terça-feira, 13 de dezembro de 2016

Um olhar sobre as transmissões de automobilismo no Brasil

Rodrigo Mattar, do Fox Sports: raro exemplo de profissional que busca informação para driblar a falta de estrutura

Quem já tiver tido o prazer de assistir qualquer transmissão da Fórmula 1 pela Sky Sports deve morrer de inveja dos europeus. São horas e horas de programação, com comentaristas, repórteres e ex-pilotos in loco em todas as etapas, conversando com pilotos, dirigentes, produzindo análises e muito mais. Gente preparada, que estuda antes de fazer aquilo que exige muito conhecimento: transmitir um esporte, qualquer um, para o grande público.

A pergunta é: como o automobilismo pode estar novamente entre as modalidades mais populares do Brasil se as emissoras que transmitem corridas tratam o esporte como lixo? Mais do que uma crise técnica, pela falta de pilotos em categorias importantes, passamos por um momento de total falta de investimento também na mídia que é dedicada às corridas. Transmissões à distância, com pouca informação e comandadas por gente despreparada.

É bem verdade que nenhum esporte no Brasil, com exceção do futebol, tem a cobertura que merece. Nunca teve. Houve um breve período, nos anos 80, em que a Globo dedicou atenção e investimentos à Fórmula 1, quando tivemos nosso período mais frutífero em termos de resultados, com os tricampeonatos de Piquet e Senna. Na década de 90 foi a vez do SBT dar uma aula de como se transmitir eventos esportivos, com a brilhante cobertura da Indy entre os anos de 95 e 98.

É muito difícil fazer uma boa transmissão sem contar com profissionais falando diretamente do local no qual está ocorrendo o evento. Mas é impossível? Não, não é, e por incrível que pareça, 2016 nos apresentou a duas equipes que conseguem se destacar justamente por conseguirem se virar dentro da falta de estrutura das emissoras nas quais trabalham.

Uma delas é a dupla Sérgio Lago e Rodrigo Mattar, da Fox Sports. Os dois comandam as transmissões da Nascar no canal, e contam apenas com informações que têm na tela. Também estiveram juntos na transmissão das 24 Horas de Le Mans e na final da Fórmula E. Com um bom humor na medida, Lago e Mattar transmitem a corrida procurando levar ao espectador informações sobre o evento no qual estão trabalhando. Estudam e pesquisam antes de entrar no ar. Alguém consegue imaginar Galvão Bueno estudando, ou trocando informações com Reginaldo Leme antes de narrar uma corrida de F1?

O outro destaque é a equipe composta por Téo José e Felipe Giaffone, no Band Sports. Neste caso, com uma dificuldade a mais: se a Nascar disponibiliza muitas informações para embasar o trabalho de Lago e Mattar, Téo e Giaffone precisam se virar diante da pobreza de recursos da transmissão da Indy. E se viram muito bem: Téo José é o melhor narrador de automobilismo do Brasil, embora demonstre sinais de cansaço com o esporte. E Giaffone demonstra compreender muito bem o comportamento dos carros da Indy, mesmo tendo estado na categoria por tão pouco tempo. Deve ser por que pesquisa e estuda sobre o tema, não é Luciano Burti?


Resumindo, é difícil imaginar que o automobilismo voltará a ter a mesma atenção que já teve em um passado cada vez mais distante. Mas um pouco de dedicação e profissionalismo por parte da equipe pode tornar as transmissões um pouco mais informativas e, consequentemente, atrativas. 

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Rosberg deixa a F1

Menos de uma semana depois de comemorar seu título, Nico anunciou a aposentadoria

Uma bomba de proporções gigantescas acaba de explodir no mundo da F1: Nico Rosberg acaba de anunciar que vai se retirar da categoria, justamente na semana em que conquistou seu primeiro título mundial.

Aos 31 anos, o alemão alegou que o título conquistado no último domingo foi fruto de muito sacrifício. Acha que atingiu o máximo e não gostaria de voltar a enfrentar as situações pelas quais passou em 2016. Após 11 temporadas na F1, Rosberg não deixou claro se continua correndo em alguma outra categoria ou não.

É uma decisão respeitável, mas inacreditável. Correndo na melhor equipe do campeonato, após fazer a melhor temporada da sua vida e conquistar seu título mundial, Rosberg se aposenta. Fico até na dúvida se não houve algo mais grave, que pudesse ter levado o piloto a tomar uma decisão tão drástica.

Nico estreou na F1 em 2006, na Williams. Logo na sua primeira corrida, no Bahrein, o filho de Keke Rosberg pontuou e marcou a melhor volta da prova. Nos anos seguintes, sofreu com os carros ruins produzidos pela equipe, ainda que 2008 tenha sido uma boa temporada.

Em 2010 foi contratado pela Mercedes, que também trazia de volta Michael Schumacher, após 3 anos de aposentadoria. Correram juntos até 2012 e Nico jamais ficou atrás do heptacampeão, provando seu valor. Sua primeira vitória veio na China/12, quando ganhou uma corrida debaixo de muita chuva.

A partir de 2013 veio a parceria com seu amigo dos tempos de kart, Lewis Hamilton. No começo tudo bem, muita amizade e risadas nos bastidores. Mas, a partir de 2014, quando a Mercedes passou a humilhar seus adversários, a guerra entre eles explodiu. Nesse mesmo ano, Rosberg perdeu o título para o companheiro na última prova. Em 2015 teve alguns problemas mecânicos e foi novamente derrotado. Este ano levantou a cabeça, acelerou, e se tornou o segundo filho de campeão mundial a se tornar também campeão.

Com a sua retirada, surge uma vaga inesperada na melhor equipe da F1. O caminho natural seria a promoção de Pascal Wehrlein, piloto da casa, que corre emprestado na Manor. Mas a Mercedes pode surpreender e ir atrás de alguém mais experiente. Alonso? Button? Massa?


A F1 parecia definida para 2017, mas agora o bicho vai pegar de novo. 

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

A vitória da inteligência

Nico e Keke Rosberg: títulos parecidos
Não foi pouco o que Nico Rosberg conseguiu em 2016. Sagrar-se campeão, depois de dois anos perdendo para o companheiro de equipe é algo raríssimo no automobilismo. Em geral, pilotos mais lentos tendem a ser relegados ao posto de segundo piloto inapelavelmente, quando têm um companheiro de equipe mais rápido. E Lewis Hamilton é, sem dúvidas, mais rápido do que Rosberg.

Mas o alemão foi inteligente. Soube jogar com os erros e azares do adversário, teve regularidade e o principal: demonstrou entender muito bem do que é feita a Fórmula 1 atualmente. Para exemplificar isso, destaco o GP da Europa, em Baku. Os dois carros da Mercedes tiveram o mesmo problema, em um dos seus inúmeros softwares. Na época, estava em vigor a ridícula regra da censura na comunicação entre pilotos e equipes. Sozinho no cockpit, Nico solucionou o problema. Lewis não. O resultado: o alemão em primeiro, o inglês em quinto.

Não gosto nem um pouco de uma categoria de automobilismo na qual a pilotagem fica em segundo plano para o domínio da tecnologia. Mas acho sensacional quando um piloto compreende a essência do esporte no qual está e, mesmo sem ser o melhor, consegue driblar os adversários. Assim, Rosberg foi campeão vencendo menos corridas do que Hamilton. Ele é o segundo filho de campeão do mundo a ser tornar campeão também. E vejam só: seu pai, Keke, foi campeão pela Williams vencendo apenas uma corrida em 1982, justamente o GP dos Estados Unidos, a última prova do ano.

A rivalidade entre Lewis e Nico salvou a temporada de 2016 da F1, a terceira consecutiva dominada pela Mercedes. Mas, apesar de adversários, a briga entre eles se dá de forma peculiar. Sim, eles se encontraram na pista na Espanha e na Áustria (o melhor momento da temporada), mas em geral revezam vitórias. Rosberg começou melhor mas Hamilton virou o jogo. Aí o alemão reagiu, emendou mais uma série de triunfos e se colocou na condição de favorito. A partir daí, se dedicou a comboiar o companheiro nos GP's, sem correr riscos. Não sei dizer se essa é uma briga super empolgante. Acho que não.

E o GP de Abu Dhabi acabou sendo uma vitrine do que a F1 tem demonstrado a três anos: a Mercedes tem um carro tão superior, que os caras fazem o que querem na pista. Hamilton correu segurando o ritmo para que os adversários chegassem em Rosberg, já que essa era sua única chance de ser campeão. O cara abria do adversário antes das zonas de abertura de asa e depois segurava na parte mais lenta. Ou seja: os caras da Mercedes brincam de correr como querem. Isso não é bom para o esporte.


Ano que vem teremos novo regulamento e espero que as outras equipes cheguem mais perto. Essa dança de dois já está enchendo o saco. 

terça-feira, 22 de novembro de 2016

Sem BB e sem brasileiros

Em sua melhor corrida, Nasr garantiu 40 milhões para a Sauber em 2017.
Pode não ser suficiente.

O futuro do Brasil na F1 vai ficando cada vez mais sombrio. No final da semana passada o Banco do Brasil confirmou a retirada do patrocínio da Sauber, ficando apenas como apoiadora da carreira de Felipe Nasr. Porém, com um valor muito menor: estima-se que a instituição destinava cerca de 15 milhões de euros ao projeto da Fórmula 1. Este valor será reduzido para cerca de 5 milhões.

Primeiramente, vamos ser sinceros: no meio de uma crise financeira como a que o Brasil está passando, é um absurdo que uma empresa estatal destine um valor desses para bancar a carreira de um esportista em uma modalidade cada vez mais voltada para bilionários. O BB anunciou ontem que vai fechar 402 agências em todo o país e oferecer um plano de demissão voluntária. Ou seja, pessoas que se esfolaram para passar em um concurso público ficarão desempregadas. Não há nem que se falar em F1, ou qualquer esporte. Aliás, faria muito bem a Caixa se também retirasse os patrocínios aos clubes de futebol no Brasil.

Voltando à Fórmula 1, complica-se bastante a situação de Nasr na Sauber. A equipe suiça anunciou a renovação de contrato de Marcus Ericsson. Na disputa pela segunda vaga, além de Nasr, estão Esteban Gutierrez e Pascal Wehrlein. O mexicano tem muito dinheiro. O inglês tem o apoio da Mercedes e Toto Wolf já sondou Monisha Kaltenborn sobre a possibilidade de colocar seu pupilo no time suiço. Com isso, Nasr ainda poderia tentar alguma coisa na Manor.

A situação da Sauber é um retrato fiel do que é a F1 atual. Felipe Nasr pode não ser brilhante, mas desde que estreou foi o responsável pelos grande momentos da equipe na categoria. Com os dois pontos obtidos em Interlagos, o brasileiro praticamente garantiu a metade do orçamento do time para 2017, com a premiação de 40 milhões de dólares que a equipe receberá pela décima colocação no mundial.

Quer dizer, o cara consegue grana para a equipe na pista, mas não tem grana fora dela. E a equipe prioriza a grana que consegue de fora, no caso, com o sueco Marcus Ericsson, um piloto bem limitado tecnicamente.

O fato é que estamos bem próximos de uma situação a qual não estamos habituados: desde a estreia de Emerson Fittipaldi, em 1970, o Brasil sempre contou com pelo menos um representante na categoria principal do automobilismo. Isso está bem próximo de acabar.

domingo, 13 de novembro de 2016

Vale como vitória



Pode parecer que não, mas o que Felipe Nasr fez hoje, em Interlagos, significa muito. O nono lugar do brasileiro representam os primeiros dois pontos da Sauber no campeonato e fazem com que a equipe supere a Manor na classificação. Se nada anormal ocorrer em Abu Dhabi, e não vai ocorrer porque Abu Dhabi é muito previsível, a equipe garante cerca de 13 milhões de dólares na sua conta para o ano que vem.

E não é apenas o resultado ou os pontos em si. E sim a atuação do brasileiro que foi magistral em Interlagos, numa condição de pista que traiu muita gente hoje. Além do traçado espetacular, o circuito paulistano ainda oferece essas variações climáticas que, ano sim ano não, transformam a corrida numa imensa loteria.

E abre espaço para gente muito boa brilhar. E Nasr brilhou, o que pode ser um grande peso na sua tentativa de permanecer na Sauber em 2017. Ele não tem a grana de Esteban Gutierrez, mas mostrou que pode garantir dinheiro de outra forma para a equipe: apresentando-se bem quando as condições estiverem a seu favor.

E o que dizer da corrida de Max Verstappen? Minha Nossa Senhora, que piloto é esse? Ultrapassou nada menos do que 11 adversários em 15 voltas, um absurdo. A última manobra, sobre Sérgio Perez, foi um verdadeiro show do piloto, que foi aplaudido de pé pelo público, no circuito.

Falando em público, vale dizer: comportamento exemplar da torcida na homenagem a Felipe Massa. É muito raro ver a exigente torcida brasileira reverenciar um piloto que não foi campeão e ainda que vai mal na sua prova de despedida, diante dos seus torcedores. Mas Felipe talvez tenha sido o último a chamar a atenção do brasileiro para a Fórmula 1, com suas temporadas de 2006 e 2008, quando venceu no Brasil. Na última, inclusive, ficou por 500 metros de ser campeão. Massa foi um piloto menos exuberante do que Rubens Barrichello, mas soube escolher a hora de parar e deu à torcida a chance de homenageá-lo como merece. A imagem dele voltando as boxes com a bandeira brasileira é uma das mais belas da história do autódromo.

Agora a F1 terá sua decisão em Abu  Dhabi, com Lewis Hamilton precisando vencer e torcer para que Nico Rosberg chegue na quarta posição. Como já dissemos, o moderníssimo autódromo Yas Marina é extremamente previsível e Nico só precisará se manter na pista. Lewis terá que torcer para que as duas Red Bull aprontem alguma, ou então para que o companheiro enfrente problemas de motor.


Acho que não vai dar. Rosberg fez uma boa temporada e merece ser campeão. Vamos conferir.  

terça-feira, 11 de outubro de 2016

Tony Kanaan fica na Ganassi em 2017



Tony Kanaan acaba de anunciar que fica mais um ano na Chip Ganassi. Será a quarta temporada do piloto brasileiro em uma das mais tradicionais equipes da Fórmula Indy. Ele conseguiu uma vitória e 11 pódios no total. Seu companheiro de equipe, Scott Dixon, foi campeão no ano passado.

Não são números avassaladores, os do campeão de 2004. Mas aos 41 anos, Tony ainda demonstra estar em forma e poderá ajudar o time em 2017, quando a equipe voltará a utilizar motores da Honda. Isso sem contar, claro, o ótimo apoio financeiro que Kanaan garante à Chip Ganassi.

De qualquer maneira, é uma boa notícia para o automobilismo brasileiro. Os dois representantes do país na Indy, Kanaan e Helio Castroneves, estão nas duas maiores equipes. Helinho permanecerá na Penske, em 2017.

Assim como na F1, o Brasil sofre com a falta de renovação de seus pilotos na Indy. Se na categoria europeia corremos o risco de não termos nenhum representante no ano que vem,com a saída de Felipe Massa, pelo menos na Indy teremos alguma sobrevida.

E tomara que seja uma sobrevida com vitórias, já que o jejum está grande por lá também.

segunda-feira, 3 de outubro de 2016

Rosberg com mais peso na gangorra


Já nem me lembrava mais qual tinha sido a última vez que alguém perdia uma corrida por causa de quebra de motor. Forçando muito, consegui recordar Felipe Massa, em 2008, no GP da Hungria, quando faltavam três voltas. Pode ter perdido o título daquele ali.

Pois Hamilton pode ter perdido o título ontem na Malásia, em situação parecida. Liderava com folga, Rosberg estava distante e as RedBull não pareciam capazes de ameaçar. Mas o infalível carro da Mercedes falhou, e Lewis chegou ao fim da reta soltando fumaça pra todo lado. Ele poderia ter saído de Sepang com 5 pontos de vantagem sobre o companheiro. Sai 23 pontos atrás e com apenas 5 corridas para tirar a diferença.

Mas não vou cravar que já perdeu, porque o campeonato de 2016 tem sido uma gangorra técnica e psicológica entre os dois, o que é ótimo. O começo do ano foi de Rosberg, então todos achamos que o alemão rumaria para o título. Depois, Hamilton reagiu e venceu quatro corridas seguidas antes da pausa do meio do ano. Aí, pensamos que o campeão seria ele. Agora, Rosberg engatou outra sequência de vitórias e, com o terceiro lugar de ontem, se mostra novamente favorito. Mas é melhor esperar.

Aliás, Nico fez uma corrida de campeão na Malásia. Depois de ser atingido por Vettel, que tentou uma manobra suicida na primeira curva, o alemão saiu ultrapassando vários adversários, mantendo-se sempre veloz. A última de suas ultrapassagens, sobre Kimi Raikkonen, foi uma das mais belas do ano e a FIA, como sempre ridícula, achou melhor punir o piloto. Menos mal que ele conseguiu abrir os 10 segundos de vantagens necessários para garantir o terceiro lugar. A FIA pune os caras pela ousadia de ultrapassar. Piada.

Fiquei feliz mesmo foi com a vitória de Daniel Ricciardo. Torço muito para que o regulamento de 2017 permita que caras como ele possam ter chance de disputar o campeonato. Ontem, o australiano fez uma prova muito boa e protagonizou uma briga espetacular com Max Verstappen, disputa de alto nível mesmo, um dos grandes momentos da temporada. E que equipe competente é a RedBull! Ontem, quando viram que a vitória poderia ser deles, deram um show ao trocar os pneus dos dois carros na mesma volta, durante o safety car virtual.

Agora temos cinco corridas para vermos para qual lado a gangorra do título vai pesar. Eu não arrisco palpite nenhum.



segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Simon Pagenaud é o campeão da Indy em 2016



Numa corrida modorrenta, em Sonoma, a Fórmula Indy conheceu seu vencedor de 2016. Simon Pagenaud sagrou-se campeão pela primeira vez, vencendo 5 corridas na temporada. Foi seu segundo ano na Penske. A equipe do velho Roger dominou a temporada com facilidade, baseada nas boas atuações de Pagenaud, Will Power e Hélio Castroneves. Só Montoya decepcionou e não tem o futuro garantido na equipe.

Não foi um grande ano para a Indy, infelizmente. A prova de Sonoma foi chata como foram quase todas as outras da temporada. Poucas ultrapassagens, corridas decididas logo no início. Some-se a isso alguns pilotos de baixo nível técnico e esses carros horrorosos, temos uma categoria que precisa de uma revisão urgente.

Eu gosto da Indy, na sua simplicidade. A categoria não tem invenções e complicações desnecessárias. Os caras largam com tanque cheio, quando acaba a gasolina param e trocam pneus. É apenas disso que o automobilismo precisa.

Mas a Indy não consegue decolar. Esse ano tivemos a volta de pistas tradicionais, como Road America e Phoenix. Mas, especialmente este ano, a categoria enfrentou o problema da pressão aerodinâmica gerada pelos chassis Dalara, que tornaram as manobras de ultrapassagens dificílimas.

Passou da hora da Indy buscar novos investidores, que possam viabilizar uma categoria multimarcas. Quem sabe assim não atrairia até mesmo gente que não tem mais chance na F1, como era no passado?

Para o Brasil, mais um ano sem vitórias. Tony Kanaan teve uma temporada ruim e Helio Castroneves, embora tenha terminado o ano em 3°, fez um ano com a regularidade habitual. Ontem adotou uma tática incompreensível de fazer uma parada a mais, o que lhe tirou a chance de chegar ao pódio.

Mas os dois devem continuar em boas condições na próxima temporada. É bom aproveitarmos, porque se não há muitos brasileiros na trilha da Fórmula 1, na Indy não tem ninguém mesmo.

quarta-feira, 7 de setembro de 2016

O que será da F1 no Brasil?

Rubens Barrichello comemora em Monza/09: última vitória brasileira na F1

O site meio e mensagem publicou uma interessante matéria, com viés publicitário, a respeito dos rumos da Fórmula 1 no Brasil. A parada de Felipe Massa ao final do ano e a remota possibilidade de Felipe Nasr estar em um cockpit competitivo (aliás, não se sabe nem se ele estará em um) tornam bastante obscuro o futuro da categoria no país. Some-se a isso a venda, confirmada hoje, dos direitos da F1 para a Liberty Media, que assume o comando paulatinamente, até o fim do próximo ano.

Me parece claro que não há mais interesse da grande massa do público por Fórmula 1. E quando digo grande massa me refiro aquelas pessoas que assistem corridas ocasionalmente e que dizem não gostar mais porque não é mais como na "época do Senna". Há pouco destaque para o esporte nos principais sites brasileiros e, mesmo nos noticiários esportivos da Globo, que afinal detém os direitos de transmissão, pouco se fala de F1.

Os índices de audiência da Fórmula 1 caíram drasticamente nos últimos anos. E é preciso ser razoável: de fato, a F1 ficou complicada demais para quem não é fã do esporte. É um desafio assistir a uma corrida hoje e lidar com informações sobre Kers, ERS, pneus ultramacios, economia de combustível, controles de largadas, asas móveis. Difícil imaginar que alguém vai parar por quase duas horas, no domingo de manhã, para assistir a algo que não compreende direito, sem ter sequer como torcer para um piloto brasileiro.

E esse é o segundo problema: não haverá pilotos brasileiros em boas condições tão cedo. A falta de interesse do público, fez com que o país praticamente parasse o seu processo de formação de pilotos e, com a parada de Felipe Massa, as consequências começarão a chegar. Há uma possibilidade para Sérgio Sette Câmara, que conseguiu contrato com a RedBull, mas ele vai precisar pastar muito para conseguir entrar na Toro Rosso. E, depois disso, se mostrar muito serviço, poderá estar na RedBull no futuro. Mas o percentual de chance é infimo. Pedro Piquet e Pietro Fittipaldi surgem no horizonte como possibilidades futuras, mas ainda distantes.

Isso significa que o jejum de vitórias brasileiras, que já é o maior da história do país, continuará. O último brasileiro a vencer uma corrida de F1 foi Rubens Barrichello, no distante GP da Itália de 2009. O jejum anterior, que era o maior até então, havia durado 7 anos, quebrado justamente por Rubinho, ao vencer o GP da Alemanha de 2000. Não vislumbro vitórias brasileiras num período de dez anos para a frente, a não ser que existam casos fortuitos, como foram as vitórias de Panis, em Mônaco /96 e Maldonado, na Espanha/12. Nada estruturado, só casos isolados mesmo.

É triste que um país de 8 títulos mundiais e 101 vitórias tenha chegado ao ponto de se tornar uma nação de casos fortuitos, como a Venezuela ou a Polônia, por exemplo. Mas é um buraco no qual o próprio país se meteu. É o caso de se olhar para dentro e perceber onde estão os erros para tentar começar tudo do zero. Haverá interesse para isso? Se pensarmos que acabamos de demolir um autódromo para construir um centro olímpico, vamos ver que estamos bem perto da resposta, infelizmente.

sábado, 3 de setembro de 2016

Jenson Button está fora do grid em 2017



Depois de Felipe Massa, Jenson Button é mais um a anunciar que não estará no grid da Fórmula 1, em 2017. Mas, diferente do brasileiro, Button renovou seu contrato com a McLaren e vai trabalhar nos bastidores da equipe, como uma espécie de consultor para desenvolver o novo carro. Caso Fernando Alonso se retire, ao final de 2017, o inglês de 36 anos poderia assumir o volante novamente, em 2018.

Não acredito nessa possiblidade. Como já disse no post sobre a saída de Felipe Massa, os veteranos estão sem lugar na Fórmula 1. E a McLaren é um ótimo exemplo disso: Stoffel Vandoorne, que será o titular ano que vem, correu esse ano no Bahrein e estreou marcando pontos de cara. A garotada se entende melhor com esses computadores ambulantes, não vale a pena pagar salário alto para um piloto em fim de carreira. É uma nova dinâmica que, gostando ou não, precisamos nos acostumar.
Jenson Button estreou na F1 em 2000, disputou 297 corridas, venceu 15 e foi campeão em 2009.

Muita gente classifica o inglês como um campeão ocasional, como foram Villeneuve e Hill, por exemplo. Não concordo de jeito nenhum. Não é preciso ser um piloto exuberante, que realiza manobras espetaculares, vence inúmeras corridas e campeonatos, para se ter valor.

Button teve uma temporada ruim, na Benetton, em 2001. Marcou apenas 2 pontos ao longo do ano, mas é preciso dizer que o carro era uma porcaria. A Renault tinha inventado um motor com angulação diferenciada no posicionamento dos cilindros e o negócio não funcionava de jeito nenhum.

Fora isso, esteve sempre entre os mais rápidos, mesmo não tendo o melhor carro do grid. Quando teve, em 2009, massacrou a concorrência vencendo 7 corridas seguidas e, bem ao seu estilo, administrando a diferença de pontos na segunda parte do campeonato, quando a Brawn começou a ser alcançada pela RedBull.

Na McLaren, encarou Lewis Hamilton de frente e fez uma temporada excelente em 2011. Mas a equipe caiu muito de produção a partir de 2013 e ninguém pode fazer milagre sem um bom carro, não é?

Para finalizar, Button era tido como certo na Williams, para correr no lugar de Felipe Massa. Com a sua desistência e a provável renovação de Sergio Perez, na Force India, o cockpit do segundo carro de Frank Williams volta a ser alvo de muitas especulações. De repente, Felipe Nasr pinta por lá. Seria uma ótima notícia.

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Massa deixa a F1 no final do ano


Felipe Massa acabou de anunciar, em Monza, que deixa a Fórmula 1 ao final do ano. Não terá seu contrato renovado pela Williams e não negocia com nenhuma outra equipe da categoria. Até aqui, foram 242 corridas, 41 pódios e 11 vitórias. Talvez tenha sido o último cara a fazer o povo brasileiro parar para assistir a uma corrida, quando decidiu e perdeu por milésimos o título de 2008, na decisão de campeonato mais espetacular da história do esporte a motor.

É a grande notícia de 2016 até aqui e ainda vamos falar muito disso ao longo dos próximos dias. Saindo, Felipe Massa coloca o Brasil em uma situação de coadjuvante que, certamente, mudará muito a forma como se consome o esporte no país, a partir do ano que vem.

Mas, falando rapidamente sobre a decisão em si, fez bem Felipe em anunciar sua retirada dessa forma. Ele já havia dito mais de uma vez que não gostaria de ter minar a carreira se arrastando no fundo do grid. Com um anúncio antecipado, Massa poderá ter aquilo que Rubens Barrichello não teve: uma despedida digna, inclusive tendo a oportunidade de ser homenageado em Interlagos, local onde foi duas vezes vencedor.

Não há espaço para veteranos nessa Fórmula 1 na qual os carros são mais computadores sobre rodas do que automóveis, propriamente ditos. Não há nada na F1 de hoje que lembre a dinâmica da categoria na qual Massa estreou em 2002, na Sauber. E isso vale para Alonso e Button, contemporâneos do brasileiro, que devem estar próximos de se despedirem também.

 Não há porque uma equipe pagar um salário para Felipe Massa para que ele faça exatamente a mesma coisa que um fedelho de 18 anos faz, com mais eficiência, mais futuro e ainda agregando valor por meio de patrocínios pessoais. Pessoalmente não gosto dessa realidade, mas ela está aí, e não dá mostras de que vai mudar.

O fim da carreira na F1 não é o fim da carreira de piloto. Não é aposentadoria. Felipe Massa construiu ótimo relacionamento com pessoas influentes ao longo de 14 anos na categoria. E para comprovar isso, basta ver os posts no Twitter de todas as equipes pelas quais passou, agradecendo-o pelos serviços prestados. Certamente, Massa terá um bom lugar onde escolher para correr. DTM, WEC, Indy, Stock Car, são opções interessantes. Particularmente, gostaria de vê-lo na Indy. Mas não sei se é a categoria preferida do piloto.

E para o Brasil? Isso é assunto para as próximas semanas. Mas que podemos ir nos despedindo da F1 na TV aberta, isso podemos.

segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Momento rabugice

Verstappen x Raikkonen: uma hora vai dar problema sério

Max Verstappen é a grande sensação da Fórmula 1, não há dúvidas. Desde que Lewis Hamilton estreou em 2007 deixando o mundo da F1 de queixo caído, ninguém havia tido um início tão espetacular quanto o do filho do Jos. E, se Hamilton já é tricampeão e ruma para o tetra esse ano, não há porque não apostar que Max poderá ser um dos próximos multicampeões da categoria.

Verstappen reúne tudo o que gostamos num piloto: é rápido, não tem medo de entrar em divididas, responde as perguntas diretamente e não aceita desaforo de ninguém. Maravilha. Mas vou me dar ao luxo de ser rabugento só para criticar uma coisa que me incomoda na sua postura, na pista: essas mudanças de trajetória para defender posição ainda vão causar um acidente grave.

Ele já tinha adotado essa estratégia na Hungria, com Raikkonen. Agora, na Bélgica, novamente o finlandês foi fechado de forma desleal no meio da reta, quando já tinha tirado o carro para ultrapassar. Todo mundo sabe que o piloto deve escolher uma trajetória e se manter nela para defender posição. Verstappen até fez isso, mas o movimento aconteceu no momento em que Raikkonen já estava quase ao lado dele, na metade da reta. Se pega roda com roda ali, nem quero imaginar o que podia acontecer.

Não que o piloto que está na frente deva deixar o que está atrás passar facilmente. Mas com a possibilidade de abertura de asa móvel, cria-se uma diferença de velocidade brutal entre os dois pilotos. Não há como se defender numa reta longa como aquela e, fechar em cima da hora, coloca o adversário numa posição perigosíssima.

A Fórmula 1 fica punindo pilotos o tempo todo por causa de bobagens e quando tem uma conduta realmente séria para analisar, nada faz. Estamos de olho.

No mais, tivemos um GP da Bélgica confuso, com muitas brigas e um resultado excelente para Lewis Hamilton. O inglês se aproveitou das confusões nas primeiras voltas e conseguiu sair da última fila para o terceiro lugar. Como trocou vários componentes do seu motor, tem agora um carro novinho em folha para as últimas provas e, ainda, nove pontos de vantagem no mundial. A tarefa de Nico Rosberg parece, mais uma vez, quase impossível.

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Sai dessa, Reginaldo!


Reginaldo Leme é um dos mais importantes jornalistas esportivos do país. Trabalhando como setorista do Palmeiras, no início dos anos 70, acompanhava de longe a saga de Emerson Fittipaldi na Europa e, quando viu que o brasileiro poderia se sagrar campeão mundial de Fórmula 1, conseguiu uma verba do Jornal do Brasil para cobrir a conquista do brasileiro.

A partir daí fixou-se no automobilismo e ajudou a fazer dele um dos esportes mais populares do Brasil. Era ele quem contava as histórias de vitórias nos anos 80 e início dos 90, quando o país marcou época no esporte, com as vitórias de Ayrton Senna e Nelson Piquet.

Jornalista com J maiúsculo, Reginaldo Leme era o cara dos bastidores. Infiltrado no circo da Fórmula 1, a cada transmissão, ele nos brindava com informações exclusivas, elucidava dúvidas, acabava com especulações infundadas. Recheava as transmissões de corridas com notícias. No final dos anos 80, ganhou o programa Sinal Verde que, a cada fim de semana, contava um pouco da história da cidade e da pista que sediaria a prova.

Mas isso acabou. Hoje, Reginaldo Leme faz companhia a Luciano Burti e ao narrador da vez no estúdio da Globo, transmitindo a corrida à distância. Sem poder circular pelos boxes, sem conversar com pilotos, dirigentes ou jornalistas, seu brilho se apagou.

A transmissão que a Globo faz da Fórmula 1, hoje em dia, é simplesmente patética. A categoria evoluiu, tornou-se ultracomplexa em seus carros e regulamentos, e ninguém no estúdio entende porcaria nenhuma que se passa na corrida. Burti não senta num carro de F1 há mais de 10 anos e não sabe nada sobre o comportamento do bólido, ou das estratégias de corrida. Sua função é traduzir rádios.

Galvão Bueno e Cléber Machado não narram a corrida, não marcam os lances de emoção. Nisso, Luis Roberto é um pouco superior mas, como os dois primeiros, demonstra não entender nada do que está se passando. Na última prova, da Alemanha, narrou as perdas de posição de Felipe Massa como se o brasileiro estivesse pressionando os adversários. Inacreditável.

E, nessa mediocridade, Reginaldo não se salva. Sem ter o que falar sobre o que acontece nos bastidores, onde domina todas as ações, sobra para ele a tentativa de por ordem nas bobagens que as duas bestas falam o tempo todo. Mas falha, porque também não é ele a comentar a parte técnica. Não é sua especialidade.

Seu brilho derradeiro na TV foi conseguido à moda antiga: arrancou de Nelson Piquet a verdade sobre a farsa de Cingapura em 2008 e anunciou a bomba durante do GP da Bélgica de 2009. Conseguiu isso porque estava na Europa, porque estava fazendo o que sabe fazer: apurar e noticiar o fato.

Nem mesmo no Sinal Verde, a Globo respeita a história do jornalista. O programa está jogado no intervalo do Altas Horas, nas noites de sábado e vive de imagens do passado. Não há nada de novo, mesmo com a F1 correndo em países completamente diferentes daqueles que frequentava nos anos 80 e 90.

Pelo bem da sua história e da sua carreira, vai aqui um pedido de um fã: sai dessa, Reginaldo!

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Confirmações antes das férias



Parecia inacreditável pensar que Lewis Hamilton chegaria às férias da F1 na frente de Nico Rosberg, depois de ficar 43 pontos atrás do rival. Mas chegou, e como. Com 217 pontos, contra 198 de Nico, Hamilton abriu uma vantagem de 19 pontos, após aproveitar a péssima corrida do alemão em casa, na volta do circuito de Hockenheim.

Não quer dizer que o campeonato está acabado, principalmente porque Hamilton terá punições inevitáveis a cumprir por causa dos azares do início do ano. Ele terá que trocar componentes do seu motor nas próximas provas e perderá posições no grid, o que poderá ser decisivo para a reação de Rosberg até o final do campeonato.

Mas, para além da virada dentro da Mercedes, a prova na Alemanha acabou estabelecendo e confirmando situações que vinham ficando claras até aqui. A reação da RedBull, por exemplo. Em 2014, quando esses novos motores estrearam, os carros austríacos mal conseguiam se movimentar nos primeiros testes. Hoje, a equipe é a segunda melhor do grid, mostrando que com trabalho, seriedade, foco e uma excelente dupla de pilotos, é possível fazer valer o alto investimento que se faz em Fórmula 1, para andar na frente.

Ao contrário, Ferrari e Williams, só andaram para trás. Na equipe italiana, Raikkonen vem sendo mais consistente do que Vettel, o que não deixa de ser uma surpresa. E os ingleses deverão terminar o ano atrás até da Force India. Incrível a queda de desempenho do time, após dois bons anos de parceria com a Mercedes.

Daniil Kvyat é outro que terá que colocar a cabeça no lugar. Depois do rebaixamento para a Toro Rosso, o piloto, que já não ia bem na RedBull, transformou-se num espectro e ele mesmo admite que não sabe o que está acontecendo. Em Hockenheim, não foi capaz de levar o carro ao Q2.

Uma situação interessante é a da trinca de veteranos da F1, Felipe Massa, Fernando Alonso e Jenson Button. Muita gente desvaloriza o piloto inglês, classificando-o como um campeão de segundo escalão. Mas, novamente, Button fez uma corrida bem mais consistente do que Alonso e já encosta no companheiro na tabela de pontos. O espanhol, aliás, cometeu um erro de principiante no finalzinho da prova, e perdeu um ponto certo para Sérgio Perez. Na Williams, Massa teve problemas após um toque na largada e fechou um primeiro semestre que começou até bem, com mais um resultado ruim. Situação preocupante. Não sei se o brasileiro vai conseguir um lugar para correr em 2017, dessa maneira.

A Fórmula 1 volta depois das Olímpiadas, no GP da Bélgica. É hora de ver se as situações confirmadas até aqui, irão permanecer até o final do ano.

quinta-feira, 28 de julho de 2016

Tchau Target


Não faz muito tempo que comemoramos aqui o fato de a Chip Ganassi adotar a clássica pintura dos anos 90 no carro de Scott Dixon, em 2016. Mas alegria de blogueiro pobre dura pouco. A Target anunciou que não renovou contrato com o neozelandês e, depois de 27 anos, o alvo branco sobre a pintura vermelha dos Ganassi não estará no grid da Fórmula Indy, em 2017.

Esse lance de pinturas me pega de jeito. Foi duro acostumar com a McLaren prateada, depois de anos de Marlboro. Aquela Williams vermelha de 98, depois da era Rothmans nunca me desceu redonda. Agora só falta a Ferrari largar o vermelho e pintar seus carros, sei lá, de verde.

Foi em 93 que descobri a Indy de vez, e a Target estava lá, na Ganassi. O piloto era Arie Luyendyk, o holandês voador. Velho, fora de forma, andando na rabeira do grid. Para o ano seguinte, Chip Ganassi repatriou Michael Andretti e, dois anos depois, descobriu o pacote técnico que levaria a equipe a se tornar uma das maiores da história da Indy: motor Honda, chassi Reynard e pneus
Firestone. Foi um festival de títulos ao longo dos anos, com Jimmy Vasser, Alessandro Zanardi, Juan Pablo Montoya e Scott Dixon, que agora encerra esse ciclo.

Minha torcida para o neozelandês está reafirmada a partir de agora. Seria muito justo encerrar a era Target com um título. Talvez o velho Chip possa se animar e bater na porta da Kmart para reviver o patrocínio da Newmann-Haas. Já ajudava bastante.

segunda-feira, 25 de julho de 2016

Por mais simplicidade

Rosberg pisa fundo sob bandeira amarela, no sábado:
é para punir? Não é? Quem sabe explicar?
É inegável que a Fórmula 1 está oferecendo, neste 2016, um bom campeonato. A rivalidade entre Hamilton e Rosberg parece mais robusta do que nos anos anteriores, Max Verstappen chegou para incomodar a turma de cima, e vem proporcionando ótimos espetáculos, Kimi Raikkonen faz um bom campeonato, a McLaren vem reagindo.

Ou seja, sentar-se diante da TV para assistir a uma corrida, tem sido um programa bastante animado. Mas, o que me pergunto sempre que termina uma corrida, é se eu consegui entender tudo o que se passou diante da tela nas duas horas anteriores. E, também, se alguém conseguiu.

Quem consegue explicar as regras atuais da F1, quando perguntado a respeito? Por que, por exemplo, Nico Rosberg não foi punido no sábado, mesmo tendo tirado vantagem clara ao ignorar a bandeira amarela causada por Fernando Alonso? E qual seria o motivo da punição a Jenson Button, que relatou um problema nos freios e foi instruído a ficar na pista? E, ainda, se é verdade que Max Verstappen não mudou várias vezes de trajetória na briga com Raikkonen, não seria mais grave a escolha pela trajetória definitiva no momento da freada, como o holandês fez mais de uma vez? E todas as vezes que Kimi passou do limite da pista com as quatro rodas durante essa briga?

Essas perguntas são apenas algumas, mas vejam o tamanho do parágrafo que geraram. Quantas páginas deve ter o regulamento técnico da F1? Será que precisa de tudo isso? Aqui em BH, organizo um campeonato de kart amador, a gloriosa Copa BH de Kart. Nosso regulamento tem 5 páginas de Word, e cada vez que surge uma situação que nos leva a perder tempo analisando e interpretando demais, mudamos para o ano seguinte. Precisamos de simplicidade.

E é de simplicidade que a F1 precisa, também. É muito para a minha limitada cabeça, ter que assistir a um treino no qual voltas podem ser anuladas porque o piloto ganhou tempo por cruzar o limite da pista. Hora, se alguém cruza o limite da pista e ganha tempo, então a pista tem um grave problema. Ou, daqui a pouco, teremos que ter um fiscal por carro.

O nível de tecnologia que os carros atingiram é muito legal, mas ninguém se interessa por computadores ambulantes. As pessoas querem ver pegas interessantes e que premiem aqueles que forem mais rápidos. Corridas, e falo qualquer corrida, ganharam fama por serem competições em que o mais rápido vence, utilizando um carro com  quatro pneus e gasolina. Ponto final.

Vejam a Indy, ou a Nascar: os caras saem com tanque cheio e quatro pneus novos. Quando acaba, para troca e volta para a pista. Fazem isso quantas vezes forem necessários até que, ao final de x voltas, o mais rápido ou o mais inteligente vence a prova. Nessas categorias ninguém sente falta de KERS, ERS, Asa Móvel, pneus moles, duros, semi-moles, moles pra cacete, etc.

Não estou dizendo que a F1 tem que voltar a ser como era nos anos 70, não é isso. A evolução não pode parar, e já vivemos outras fases nas quais a tecnologia se tornou mais importante que os pilotos. E é nessa fase que estamos agora: é mais fácil saber o nome de um fiscal de pista, ou de um componente eletrônico, do que de um dos pilotos da Marússia. Isso é grave.

Como sempre digo aqui, a F1 precisa de novas cabeças, que enxerguem aquilo que fez dela um esporte popular e amado. E que possam resgatar elementos que tornem a experiência de assistir a uma corrida, algo que fique restrito ao esporte e às emoções que ele traz. Deixem as discussões de regulamento e tecnologia para quem entende delas.

quinta-feira, 21 de julho de 2016

A grana chegou


A equipe Sauber está salva da falência, pelo menos por enquanto. O time foi adquirido por um grupo de investidores chamado Longbow Finance. Os valores do negócio não foram divulgados. Com isso, Peter Sauber sai de cena, deixando a equipe que fundou, e com a qual chegou à F1, em 1993.

Curioso como são as coisas na Fórmula 1 atual. Fico feliz em saber que a grana desses investidores vai salvar o time suiço. Mas, por outro lado, é triste perder um cara como Peter Sauber, que realmente ama o automobilismo, colocando em seu lugar um bando de gente milionária que vai tirar o time de campo assim que perceber que a brincadeira não dá lucro. Já aconteceu diversas vezes na F1, não há espanto. Tanto as montadoras, quanto essa turma edinheirada, só quer saber de cifrões.

Espero que não descaracterizem a Sauber, pelo menos. A equipe entrou na F1 em 93, trazendo a Mercedes de volta para a categoria. Seus elegantes carros pretos desfilaram pelas pistas até o final de 94, quando o time assumiu o azul da RedBull e, depois, da Petronas. Em 2006, a equipe foi adquirida pela BMW. Os alemães se pirulitaram no final de 2009, devolvendo o time para Peter Sauber. Mas foi no período da montadora que a Sauber viveu sua melhor fase, vencendo uma prova no Canadá, em 2008, com Robert Kubica.

Muita gente boa passou pelos cockpits suiços. Além do próprio Kubica, tivemos Heinz Harald
Frentzen, J. J. Letho, Kimi Raikkonen, Nick Heidfeld, Giancarlo Fisichella e Sérgio Perez, entre outros notáveis. A equipe ainda tentou brilhar com gente em fim de carreira, como Andrea De Cesaris, Jean Alesi e Jacques Villeneuve, mas sem sucesso. Entre os brasileiros, tivemos Pedro Paulo Diniz, Felipe Massa e, agora, Felipe Nasr.

De 2010 para cá, a Sauber vem vivendo momentos difíceis, com uma enorme escassez de patrocinadores. Fez um bom carro em 2012, amparada pela grana vinda do México, mas foi só.

Não fosse a austeridade dos suiços, a Sauber poderia ser uma Minardi contemporânea. Não tem tanto carisma para isso, mas é uma equipe simpática, conduzida por um cara honesto, como é Peter Sauber. Tem o meu respeito.

Que sua história seja respeitada pelos milionários da vez.

sexta-feira, 15 de julho de 2016

Sobre largadas na chuva

Villeneuve, Alesi e Hill dividem a primeira curva, na Espanha:
que pessoal maluco, não? 

Sem me alongar muito, apenas assistam ao vídeo abaixo. É a largada do GP da Espanha de 1996, corrida na qual Michael Schumacher conseguiu sua primeira vitória pela Ferrari com uma atuação de cinema.

Está caindo uma tempestade sobre o circuito, maior até do que a que caiu em Silverstone, no último fim de semana. O procedimento de largada não foi alterado. Foi perigoso? Sim. Houve acidentes? Sim, houve um. Exigiu mais habilidade dos pilotos? Sim, muito mais. Mas, os 22 caras que correm na Fórmula 1 não são os melhores pilotos do automobilismo?

Gostaria muito de saber quem, nessa Fórmula 1 de meu Deus, concluiu que largadas com chuva, qualquer chuva, devem ser dadas com o Safety Car. Não entendo mesmo. O público quer ver os caras se arriscando, mostrando capacidade de pilotar os carros em qualquer condição. É isso que sempre fez da F1 a categoria que mais atrai a atenção de quem gosta de corridas.

Alô Bernie! Quem gosta de corrida, gosta de desafio. Quem quer ver desfile de carros bonitos, vai a uma exposição.





domingo, 10 de julho de 2016

RedBull já é a segunda força



Quando a temporada 2016 começou, a curiosidade era saber o quanto Williams e Ferrari estariam próximas da Mercedes. As duas eram consideradas as únicas capazes de desafiar o domínio de Lewis Hamilton e Nico Rosberg ao longo do ano.

Hoje, após a 10ª etapa, disputada em Silverstone, fica claro que a RedBull tomou o lugar dos ingleses e italianos, com base no equilíbrio do carro, na melhora substancial do motor Renault e, principalmente, na qualidade absurda de sua dupla de pilotos.

Em Silverstone, mais uma vez, Max Verstappen fez uma corrida magistral, se metendo entre as Mercedes enquanto a pista estava molhada e, depois, dando trabalho a Rosberg na disputa pela segunda posição. Enquanto isso, Daniel Ricciardo mostrou novamente muita regularidade para ficar com o quarto lugar, o que lhe garante uma ótima quarta posição no campeonato, a três pontos de Kimi Raikkonen.

Já Ferrari e Williams, mais uma vez, deram um show de horror. Na equipe italiana, Raikkonen conseguiu um bom quinto lugar e segue sendo o melhor piloto do time na temporada, justificando a renovação de contrato que ganhou neste fim de semana. Já Sebastian Vettel, mais uma vez, sofreu com problemas mecânicos nos treinos e, na corrida, cometeu diversos erros, incomuns para um piloto da sua categoria. Ao ultrapassar Felipe Massa, o alemão acabou acertando a lateral da Williams do brasileiro e ganhou um acréscimo de 5 segundos em seu tempo, no final da prova.

Felipe até fez uma prova razoável, pensando no carro que tem nesse momento. Parecia que iria marcar pontos mas a Williams resolveu chamar o brasileiro para os boxes faltando 12 voltas para o fim. Massa foi o único a fazer uma parada a mais, o que arruinou suas chances. Mas, também, passou a prova toda sendo pressionado por praticamente todos os pilotos do grid. Valteri Bottas, de quem sempre se espera algo, fez uma prova horrorosa hoje, rodando, saindo da pista, muito mal.

E assim, com seus pilotos terminando apenas na 11ª e 14ª posições, a Williams começa a ser ameaçada pela Force India, na luta pela 4ª posição do campeonato. Se isso não é andar para trás, não sei o que é.

Uma briga mais forte pela vice liderança entre as equipes faria muito bem a um campeonato que já está ótimo. Mas neste momento, isso parece estar bem longe de acontecer.

quinta-feira, 7 de julho de 2016

Carl Haas


Foi confirmada hoje, pela família, a morte de Carl Haas. Ele faleceu no último dia 29 de junho, de causas não divulgadas. Hass sofria do mal de Alzheimer, mas não se sabe se a doença tem alguma relação com a morte do ex-dirigente.

Ao lado do ator Paul Newman, também já falecido, Carl Haas foi o dono da equipe Newman-Haas, uma das mais importantes da história do Fórmula Indy. Por seus carros, quase sempre patrocinados pela rede de supermercados Kmart, passaram Michael Andretti, Nigel Mansell, Paul Tracy, Mário Andretti, Christian Fittipaldi, Cristiano da Matta, entre outros. Da Matta, inclusive, conseguiu seu único título na Indy pilotando um Lola Toyota da Newman-Haas.

Quem acompanhou as lendárias transmissões da Indy na década de 90, certamente se lembrará da figura que passava a corrida toda com um charuto enfiado na boca, sem jamais acender o artefato. O estranho hábito gerou algumas das mais engraçadas piadas da história, contadas por mim e por Fábio Campos, em passado não tão distante.

É mais uma lenda do automobilismo que se vai. Descanse em paz, grande Carl Haas.

domingo, 3 de julho de 2016

Buemi campeão na Fórmula E



Não acompanhei a temporada da Fórmula E com a devida atenção, mas assisti às duas provas finais, disputadas em Londres, neste fim de semana. Lucas di Grassi e Sebastien Buemi disputavam o título.

A corrida de sábado foi sensacional, com os dois fazendo um jogo de gato e rato, se espremendo para ultrapassar adversários em busca dos pontos que garantiriam a vantagem na prova de domingo. A corrida foi vencida por Nicolas Prost, seguido por Bruno Senna. Depois de 23 anos, um Prost e um Senna juntos no pódio, de novo. Bem bacana.

A corrida de hoje prometia com os dois postulantes à taça empatados em pontos e Di Grassi levando vantagem no desempate. Buemi saía na pole, com o brasileiro em terceiro. Na largada tudo normal, mas aí, na primeira curva, Lucas tentou uma manobra inexplicávelmente suicida e atropelou o rival. Com os carros danificados só restaria aos dois pegar o segundo monoposto e tentar a melhor volta, que na F-E, garante dois pontos. E deu Buemi.

Lucas di Grassi é um piloto que passa uma imagem de enorme profissionalismo e, por isso, não consegui entender a manobra que tentou. Segundo ele, Buemi freou antes, mas o que o suiço ganharia fazendo isso? Com os dois fora, seria dele o prejuízo.

Dessa forma, o título ficou de bom tamanho, nas mãos do piloto do time de Alain Prost. Que Di Grassi coloque a cabeça no lugar e venha para a próxima temporada a fim de decidir o título na pista.

Por fim, um elogio à Fox Sports que trocou a equipe de palhaços comandada por Flávio Gomes, pelo profissionalismo e sobriedade da dupla Sérgio Lago e Rodrigo Mattar. Com muita informação e a medida certa de descontração, a dupla comandou a transmissão na exata proporção da emoção, enaltecendo os bons momentos. Assim como Téo José e Felipe Giaffone, na Indy, Lago e Mattar fazem aquele tipo de transmissão acrescenta à corrida, sem querer ser mais do que ela. Espero que sejam mantidos.

Gigantesco



Desde 2012 não vemos, na Fórmula 1, uma disputa de título franca entre dois pilotos. Tivemos um esboço em 2014, mas a Mercedes meteu a colher na briga de Lewis Hamilton contra Nico Rosberg. Este ano, por mais que tente, a equipe não está conseguindo frear os ânimos de seus dois pilotos e, para a felicidade da torcida, parece que temos um campeonato.

Hoje, na Áustria, Rosberg e Hamilton disputaram a vitória como convém a dois pilotos que estão brigando pelo título. Ninguém deu mole. Ninguém aliviou. Ninguém quis deixar o companheiro passar para o bem do time. Que se dane o time.

Nico fez uma prova excelente, depois de largar em sétimo, devido às substituições que teve que fazer em seu carro após a batida no treino livre de sexta feira. Ultrapassou adversários e apostou em uma estratégia que ignorava a chuva que rondava o circuito. Hamilton preferiu ficar na pista, esperando a água cair e, como ela não veio, o inglês perdeu tempo e deixou a liderança no colo do companheiro.

Na segunda parada, Nico optou por supermacios enquanto Hamilton colocou macios. Após uma rápida reclamação pelo rádio, Lewis fez aquilo que todo piloto deve fazer: foda-se a estratégia, vamos acelerar. E ele acelerou com vontade para cima do companheiro. Na última volta Hamilton encostou de vez e colocou por fora na curva 2. Rosberg espalhou, os dois se tocaram, e Nico levou a pior. A asa dianteira de seu carro quebrou e ele ainda foi ultrapassado por Verstappen e Raikkonen, que vinham logo atrás. Hamilton cruzou a linha de chegada para obter uma vitória gigantesca. Agora, ele está a apenas 11 pontos de Rosberg no campeonato.

Rosberg jogou duro? Jogou. Poderia ter aliviado e garantido a segunda posição? Poderia. Mas quem está disputando um campeonato, não vai aceitar tomar um passão por fora na última volta de uma corrida. Não pode aceitar. Esse Nico é candidato ao título, não aquele de Mônaco, que abriu passagem para o companheiro de equipe, pelo bem do time.

Toto Wolf disse que vai recorrer a ordens de equipe, se seus pilotos não se comportarem daqui pra frente. Vai lá Mr. Toto. Quero ver é quem vai obedecer.

O GP da Áustria ainda trouxe um Max Verstappen espetacular, pilotando na parte final administrando pneus com mais de 40 voltas e segurando Kimi Raikkonen. Teve um décimo lugar sensacional de Pascal Wehrlein, marcando pontos para a Manor. Teve Felipe Nasr fazendo milagre com aquela carroça da Sauber. E teve Jenson Button voltando a andar entre os primeiros com a McLaren.

Por outro lado, vimos uma corrida ruim de Felipe Massa e de Valteri Bottas, numa pista em que a Williams costuma ir bem. Vai mal a equipe inglesa. E a Ferrari, mais uma vez, forçando a barra na estratégia com Vettel e vendo o pneu traseiro direito do alemão indo pelos ares no final da reta.

É uma boa Fórmula 1, essa que estamos vendo em 2016. Tem seus problemas mas está oferecendo bons espetáculos e o principal: uma insana disputa pelo título. O que mais podemos esperar?

quarta-feira, 22 de junho de 2016

Novos ares?

Felipe Massa por Jenson Button? Eu trocaria. 
Em entrevista, após o GP da Europa, Claire Williams se disse satisfeita com a atual dupla de pilotos da sua equipe, mas admitiu que o time negocia com outros nomes para 2017. E mais: questionada sobre os rumores que colocam Jenson Button na Williams, Claire não negou nem confirmou. Ou seja, estão negociando.

Dificilmente comento boatos aqui no blog, mas me parece claro que a equipe inglesa deve movimentar o mercado daqui até o final do ano. E, uma declaração dessas dada logo após a corrida horrorosa de Felipe Massa em Baku, indica que o brasileiro pode não continuar no time no ano que vem.

Bem, sem considerar valores financeiros, se eu tivesse a possibilidade de substituir Felipe Massa por Jenson Button, faria a troca de olhos fechados. Infelizmente, apesar de ter contribuído tecnicamente para o crescimento da Williams em 2014, os resultados do brasileiro são ruins. Nas duas temporadas anteriores, ficou atrás de Valteri Bottas, um piloto com muito menos quilometragem que ele. E, em 2014, foi uma lavada (186 x 134). Este ano, Massa parece ter encontrado alguma regularidade, mas marcando poucos pontos por corrida. Já foi superado por Bottas, novamente.

Do outro lado, Jenson Button, que sofre com essa McLaren horrorosa, faz um campeonato decente, considerando que tem ao seu lado ninguém menos do que Fernando Alonso. É, hoje, o piloto mais experiente do grid, tem motivação, está em forma e, claro, é um campeão mundial. Não tenho dúvidas de que formaria uma dupla redondíssima com Valteri Bottas, e poderia ajudar a Williams a recuperar terreno em relação à Ferrari e à RedBull.

Mas então seria fim de linha para Felipe Massa na Fórmula 1? Não necessariamente. As equipes irão precisar de experiência em 2017, devido ao novo regulamento. A Renault, por exemplo, tem a dupla de pilotos mais fraca do grid hoje. Os franceses já admitem conversar com o brasileiro desde que haja uma diminuição do salário. Pode ser um bom caminho.

Só espero que Felipe tenha a sabedoria de saber encaminhar seu final de carreira na F1 de forma digna, à altura de alguém que passou 14 temporadas na categoria mais importante do automobilismo.

segunda-feira, 20 de junho de 2016

Tristeza sem fim


Este blog raramente comenta coisas do WEC, ou qualquer categoria de corridas de endurance, porque o blogueiro não é dos mais especialistas no assunto. Respeito muito essas corridas, de verdade, mas não são minhas favoritas.

Mas o que aconteceu este fim de semana, em Le Mans, não precisa de análise técnica. A coisa mais cruel do automobilismo: perder uma corrida, por falha mecânica, na última volta. E na última volta de uma prova de 24 horas de duração.

O Toyota #5, conduzido por Kazuki Nakajima, que formava o trio com Antony Davidson e Sebastian Buemi, parou na linha de chegada, a um mísero giro do final. A Porsche herdou a vitória, no carro conduzido pelo trio Neel Jani, Romain Dumas e Marc Lieb.

A cara dos japoneses, observando o monitor, sem acreditar no que estava acontecendo, já merece entrar para a galeria das mais tristes imagens do automobilismo. Uma pena. Mas, corridas são corridas, e ano que vem tem mais.

domingo, 19 de junho de 2016

Vai tomar no Baku


Em algum momento o mundial de F1, recheado de corridas movimentadas, nos brindaria com uma prova sem graça. Mas, olha, esse GP da Europa caprichou. Disputado em uma pista quase inviável, em Baku, no Azerbaijão, a corrida se arrastou por longas 51 voltas sem que praticamente nada acontecesse de verdade.

No final, vitória fácil de Nico Rosberg, que voltou a abrir vantagem para Lewis Hamilton na tabela de pontos. Um triunfo importante para o alemão, que se aproveitou do horroroso fim de semana de Hamilton, que cometeu todo o tipo de erro nas apertadas curvas do circuito e terminou apenas em quinto lugar.

Destaque para o ótimo desempenho de Sérgio Perez, novamente no pódio após ultrapassar Kimi Raikkonen na última volta. Os boatos cada vez mais fortes são de que o mexicano substituirá o finlandês na Ferrari em 2017. Caso seja confirmada, a mudança será merecida. Perez é um dos melhores pilotos do ano, até aqui.

Por outro lado, Felipe Massa começa a descer a ladeira em um momento ruim. Mais lento que Valteri Bottas durante todo o fim de semana, o brasileiro classificou-se à frente do finlandês no grid, apenas porque Bottas cometeu um erro na sua última volta rápida. Na corrida, o piloto teve um desempenho sofrível e, nem fazendo uma parada a mais nos boxes, conseguiu ser rápido. Alguma equipe vai se interessar em assinar contrato com um piloto veterano que encara uma pista difícil com tanta passividade?

O contrário aconteceu com o outro brasileiro, Felipe Nasr. Depois de sofrer tanto com o carro da Sauber, o piloto conseguiu fazer uma corrida muito boa, ultrapassando adversários para conseguir o 12° lugar. Uma colocação excelente, considerando o carro que ele dirige.

Não sou contra experiências em pistas novas. Grandes descobertas foram feitas nos últimos anos, mas outras entraram e foram uma decepção. Algumas, como Valência e Coréia, já até deixaram o calendário. Espero que Baku siga o mesmo caminho.

segunda-feira, 13 de junho de 2016

Difícil segurar

Hamilton não dá mole no Canadá: tem que dar? 

Já se passaram mais de duas semanas que o GP de Mônaco foi disputado e até agora não consegui encontrar um motivo razoável para justificar o fato de Nico Rosberg ter aberto passagem para Lewis Hamilton no início da prova, abrindo caminho para o companheiro conseguir a vitória em Monte Carlo. Os caras estão disputando o título entre eles, um tem a chance de impedir que o outro vença a corrida e, ao invés disso, ele facilita a vitória do adversário? Em prol da equipe?

No planeta em que habito, piloto que está disputando o título mundial faz o que Hamilton fez no Canadá, ontem. Encontrou o adversário na primeira curva e não deixou espaço. O outro que se vire. Rosberg disse, depois da corrida, que achou a manobra muito dura. Meu caro Nico: quem disputa título não dá passagem, joga o outro para fora, se necessário for.

É isso que diferencia grandes campeões, de pilotos apenas bons. Eu até achava que Rosberg rumaria para o seu primeiro título este ano, mas já estou revendo. Para ganhar um campeonato, não basta ser rápido. Tem que ter aquele sangue nos olhos, que só os grandes campeões, como Hamilton, têm.

E um pouco de sorte também. A corrida de Montreal era de Sebastian Vettel, que fez uma largada impecável e mostrava ritmo para se manter à frente de Hamilton. Mas a Ferrari decidiu fazer uma parada há mais nos boxes e arruinou a corrida do alemão. A tática até poderia fazer sentido na época do reabastecimento, quando havia grande diferença de peso entre os carros. Hoje não funciona mais.

Mas o grande nome do domingo foi Valteri Bottas, o terceiro colocado. Melhor resultado da Williams este ano, talvez seu único pódio. Felipe Massa até vinha bem, talvez pudesse conseguir uma 4ª ou 5ª posição no fim, mas teve problemas no motor Mercedes e abandonou.

Na disputa pelo campeonato, Rosberg viu sua vantagem cair de 24 para 9 pontos. Sua subserviência à equipe no GP de Mônaco possibilitou que Hamilton acordasse para buscar o tetracampeonato. Vai ser difícil segurar.

segunda-feira, 30 de maio de 2016

Piada


Não se pode reclamar da Fórmula 1 este ano. As corridas estão boas, há uma rivalidade entre os pilotos da Mercedes e a briga no segundo pelotão é muito boa entre Red Bull, Ferrari e, de muito de vez em quando, a Williams. Mas nesse último GP de Mônaco, a F1 resolveu nos lembrar de algumas chatices que acabam por afastar quem gosta de corridas, desviando a atenção de todos para outras categorias. Ainda mais num dia de 500 milhas de Indianápolis.

A primeira delas é essa largada em movimento quando chove. Eu pesquisei aqui e não consegui encontrar qual foi o ponto em que isso se tornou uma regra. Me lembro do GP do Brasil de 2003, deve ter sido a primeira vez que vi. A torcida na arquibancada, Barrichello na pole, todos ansiosos e os caras rodando 7 ou 8 voltas atrás do Safety Car antes de "largar".

Coloco largada entre aspas, porque largada na F1 é parada. E é nessa categoria que estão, ou deveriam estar, os melhores pilotos do mundo, caras capazes de esperar o apagar das luzes e ir dividir a primeira curva, esteja seco, esteja nevando. Não entendo e não concordo com esse excesso de cuidado, um desrespeito ao público que paga caro para ter emoções fortes. Sim, as pessoas gostam de ver situações de perigo também e a F1 já tem muitos elementos (necessários) para proteger os pilotos. Não faz sentido que eles não possam largar normalmente na chuva, tendo em mãos um equipamento tão seguro e tecnológico.

A outra, claro, são as ordens de equipe que vão e vêm. Agora foi a vez da Sauber fazer uma gracinha no meio da prova, pedindo que Felipe Nasr desse passagem a Marcus Ericsson. Isso porque os dois estavam em 14º e 15º, sem conseguirem ultrapassar um carro da Manor. Dá pra ser mais ridículo? A equipe está numa pitimba de fazer dó, nem sabe se chega ao final do ano, e manda seus pilotos realizarem uma troca de posição que não faria diferença nenhuma no resultado final da prova. Para pontuar, a Sauber ia precisar de 4 abandonos, aí tanto fazia quem estivesse na frente. No caso, era Nasr.

Mas o que conseguiram com a ordem antipática e desnecessária? Nasr, com razão, desobedeceu, Ericsson ficou bravo e tentou uma manobra suicida num lugar absolutamente inadequado. Resultado: batida entre os dois, ambos fora e mais prejuízo para a equipe. Pelo menos o sueco evitou a crise interna ao pedir desculpas pela tentativa absurda.

Ordens de equipe não precisam ser abolidas. Elas servem para ajudar a equipe em momentos decisivos, quando um piloto está disputando um título e tem pela frente o companheiro que está fora da disputa. Não vejo problemas em pedir uma troca nessa situação. Agora, na 5ª corrida do campeonato, uma equipe que não disputa nada, mandar seus pilotos inverterem entre 14ª e 15ª posições? Vão catar coquinho!

É F1, aí você fica indefensável.


domingo, 29 de maio de 2016

Alexander Rossi é o novo vencedor das 500 milhas


O automobilismo escreveu hoje, pela centésima vez, mais um capítulo de sua história. E, como sempre acontece em Indianápolis, com um vencedor surpreendente, um final emocionante em um circuito lotado. Uma celebração da velocidade.

Alexander Rossi, piloto reserva da Manor, na Fórmula 1, estreante no oval mais famoso do mundo, venceu a edição número 100 das 500 milhas de Indianápolis, depois de passar as quase quatro horas da prova escondido no pelotão intermediário. Nada poderia ser mais Indy do isso.

A corrida foi movimentada, mas dominada por James Hinchcliffe, Ryan Hunter Reay, Hélio Castroneves, Tony Kanaan e outros nomes de ponta da Indy. Juan Pablo Montoya, vencedor do ano passado, foi o primeiro a carimbar o muro do circuito, deixando a prova logo no início.

Mas a coisa esquantou mesmo após a última série de pit-stops. Não era possível afirmar se todos os pilotos seriam capazes de chegar até o fim sem parar mais uma vez e, um a um, eles foram parando quando faltavam cinco voltas para o final. Dentre eles, Tony Kanaan que optou por trocar pneus também. Talvez não tenha feito diferença em relação a vitória, mas como todos os outros só reabasteceram, o brasileiro ficou um tempo há mais no box que pode ter lhe tirado uma colocação melhor do que a quarta.

Há duas voltas do fim, Rossi apareceu se arrastando, quase sem gasolina, para cruzar a linha de chegada em primeiro. O piloto precisou ser rebocado até o local de premiação. Carlos Munhoz terminou em segundo e Josef Newgarden em terceiro.

É claro que torcemos pela vitória de um piloto brasileiro, mas um Americano, estreante, vencer a Indy 500 diante de 350 mil pessoas no autódromo é uma daquelas histórias que ficam para sempre no livro do automobilismo. Indianápolis é a coisa mais legal que o esporte produz.

Vitória de tricampeão


Primeiro, vamos ao fato: Nico Rosberg ainda lidera o campeonato da Fórmula 1 com 24 pontos de vantagem sobre Lewis Hamilton. Mas, a julgar pelas atuações dos dois hoje, nas ruas de Monte Carlo, é bastante plausível pensar que Hamilton renasceu para um campeonato no qual já parecia batido.

Depois de sofrer novamente com problemas mecânicos no treino, o inglês classificou-se apenas na terceira posição, atrás de Ricciardo e Rosberg. Hoje, com chuva, mostrou velocidade desde o início da prova. De cara, ganhou a segunda posição quando Nico o deixou passar. Isso confesso que não entendi. Rosberg disse que deixou passar por que não tinha ritmo e essa era a única chance de sua equipe vencer a prova. Ué, mas não estão disputando o título? Eu hein…

O fato é Hamilton se manteve na pista enquanto todos os outros entraram no box para trocar para pneus intermediários. O plano do inglês era permanecer com compostos para chuva forte até que a pista secasse totalmente, economizando um pit stop em relação aos outros.

Deu certo, mas menos por causa da estratégia e mais pela besteira que a Red Bull fez na parada Ricciardo. A equipe, sempre muito competente nos boxes, não se preparou para a chegada do australiano. Ele demorou quase 10 segundos para fazer a troca para slicks e perdeu a corrida nesse lance.

A partir daí, a prova se resumiu a uma disputa entre os dois pela vitória. Hamilton, que optou pelos pneus ultramacios, fez com que eles durassem inacreditáveis 47 voltas. Um desempenho digno de um tricampeão.

Enquanto isso, Rosberg empacava na sexta posição, colocação que acabou perdendo na última volta ao ser ultrapassado por Nico Hulkenberg. A prova ainda teve como destaques o mexicano Sérgio Perez, com a terceira posição e Fernando Alonso, que terminou em quinto lugar com a McLaren.

A próxima etapa, no Canadá, costuma ser mais favorável a Lewis Hamilton. Agora, é hora de ver se Rosberg apenas deu um escorregão, ou se sentiu o golpe de vez.

segunda-feira, 16 de maio de 2016

Culpa de alguém?

Rosberg e Hamilton batem na Espanha: em disputa
de título, ninguém alivia

Lewis Hamilton e Nico Rosberg estão disputando um título mundial. Estão na mesma equipe, a Mercedes, que desde 2014 tem um carro muito melhor do que todos os outros do grid. Hamilton aproveitou melhor o equipamento e já faturou dois mundiais. Este ano, Rosberg vem melhor, mais concentrado, pilotando com mais precisão. Aí os dois se encontram numa curva, numa pista como a Espanha onde é difícil ultrapassar. Alguém achou que um ia facilitar para o outro?

Assim foi a batida das Mercedes na primeira volta do GP da Espanha. Nico largou melhor, tomou a ponta, e foi atacado por Hamilton na curva três. O inglês viu o espaço e mergulhou. Nico não deixou espaço e os dois bateram. Simples e direto. Às pessoas que estão apontando o dedo para Lewis, acusando-o de ser muito agressivo, eu pergunto: o que ele deveria fazer? Recolher? E Nico? Deixar passar?

Parece que as três temporadas seguidas sem disputas de título na F1 fizeram com que as pessoas se desacostumassem com brigas duras na pista. É claro que Hamilton poderia ter esperado mais, assim como Rosberg poderia ter deixado o companheiro ir embora. Mas ali, quem cedesse, provavelmente perderia a corrida. Não acho que seja isso que queremos. Que os dois se peguem mesmo, o problema não é do público e sim da Mercedes, que terá que ver como domar os ânimos dos seus dois pilotos.

E é uma pena que tenha tido que ser assim, porque o GP da Espanha acabou sendo histórico por outro motivo. Max Vertappen, de 18 anos, venceu sua primeira corrida na carreira, logo na sua estréia na Red Bull, no lugar Daniil Kvyat. A gente pode discutir se a decisão da equipe austríaca foi justa ou injusta, mas a discussão será inócua. Com um cartão de visitas desses, Verstappen se coloca definitivamente como um dos prováveis próximos campeões da F1.

E não foi uma vitória qualquer. Verstappen adotou uma estratégia ousada, fazendo uma parada  a menos do que os adversários. E, nas últimas dez voltas, teve Raikkonen em seus calcanhares. É impressionante que o moleque tenha suportado a pressão sem ter cometido nenhum erro.

Particularmente, eu acho que não é bom para a Fórmula 1 o sucesso de um piloto tão novo em tão pouco tempo. Passa a impressão de que a categoria exige pouco dos pilotos, já que um novato é capaz de chegar e colocar os veteranos no bolso com facilidade. Mas, já que é assim, o caminho é celebrar a vitória de um daqueles candidatos a quebrar recordes da categoria.

quinta-feira, 5 de maio de 2016

Daniil Kvyat entra no moedor da Red Bull


A Red Bull anunciou, hoje de manhã, que Max Verstappen assume o volante do carro da equipe principal em substituição à Daniil Kvyat, que volta à Toro Rosso. No comunicado oficial, Christian Horner fala em oportunidade de recuperação para o russo, enquanto Helmut Marko diz que a troca é uma forma de aliviar a pressão sobre os ombros do piloto. Os dois o criticaram duramente após a sua atuação desastrosa, no último GP da Rússia.

Na verdade, a cúpula da Red Bull já estava encantada com o desempenho de Verstappen, desde o ano passado, e procurava uma desculpa para colocá-lo no time principal. Daniil Kvyat teve um começo difícil na equipe, principalmente em comparação com Daniel Ricciardo, um dos grandes pilotos da F1 atual. Mas sua performance jamais foi um vexame de grandes proporções. O que aconteceu no GP da Rússia foi um absurdo, nem uma criança jogando video-game no modo indestrutível é capaz de tantas barbeiragens em sequência, logo na largada.

Mas é uma corrida, e erros acontecem. No GP da China, Kvyat fez uma prova memorável e obteve um resultado incrível. Na corrida seguinte erra e não serve mais? De qualquer maneira, essa não é uma novidade na trajetória da equipe austríaca, uma notória moedora de pilotos. Christian Klien, Sebastian Buemi, Jean Eric Vergne e Jaime Alguersuari são alguns dos nomes talentosos que foram chutados pela equipe, mesmo apresentando resultados razoáveis.

Com isso, aos 18 anos, Max Verstappen chega a uma equipe de grande porte, o que é um feito respeitável. Cada vez mais, sua carreira se assemelha à de Kimi Raikkonen: chegou muito jovem à F1, sob desconfiança de muita gente, e em um ano já ocupava um espaço entre os grandes (Raikkonen começou na Sauber em 2001 e no ano seguinte foi contratado pela McLaren).

Agora, Kvyat fica com a bomba na mão. Depois de um golpe desses, terá que mostrar que é capaz de continuar sendo rápido, para tentar voltar a pilotar para uma equipe de grande porte. Pelo histórico recente da RedBull, vejo o futuro do russo bastante obscuro.

segunda-feira, 2 de maio de 2016

Recado dado

O pódio na Rússia: Hamilton está nas cordas?

Não é muito comum, pelo menos na história da recente da Fórmula 1, casos de segundos pilotos que conseguiram virar o jogo depois de apanhar do companheiro de equipe. Barrichello x Schumacher, Massa x Alonso, Berger x Senna, Hill x Prost, Patrese x Mansell, são algumas das duplas com papéis mais do que definidos. Houve alguns brilharecos no meio do caminho, como Webber x Vettel quando, em 2010, o australiano desafiou o alemão pelo título. E existem também, claro, os casos em que a divisão de forças era tão igual, que o relacionamento entre os pilotos acabou em guerra, como foi o caso de Senna x Prost, em 88.

Depois de 2015, parecia claro que a Mercedes teria uma dupla de campeão e escudeiro, com Hamilton recolhendo taças e Rosberg escoltando o companheiro. Mas o alemão decidiu que não seria assim e iniciou 2016 de forma arrasadora, emplacando quatro vitórias em quatro corridas e abrindo quase 50 pontos de vantagem à frente do inglês tricampeão do mundo.

É claro que Hamilton teve problemas: patinou nas largadas da Australia e do Barhein, largou em último na China e em 10° na Rússia, sendo que nos dois últimos casos, foi vitimado por problemas mecânicos nos treinos. Mas no GP russo Rosberg mostrou que, talvez, sua liderança não deva ser creditada 100% à sorte.
Logo na largada, Hamilton pulou do 10° para o 5° lugar, aproveitando-se da lambança protagonizada por Daniil Kvyat. Após o Safety Car já estava em 4° e após a primeira rodada de pit-stops já aparecia em 2°, com 12 segundos para tirar de diferença da outra Mercedes, sem que ainda tivesse percorrida nem a metade da corrida.

O Lewis de 2014 e 2015 aniquilaria essa diferença em poucas voltas. E é aí que entra a diferença: ou Hamilton não é o mesmo dos anos anteriores, ou Rosberg definitivamente resolveu acordar. Pilotando de forma consistente, o alemão jamais se abalou, nem mesmo quando viu a sua vantagem cair para menos de 8 segundos, num momento em que pegou tráfego intenso. Na primeira volta com pista livre, foi quase 1 segundo mais rápido do que Hamilton, acabando com as pretensões do inglês.

O GP da Rússia pode não ter sido a melhor corrida do ano, mas foi importante para o campeonato e fundamental para as confianças de Rosberg e Hamilton. A julgar pela cara do inglês no pódio, o recado foi muito bem dado.