após a relargada que houve em virtude de um acidente causado pelo próprio Rubinho, que a coisa esquentou. Lá do final da reta oposta avistamos a Williams se enfiando por dentro na entrada da curva, e jogando o odiado Schumacher para a terra na segunda perna. Quando passou na nossa frente, identificamos a figura: era Juan Pablo Montoya, que vinha da Fórmula Indy e tivera desempenho discreto nas duas primeiras provas do ano.

A Williams não andava na ponta havia algum tempo, e era inacreditável o que o colombiano fazia em Interlagos. Até que começou a chover, na metade da prova, e o retardatário Jos Verstappen não conseguiu frear sua Arrows na entrada da curva do lago e acertou o piloto da Williams, tirando Montoya da corrida. Quando ele desceu do carro, foi ovacionado por todos da arquibancada da reta oposta, que gritava seu nome e pulava, como se estivesse num estádio de futebol. Nunca vou esquecer dos gritos de “Montoya, Montoya, Montoya”, e a arquibancada balançando.

Depois disso, o colombiano teve uma carreira irregular, mas sempre foi uma atração a parte na Fórmula 1, pelo seu estilo arrojado e de pouca cautela. Teve chance de vencer o campeonato de 2003, venceu algumas corridas, tentou a sorte na McLaren, mas não suportou a fleuma da equipe de Ron Dennis e decidiu se mandar para a Nascar na metade de 2006, pegando todo mundo de surpresa.

Montoya sumiu no mundo do automobilismo, venceu algumas provas em circuito misto e, em 2014, não deverá estar mais na Nascar. Já há convites da Andretti para que ele volte à Fórmula Indy, o que seria uma ótima notícia.


Um piloto como Montoya não pode ficar fora das categorias de monoposto. Na Nascar, é todo mundo louco como ele, mas nas fórmulas falta um pouco de ousadia na turma. Alguém como Juan Pablo Montoya só pode fazer bem. Que volte! 

terça-feira, 27 de agosto de 2013

A desonestidade que explica

Felipe Massa, na Bélgica: explicações ignoradas pela Globo

Não há muito espaço para se ter dúvidas a respeito da desonestidade com que a Globo trata o público brasileiro quando o assunto é o desempenho de qualquer atleta brasileiro. Mas quando escancaram isso, chega a ser ofensivo. Aconteceu neste domingo, no GP da Bélgica.

Depois de fazer uma largada ruim, Felipe Massa chamou a equipe no rádio e reclamou que o volante de seu carro não mostrava informação alguma e que o  Kers não funcionava. Foi o bastante para a equipe que transmitia a prova, composta por dois ex-pilotos, concluísse que este era o problema de Massa durante toda a corrida e que justificava seu desempenho discreto.

Nas voltas finais, com a câmera on-board, era possível ver que o painel funcionava normalmente. Rubens Barrichello explicou o porque da sua impressão de que o Kers não funcionava por causa das luzes no painel. Mas ignorou o fato de que elas pareciam indicar uma operação normal do equipamento.

Mas a coisa começou a escancarar no final. Entrevistado, Massa negou o problema, dizendo que o enfrentou nas primeiras voltas, mas que o carro funcionou normalmente nas voltas seguintes. Na transmissão, silêncio. (Cabe aqui um reconhecimento: Massa nunca foi de fugir das suas responsabilidades, ao contrário do novo comentarista da Globo).

Aí veio o Fantástico, à noite, com a cobertura da prova. E a entrevista do brasileiro foi descaradamente alterada, fazendo parecer que ele admitia que o problema com o Kers acabou com suas chances na prova. Evidentemente que este vídeo não está no Youtube mas, basicamente, os editores incluíram somente a fala inicial de Massa, falando do problema com o Kers, no contexto do mau desempenho. E retiraram toda a parte na qual ele admite que não foi bem na corrida.

Aliás, eu dei uma pesquisada rápida e estes vídeos não estão nem no G1, o portal de notícias da emissora. Talvez isso explique um pouco da falta de interesse cada vez maior das pessoas em relação à Fórmula 1. É que ninguém gosta de ser tratado como otário.

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

A força da Penske

Scott Dixon acelera em Sonoma: vai precisar de mais do que velocidade

Pelo que vimos ontem em Sonoma, não é só a sorte que levará Hélio Castroneves a vencer o campeonato da Fórmula Indy em 2013. Fazendo uma prova absolutamente burocrática e até mesmo medrosa na sinuosa pista da Califórnia, o brasileiro viu seu principal adversário, Scott Dixon, da Ganassi, liderar a maior parte do tempo, até o momento do último pit stop.

Aí aconteceu o lance que, infelizmente, pode definir o campeonato em favor de Helinho. Dixon parou para trocar pneus atrás do vizinho de box, Will Power, que é companheiro de equipe do brasileiro. Power estacionou seu carro um pouco mais atrás do que o habitual, uma manobra comum na Indy, que os pilotos fazem quando querem atrapalhar o adversário.

Ao fim da parada, um mecânico da Penske invadiu a área de box da Chip Ganassi e acabou sendo atropelado por Dixon. É óbvio que o mecânico não queria ser atropelado, mas utilizou o espaço para atrapalhar o neo zelandês e acabou sofrendo a consequência do seu ato. O piloto da Ganassi foi punido, caiu para último e viu a diferença na tabela subir para 38 pontos, depois de andar na frente durante a maior parte do tempo.

A Indy não é uma categoria que prima por critérios. Ontem, tivemos acidentes semelhantes que geraram bandeiras amarelas ao sabor da vontade da direção de prova. Num cenário desses, estar numa equipe como a Penske ajuda muito, já que a força de política do velho Roger Penske faz toda a diferença.

Ainda assim, é preciso dizer que Helinho precisará fazer um pouco mais para ganhar o campeonato. Ontem, o piloto brasileiro correu o tempo todo como se estivesse com medo de bater, não arriscou nada, sequer despenteou seus bem cuidados cabelos. É bom abrir o olho, pois não se ganha um campeonato apenas com sorte.

domingo, 25 de agosto de 2013

Entreguem a taça

Depois da vitória de Hamilton na Hungria, parecia que a Mercedes iria se estabelecer como principal rival da Red Bull e de Sebastian Vettel na luta pelo tetracampeonato do alemão. Depois da pole do inglês no sábado, em Spa Francorchamps, essa impressão se fortaleceu ainda mais. Mas isso durou até o final do contorno da Eau Rouge, quando Vettel passou por cima do adversário e não viu mais ninguém na sua frente. Outro passeio dominical.

E Hamilton sequer foi o segundo colocado, perdeu essa honra para Fernando Alonso que conseguiu o milagre de por a problemática Ferrari no pódio e assumiu a vice liderança do campeonato novamente. Tem 46 pontos a menos. Duas vitórias de Alonso e dois abandonos de Vettel colocariam o espanhol na liderança de novo, mas isso não vai acontecer. E, por isso, está explicada a cara de poucos amigos do bicampeão após a prova, mesmo tendo sido o melhor piloto da pista hoje, saindo do 9º para o 2º lugar.

Esperava-se mais do GP da Bélgica, é verdade, mas todo mundo sabia que a corrida só seria muito disputada se a chuva viesse. Como não veio, acompanhamos brigas que ocorreram no pelotão intermediário. Destaque para a ultrapassagem de Sutil sobre Hulkenberg, na Eau Rouge e a de Massa sobre Grosjean, no final da reta oposta.

Ainda tivemos Maldonado aprontando todas e tirando Paul di Resta da corrida e Kimi Raikkonen abandonando uma prova, depois de sei lá quantas corridas disputadas e marcando pontos. O último abandono do finlandês por problemas mecânicos tinha sido em 2009, na Ferrari!

Aliás, Alonso e Raikkonen, que estão no centro do furacão dos boatos para 2014, devem ter reunido mais motivos para trocarem de equipe. O espanhol por ver que o domínio da RedBull deverá continuar por muito tempo. E o finlandês por ver que, na Lotus, vai vencer uma ou outra corrida e olhe lá.

A taça de 2013 já tem dono. Aliás, ela vai fazer companhia aos últimos três troféus do mundial de Fórmula 1.

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

As 5 +: Automobilismo no Cinema

Em setembro Rush estreia no Brasil. O filme do diretor Ron Howard vai contar a história da rivalidade entre James Hunt e Nick Lauda, dois campeões da Fórmula 1. Na Internet já estão rolando vários trailers e fotos do filme e, até agora, tudo parece espetacular.

Filmes que trazem automobilismo como tema não são comuns e essa é uma carência grande dos fãs. Nesta semana, fiz um compilado de alguns filmes que vi e que utilizam o tema para contar suas histórias.

Cabem algumas observações:
_ Não vi Grand Prix, que dizem ser o clássico definitivo deste tema na telona. Por isso não está na lista.
_ Não sou crítico de cinema, apenas gosto do assunto. As análises estão muito mais ligadas ao automobilismo do que ao filme em si.

E vamos à lista:

Carros

Personagens divertidos, animação caprichada e uma boa história para contar. Carros segue a risca a cartilha da Pixar de filmes em desenho animado e não decepciona. O filme conta a história de Relâmpago McQueen, um carro de Nascar que acaba perdido e preso numa cidade às margens da Rota 66, uma semana antes da decisão do campeonato da categoria. Para sair de lá ele precisa superar sua arrogância e aprender várias lições com os moradores locais.

Não é um enredo genial, é verdade, mas Carros traça um retrato descontraído e bastante fidedigno do automobilismo norte-americano. Do clima interiorano e amistoso que permeia o ambiente das corridas, passando pela reverência do povo aos ídolos do passado e recheando tudo com situações corriqueiras e atuais, como os micos que os pilotos precisam pagar para promover as marcas que os patrocinam.

No processo o filme traz muitas curiosidades, como a homenagem explícita à lenda da Nascar, o piloto Richard Petty, ou a participação especial de Michael Schumacher, que dubla uma Ferrari no final do filme.
Infelizmente, Carros ganhou uma continuação anos depois, mas ela nem se compara ao original.




Alta Velocidade

Silvester Stallone queria muito fazer um filme sobre automobilismo. Andou perambulando pelos bastidores da Fórmula 1 na década de 90, mas percebeu que aquele ambiente fechado não permitiria que ele rodasse suas cenas. Partiu então para a Cart.

Infelizmente ele deveria ter ido para casa, já que Alta Velocidade é uma das piores porcarias já produzidas na história do cinema. No filme, Stallone é Joe Tanto, um campeão aposentado que é convidado por seu ex-chefe, interpretado por Burt Reynolds, para ajudar o jovem e talentoso Jimmy Bly a vencer o campeonato. Uma clara inspiração no campeonato da F1 de 94, quando Nigel Mansell foi chamado pela Williams para ajudar Damon Hill no final da disputa.

Até poderia ser uma boa história se o roteiro não fosse povoado por personagens patéticos e acidentes absurdos, que desafiam todas as leis da física. Há, ainda, um triângulo amoroso ridículo envolvendo dois pilotos e uma loira que a cada hora namora um e uma trama totalmente inverossímil sobre o empresário de Bly, vivido por Robert Sean Leonard, o Dr. Wilson, da série House.

Se você estiver à toa e quiser dar uma espiada neste lixo, atente-se especialmente à cena na qual dois pilotos saem pelas ruas acelerando um carro de Fórmula Indy, ou à patética tomada final, da decisão do campeonato. Nem mesmo as cenas filmadas em corridas reais salvam, já que são rápidas e cheias de cortes, sendo substituídas pelas réplicas mal feitas dos carros da categoria.




Dias de Trovão

Dias de Trovão é o típico filme americano que conta a história de um herói que, talentoso e arrogante, precisa superar vários desafios para conseguir vencer os adversários, dar a volta por cima e, claro, beijar a linda loira no fim.

Neste filme, Tom Cruise é Cole Trickle, um jovem piloto que chega à Nascar achando que vai vencer todas as corridas e acaba tropeçando nos próprios erros. E é uma pena que este seja o fio condutor da história, pois Dias de Trovão também oferece uma visão interessantíssima sobre os bastidores da categoria americana, mostrando como funcionam as negociações entre equipes e patrocinadores, e a maneira como essas negociatas chegam aos pilotos em forma de pressão. Destaque para a belíssima cena na qual o personagem de Robert Duvall constrói o carro que será usado por Trickle.

Com várias cenas filmadas em corridas de verdade, Dias de Trovão acaba sendo um passatempo interessante, embora tivesse potencial para ser muito mais que isso. Mas vale a conferida.




Se meu Fusca Falasse
Acho que não existe nenhuma pessoa que não tenha se emocionado com a história do simpático fusquinha Herbie que, descoberto numa revenda de carros usados, acaba construindo uma linda história de amizade com seu dono.

Lançado na década de 60, “Se meu Fusca Falasse” faz uma homenagem às populares corridas de carreteiras da época, com muito bom humor e descontração. O carro acabou se tornando maior que o filme e que todos os seus personagens. Ganhou continuações como “O Fusca enamorado” que passou algumas vezes na Sessão da Tarde e também uma versão moderninha com Lindsay Lohan de protagonista. Não vi nenhuma das duas, então não sei se são tão boas.

O fato é que até hoje, em encontros de carros antigos, é possível ver fusquinhas pintados com o lendário #53, que Herbie usava nas corridas que disputava pelas estradas norte americanas.




Senna

Lançado em 2010, o documentário “Senna” é uma verdadeira pérola para os amantes do automobilismo. Acompanhando a trajetória de Ayrton Senna desde o Kart, o documentário, produzido pelo inglês Asif Kapadia mostra detalhes da carreira do brasileiro sem transformá-lo numa espécie de Jesus Cristo na Terra, como estamos acostumados a ver na Rede Globo.

Recheado de imagens interessantíssimas dos bastidores, o documentário mostra como a rivalidade entre Senna e Prost se deu dentro e fora da pista, com o francês tentando desestabilizar o brasileiro. Também é interessante acompanhar a forma como se davam as reuniões entre pilotos antes das provas e a maneira como Senna reagia às determinações com as quais não concordava, frequentemente esbravejando e deixando a sala antes do fim do encontro.

Mas, além da politicagem, o filme também mostra o talento incomparável de Senna na pista e o clima de tensão que cercou o fim de semana do GP de San Marino, que acabaria resultando na morte do brasileiro e de Roland Ratzenberger.

De quebra, é possível ver cenas raríssimas, como aquela do acidente de Ratzenberger feita a partir da câmera de um espectador que eu, pelo menos, nunca tinha visto. “Senna” é um documentário para ver e guardar para mostrar para os filhos.








segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Viagem no tempo




A Codemasters confirmou para setembro o lançamento oficial de F1 2013, o game oficial da Fórmula 1. Além das já tradicionais melhorias que são feitas a cada ano, uma novidade já está movimentando os fãs da série: a Codemasters incluiu alguns carros históricos, uma reinvindicação dos fãs desde o primeiro jogo, lançado em 2010.

Não sou especialista em games, mas sou um jogador semi-viciado, se é que isso existe. Sou do tempo da série GP, para mim o melhor e mais flexível game de corridas que já existiu. Em relação à série da Codemasters, joguei todos os títulos lançados e a evolução é notável em todos os sentidos. Eu sinto falta de um pouco mais de inteligência dos adversários na pista, mas a versão 2012 do game já apresenta um ganho enorme nesta parte também.

Voltando ao F1 2013 estarão disponíveis para a pilotagem modelos da Williams, Ferrari e Lotus, e pilotos como Schumacher, Hill, Emerson, Hakkinen e outros. Pelo que entendi não será possível disputar corridas e sim testar os carros em pistas como Jerez, Silverstone e Monza. Já tem gente chiando à beça porque os pilotos não correspondem aos carros disponíveis e com isso temos Hakkinen a bordo da Lotus de 88, por exemplo.

Na minha opinião, uma bobagem. No youtube já estão rolando vídeos de testes destes carros e pouca diferença faz qual é o piloto. O legal é ter a sensação de pilotar um carro destes. Neste ponto a Codemasters é craque, já que a jogabilidade da série é perfeita desde o primeiro título. Eu acharia mais interessantes se a Codemasters disponibilizasse uma temporada inteira de um ano específico, para correr com todos os carros, ao invés de modelos aleatórios para teste. Mas entendo que a coisa acontece aos poucos, ainda mais com os problemas de direitos autorais que existem nestes casos (Ayrton Senna, por exemplo, não está no game porque a família dele não autorizou).


Bem, mas enquanto o game não chega, o negócio é ir se deliciando com os vídeos, como este abaixo: 




quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Ídolos do blog: Emerson Fittipaldi



O Brasil tem uma mania estranha de só reverenciar seus ídolos quando eles morrem. No automobilismo, isso é bem claro. Aqui, Senna é tratado como Deus, uma figura divina à qual todos devem orar todos os dias por obrigação. Mas sinto muito Sennistas: Ayrton não é o principal piloto brasileiro, e nem Nelson Piquet. Independente de talento, títulos ou vitórias, o maior e mais importante representante  do Brasil no automobilismo é Emerson Fittipaldi.

Mas por que isso? Simples. Porque se Senna e Piquet (e todos os outros brasileiros) chegaram à Fórmula 1 pelo caminho que chegaram, devem isso ao grande Rato. Foi Emerson que, em 1970, após vencer corridas na Fórmula 3 Inglesa sem poder bater o carro, por não ter dinheiro para comprar outro, chegou à F1 pelas mãos de Colin Chapmam, da Lotus. E já neste ano de estréia, venceu sua primeira corrida, em Watkins Glen, nos EUA.

Os títulos vieram em 1972 e 1974 e, a partir de 1975 mais uma realização espetacular: a fundação da Copersucar, primeira e única equipe brasileira a competir na Fórmula 1. Infelizmente os resultados não vieram e a melhor colocação foi um segundo lugar no GP do Brasil, em 1978.

Emerson então se retirou da F1 em 1980 e foi competir na Indy 5 anos mais tarde, novamente abrindo caminho para os brasileiros em uma nova categoria. Ganhou duas vezes as 500 milhas de Indianápolis e foi campeão em 1989. E, em 96, trouxe a Indy para o Brasil, num dos momentos mais marcantes do automobilismo brasileiro.

Bem, mas se o Brasil não o homenageia como deveria, os gringos podem fazer isso por nós. A Lotus o convidou para dar umas voltas num carro de Fórmula 1 atual. Veja a reportagem abaixo o respeito (dele e da equipe) e a emoção do cara no final. A emoção de uma pessoa que amou o esporte que competiu intensamente, fez dele o seu ganha pão e ajudou a difundí-lo num país que só se importa com esporte quando algum brasileiro está ganhando.

Obrigado Emerson.







sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Dica pro fim de semana (2)


Quem me acompanha aqui no blog, sabe que gosto bastante da Fórmula Indy. Mas gosto mesmo da Fórmula Indy da década de 90, pra mim uma das melhores épocas do automobilismo em toda a sua história.

E, quem gosta de Fórmula Indy, não pode deixar de acessar a página “Blog da Indy”, no Facebook. O Jackson, que é o autor, sabe tudo da categoria, conhece os pilotos, sabe detalhes da história. E posta fotos raríssimas e vídeos espetaculares atuais e do passado.

Aliás, o Jackson é o responsável pela retomada do meu gosto pela categoria, já que ele tem milhares de provas de Fórmula Indy gravadas em ótima qualidade. Comprei os DVD’s das temporadas 93, 94, 95, 96 e 97 e assisto pelo menos uma corrida a cada fim de semana. O preço é bom, podem entrar em contato com ele!

Não deixem de curtir!

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

As 5 +: crises na Ferrari

Quando vai tudo bem, a Ferrari é uma ótima equipe. Mas bastou pintar um probleminha, ela se transforma numa máquina de fritar pilotos. Não é a toa que em sua melhor fase, entre os anos 2000 e 2006, a equipe tenha sido comandada por um alemão, um inglês e um francês. Quando os italianos põe a mão, a coisa complica. Veja alguns do que já sentiram na pele o problema:


Alain Prost
O tricampeão chegou à Ferrari em 90, após se cansar das brigas internas da McLaren. Era uma contratação bombástica. No primeiro ano, tudo certo, bons resultados, vitórias e um vice-campeonato.

No ano seguinte, a coisa degringolou. O carro era ruim, Prost não conseguia extrair o melhor desempenho da máquina e ainda via Jean Alesi conquistar a simpatia da torcida de Maranello. No final do ano, o francês desandou a falar mal do carro e isso é um pecado mortal na Ferrari. Ele foi demitido antes da última corrida do ano e só voltou à F1 em 93, para ser tetracampeão pela Williams.


Ivan Capelli
Para o lugar de Prost em 92, a Ferrari buscou Ivan Capelli, que estava na March e havia conseguido alguns resultados expressivos, mesmo tendo um carro ruim nas mãos. Seria o primeiro italiano a correr na Ferrari desde Michelle Alboreto, em 1988 (Gianni Morbidelli tinha substituído Alain Prost na Austrália/91, mas aquela corrida durou apenas 15 voltas).

Mas as esperanças acabaram logo nos primeiros minutos da temporada. O carro era uma porcaria, um dos piores que a Ferrari já fez e Capelli também não colaborou, envolvendo-se em acidentes esquisitíssimos e andando muito atrás de Jean Alesi, seu companheiro de equipe.

Após o GP da Bélgica daquele ano, com apenas 3 pontos anotados na temporada, Capelli foi sumariamente demitido. Em seu lugar, entrou o também italiano Nicola Larini. Ivan Capelli voltaria a correr em algumas provas pela Jordan no ano seguinte, mas sua carreira estava acabada.


Eddie Irvine
A partir de 1996, com um projeto voltado para que Michael Schumacher fosse campeão, a Ferrari parecia não se importar com os resultados pouco expressivos conseguidos pelo irlandês Irvine no carro nº2. Mas veio 1999, os italianos finalmente tinham uma máquina capaz de ganhar o campeonato e quando tudo parecia encaminhado, Schumacher se arrebentou na Inglaterra e ficou fora da disputa.

A responsabilidade de conduzir a equipe caiu sobre os ombros de Irvine o que, claro, não deu certo. O irlandês fanfarrão venceu 4 corridas naquele ano, mas nem com Mika Hakkinen fazendo todo o tipo de bobagens e nem com a falta de confiabilidade da McLaren de 1999, ele conseguiu o título. Acabou deixando a equipe no final do ano, para a entrada de Rubens Barrichello em 2000.


Rubens Barrichello
A relação do brasileiro com a equipe italiana sempre foi meio de gato e rato. Falastrão, foi proibido diversas vezes de falar com a imprensa. Teve que engolir várias situações constrangedoras como a famosa marmelada da Áustria, em 2002, quando entregou a vitória a Michael Schumacher.

Mas foi em 2005 que a maionese desandou de vez. A equipe tinha um carro ruim, que não se adaptava ao esdrúxulo regulamento daquele ano, que proibia trocas de pneus. Em meio à crise pela falta de vitórias, Rubinho viu Schumacher desrespeitar um acordo de cavalheiros eu existia entre ambos, quando o alemão o ultrapassou na última volta do GP de Mônaco. A relação entre os dois azedou e culminou com uma manobra perigosa do heptacampeão no GP dos EUA (aquele de 6 carros), quando Schumy jogou o carro para cima do brasileiro,  quase jogando fora uma dobradinha providencial para a equipe.

Rubinho deixou a equipe no final daquele ano e, desde então, sempre dá suas alfinetadas nos italianos.


Fernando Alonso
Ainda não é propriamente uma crise, mas Alonso começa a traçar um caminho semelhante ao de Alain Prost, o que pode ser perigoso. Sem paciência com a desorganização e a incapacidade da equipe em lhe entregar um carro capaz de vencer o campeonato, o espanhol andou falando mal da equipe para a imprensa.

Depois, seu empresário foi visto conversando com membros da Red Bull na Hungria e nenhuma das partes negou absolutamente nada. O piloto ganhou um puxão de orelhas público do presidente da escuderia, Luca di Montezemolo. Já vimos esse filme antes e o resultado não foi nada bom.

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

A caminho do primeiro título

Castroneves em Mid-Ohio: corrida espetacular pode ter garantido a taça

Hélio Castroneves é um paradoxo em forma de piloto. Sua principal característica é a regularidade, a capacidade de acumular pontos sem necessariamente vencer uma corrida, chegando ao título no final. Ótimo. Mas ele nunca foi campeão. Tirando um título brasileiro de kart, em 1989, o brasileiro passou pelas categorias de base sem ganhar nada. Na Indy, passou perto várias vezes, mas também não conseguiu ganhar nenhuma taça, embora sempre tenha corrido pela Penske, uma verdadeira lenda do automobilismo americano.

Mas parece que 2013 vai mudar essa escrita. Restando 5 provas para o final da temporada, Castroneves tem 31 pontos de vantagem. Não é muito para uma categoria como a Indy, é verdade, mas ainda assim é uma vantagem considerável em razão das circunstâncias.

Enquanto Scott Dixon e Ryan Hunter Reay, seus rivais mais diretos, se revezam entre vitórias e fracassos, Hélio está sempre ali, somando pontos que no final vão fazer diferença. Foi o que aconteceu ontem, em Mid Ohio. Hunter Reay, que largou na pole, chegou na quinta posição, quase uma volta atrás do vencedor, Charlie Kimball. Enquanto Dixon conseguiu apenas a 7ª posição. No meio deles, Helinho, que havia largado em 15º e fez uma extraordinária corrida de recuperação, andando no limite o tempo todo e segurando todos no final, quando teve de correr com pneus mais duros.

Sem cometer um único erro sequer, recuperou posições que havia jogado fora no treino e obteve um resultado espetacular.

Se a Penske não fizer nenhuma bobagem e o brasileiro mantiver esta tocada, poderá finalmente por no seu currículo algo além das três vitórias em Indianápolis. Está mais do que na hora.

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Dica pro fim de semana

McLaren de 1995: quem me acompanha, sabe que acho esse carro espetacular



Uma boa dica para o fim de semana: entre no Facebook, curta a página Fórmula 1 Miniaturas e viaje nas fotos que o administrador coloca, de réplicas dos mais variados carros de F1.

Eu, e acho que todo mundo que gosta de carros, sou um aficionado por essas pequenas maravilhas. Hoje minha coleção está pequena (tenho três F1 e quatro carros de passeio), mas já tive várias, além de também já ter montado algumas.

Maquete da batida de Schumacher,
em Silverstone
Nesta página, além de fotos das miniaturas, você ainda pode ver reprodução em maquete de cenas clássicas da categoria. Todas as imagens que eu vi mostravam um trabalho muito bem feito. E, como ainda é possível comprar alguns exemplares, já que tem algumas à venda, o duro é resistir a tentação de por a mão no bolso. Não deixe de entrar! 

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Caminhos opostos

Schumacher e Alonso em seus anos de estréia pela Ferrari: objetivos e resultados diferentes

Outro dia, escrevendo sobre essa história de Alonso na Red Bull, acabei citando muito de passagem a relação entre os primeiros anos do espanhol na Ferrari, comparando-o com Michael Schumacher no mesmo período. Aí fui dar uma olhada em alguns números e a coisa ficou mais interessante. Vejam só:
Schumacher tinha 27 anos quando sentou no carro da Ferrari em 1996. Alonso chegou à equipe italiana com 29 anos. Ambos bi-campeões, o primeiro pela Benetton o segundo pela Renault. A mesma equipe, basicamente.

Schumacher venceu 14 provas, conseguiu 2 vice campeonatos e um terceiro lugar. Um desses vices foi anulado, por causa da manobra suja que o alemão fez pra cima de Jacques Villeneuve em 97, tentando garantir o título.

Alonso venceu 8 vezes, foi vice em duas oportunidades e obteve um quarto lugar. Lembrando que quando Schumacher chegou à Ferrari, os vermelhos eram a quarta força do campeonato. Em 2010, a Ferrari era uma equipe forte. Com isso, começamos a ver algumas diferenças que podem apontar o caminho de Fernando Alonso para o ano que vem.

Schumacher tinha a missão de reerguer a Ferrari e levou para lá todo o seu staff campeão na Benetton: Ross Brawn e Rory Byrne foram com ele e se juntaram à Jean Todt, que tinha vindo do Rali, em 93. Nos três primeiros anos, eles prepararam a casa para buscar os títulos e o primeiro viria em 1999 se Schumacher não tivesse quebrado a perna num acidente em Silverstone.

Quando Alonso chegou à Ferrari, buscava uma equipe forte para ser campeão. Lá encontrou o staff atual, chefiado pelo confuso Stefano Domenicalli. E desde então espera o nascimento de um carro campeão. Depois de três anos, nada parece apontar para um caminho de evolução.

E é isso que deve ter levado Alonso a especular sobre um lugar na Red Bull. A equipe austríaca representaria para ele, aquilo que a Ferrari representou em 2010. A chance de se tornar campeão novamente.

quarta-feira, 31 de julho de 2013

Ídolos do Blog: Roberto Moreno

Roberto Moreno sofrendo com a Andrea Moda, em 1992

GP de Detroit, Fórmula Indy, 1996. Primeira temporada da Firestone na categoria, e a primeira corrida com chuva naquela temporada. Os pneus de chuva da montadora de Ohio não eram páreo para os da Goodyear, que estava na Fórmula Indy a muito mais tempo. Os carros com pneus Firestone eram quase 2 segundos mais lentos.

Roberto Pupo Moreno, que corria na Payton Coyne não teve dúvidas: pegou um canivete e começou a fazer mais sulcos em seus pneus, tentando aumentar a aderência do carro. Todos os pilotos copiaram e a diferença de tempos foi reduzida drasticamente.

O episódio é a cara de Moreno, o maior batalhador da história do automobilismo brasileiro. O cara que sempre transformou as poucas chances que teve em oportunidades de aprendizado para ele, para a equipe e para os colegas. Foi assim desde a sua estréia no Kart em 1974, quando conseguiu a grana necessária preparando motores para pilotos iniciantes.

Em 1982 chegou à Fórmula 1 como piloto de testes da Lotus e disputou o GP da Holanda daquele ano, substituindo Nigel Mansell. Perambulou por equipes pequenas e testou pela Ferrari, conseguir sua melhor chance na F1: substituiu Alessandro Nanini na Benetton, quando o italiano sofreu um acidente aéreo e perdeu um braço. E, no GP do Japão daquele ano, produziu uma das cenas mais tocantes da categoria, ao chegar em segundo lugar, atrás do companheiro de equipe e amigo Nelson Piquet. A imagem dos dois se abraçando após a corrida é o retrato de um tempo em que correr na Fórmula 1 era o resultado de uma carreira sólida e consistente. Ninguém chegava lá com 17 anos, apenas por ter um patrocinador endinheirado.

Dispensado da Benetton em 1991 para a entrada de Michael Schumacher, Moreno foi para a Andrea Moda no ano seguinte. E classificou um carro que mal andava para o GP de Mônaco, um feito histórico. Em 1995 liderou o projeto da Forti Corse, que chegava à Fórmula 1, com dignidade, mas sem sucesso.
Nos anos seguintes, correu na Indy, conseguiu um terceiro lugar em Michigan / 1996. E, em 2000, uma vitória emocionante em Cleveland, depois de 12 anos sem vencer uma corrida.

Na Indy, Moreno ganhou o apelido “Super Substituto”, por estar sempre sendo chamado pelas equipes que precisavam cobrir a falta de algum piloto. Na melhor chance, entrou no lugar de Christian Fittipaldi na poderosa Newman Hass, em 1997, quando o sobrinho de Emerson sofreu um grave acidente na Australia.
Mas uma série de azares tirou dele a chance de conseguir bons resultados.

Atualmente, Moreno dá palestras sobre automobilismo e orienta jovens pilotos na carreira. Um batalhador que sempre conseguiu tudo com muito suor e que merecia melhores resultados. Mas só a sua colaboração para o automobilismo brasileiro já valeu por tudo.