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Rodrigo Mattar, do Fox Sports: raro exemplo de profissional que busca informação para driblar a falta de estrutura |
Quem já tiver tido o prazer de assistir qualquer transmissão
da Fórmula 1 pela Sky Sports deve morrer de inveja dos europeus. São horas e
horas de programação, com comentaristas, repórteres e ex-pilotos in loco em
todas as etapas, conversando com pilotos, dirigentes, produzindo análises e
muito mais. Gente preparada, que estuda antes de fazer aquilo que exige muito
conhecimento: transmitir um esporte, qualquer um, para o grande público.
A pergunta é: como o automobilismo pode estar novamente
entre as modalidades mais populares do Brasil se as emissoras que transmitem
corridas tratam o esporte como lixo? Mais do que uma crise técnica, pela falta
de pilotos em categorias importantes, passamos por um momento de total falta de
investimento também na mídia que é dedicada às corridas. Transmissões à
distância, com pouca informação e comandadas por gente despreparada.
É bem verdade que nenhum esporte no Brasil, com exceção do
futebol, tem a cobertura que merece. Nunca teve. Houve um breve período, nos
anos 80, em que a Globo dedicou atenção e investimentos à Fórmula 1, quando
tivemos nosso período mais frutífero em termos de resultados, com os
tricampeonatos de Piquet e Senna. Na década de 90 foi a vez do SBT dar uma aula
de como se transmitir eventos esportivos, com a brilhante cobertura da Indy
entre os anos de 95 e 98.
É muito difícil fazer uma boa transmissão sem contar com
profissionais falando diretamente do local no qual está ocorrendo o evento. Mas
é impossível? Não, não é, e por incrível que pareça, 2016 nos apresentou a duas
equipes que conseguem se destacar justamente por conseguirem se virar dentro da
falta de estrutura das emissoras nas quais trabalham.
Uma delas é a dupla Sérgio Lago e Rodrigo Mattar, da Fox Sports.
Os dois comandam as transmissões da Nascar no canal, e contam apenas com
informações que têm na tela. Também estiveram juntos na transmissão das 24 Horas
de Le Mans e na final da Fórmula E. Com um bom humor na medida, Lago e Mattar
transmitem a corrida procurando levar ao espectador informações sobre o evento
no qual estão trabalhando. Estudam e pesquisam antes de entrar no ar. Alguém
consegue imaginar Galvão Bueno estudando, ou trocando informações com Reginaldo
Leme antes de narrar uma corrida de F1?
O outro destaque é a equipe composta por Téo José e Felipe
Giaffone, no Band Sports. Neste caso, com uma dificuldade a mais: se a Nascar
disponibiliza muitas informações para embasar o trabalho de Lago e Mattar, Téo
e Giaffone precisam se virar diante da pobreza de recursos da transmissão da
Indy. E se viram muito bem: Téo José é o melhor narrador de automobilismo do
Brasil, embora demonstre sinais de cansaço com o esporte. E Giaffone demonstra
compreender muito bem o comportamento dos carros da Indy, mesmo tendo estado na
categoria por tão pouco tempo. Deve ser por que pesquisa e estuda sobre o tema,
não é Luciano Burti?
Resumindo, é difícil imaginar que o automobilismo voltará a
ter a mesma atenção que já teve em um passado cada vez mais distante. Mas um
pouco de dedicação e profissionalismo por parte da equipe pode tornar as
transmissões um pouco mais informativas e, consequentemente, atrativas.
Um comentário:
Irmão, assisto a Nascar a tempos,e até hoje não vi um narrador tão horrível como esse Téo José. Ele em um show de rodeios seria ótimo, más ñ na Nascar,que estará perdendo audiência com esse cara sem graça.
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