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quarta-feira, 18 de abril de 2012

Acabou...

A Fórmula Futuro acabou. Foi o que anunciou hoje a empresa responsável pela organização do evento. N
ão é uma surpresa. Quem disser que está surpreso, provavelmente é porque passou os últimos anos morando em Marte, ou Vênus.

No final de 2009 estive em Interlagos e, seis meses mais tarde em Jacarepaguá, acompanhando o Fiat Racing Festival, evento que reunia, além desta categoria escola, mais uma competição de motos e a Trofeo Línea.

E a Fórmula Futuro não decolava. Dava sono acompanhar as corridas, com 6 ou 7 pilotos correndo, sem disputa alguma. E esta era a única categoria de monopostos existente entre o kart e a Europa. Agora, não temos nem isso.

O que está acontecendo no automobilismo brasileiro é anunciado. A Fórmula Futuro foi criada e apadrinhada por Felipe Massa, que fez o que Pedro Paulo Diniz havia feito em 2002, quando criou a Fórmula Renault,, que também fracassou.

O país perdeu o interesse pelo automobilismo, assim como perdeu pelo tênis após a era Guga, e pelo basquete após Oscar. Ainda gosta um pouco de Vôlei, mas esse esporte tem apoio pesado de empresas privadas, não conta.

É bobagem defender uma popularização do esporte. Automobilismo é um brinquedo de ricos, sempre vai ser. Exige equipamento, preparação, transporte, as despesas são altíssimas, não é possível comparar com o futebol, por exemplo. Mas, mesmo os ricos, precisam de incentivo. E, no Brasil, isso está ligado à brasileiros vencendo. O que não acontece desde que Senna foi embora. Rubens Barrichello carregou a cruz de substituir o tricampeão e conseguiu manter o interesse do povo por um tempo. Mas foi praticamente um mártir. Muitos passaram por lá e só Felipe Massa, hoje com 30 anos, se firmou. Bruno Senna, sobrinho de Ayrton, é o último dos moicanos. Depois dele, só se dermos muita sorte para termos algum piloto na Fórmula 1.

Infelizmente o automobilismo do Brasil está igual a um cachorro correndo atrás do rabo. Precisa de gente nova, que não se interessa por ele porque não tem ninguém "bom" na Fórmula 1. E não vai ter ninguém "bom" na Fórmula 1 se ninguém se interessar. Aparentemente, os próximos anos serão de muitas más notícias para quem gosta de velocidade.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Vicar se encarrega de matar o Trofeo Linea


Cacá Bueno no Trofeo Linea: imagem que fica no passado


Em 2010 assisti a duas etapas do Racing Festival, uma em São Paulo, outra no Rio de Janeiro. Minhas impressões sobre o evento estão aqui e aqui. E hoje leio a notícia de que a Vicar, que organiza a Stock Car não vai permitir que seus pilotos disputem o Trofeo Linea, categoria mais interessante do Racing Festival.


O Racing Festival foi, talvez, a única tentativa de se fazer algo pelo automobilismo brasileiro que se viu nos últimos anos. Trouxe a categoria de motos 600 Hornet, que atrai um público específico, mas fanático; criou a Fórmula Future que, mesmo ainda no começo, já mostrou que pode ser uma alternativa viável para voltarmos a formar pilotos neste país; e o Trofeo Línea que, repito, é infinitamente mais interessante do que a Stock Car, poderia ter sido um pontapé inicial para a volta do brasileiro de marcas.


Digo poderia, porque a Vicar está tentando negociar a criação deste mundial e, imagino, isso deve explicar porque o Trofeo Línea está sendo boicotado: possivelmente a Fiat se negou a participar da competição da Vicar e agora está sofrendo represália.


Este era o momento da CBA entrar em ação e por ordem na casa. Mas a entidade entregou a organização do automobilismo à Vicar, que é uma empresa e não está nem aí para a formação de pilotos. Quer é ganhar dinheiro.


Quando pensamos que o fundo do poço chegou somos supreendidos por um buraco ainda maior. É triste a situação do automobilismo brasileiro.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Racing Festival em Interlagos

Estive em Interlagos, no último fim de semana, acompanhando a terceira etapa do Racing Festival, torneio apadrinhado por Felipe Massa, que reúne três competições: Trofeo Línea (Turismo), Formula Future (Monopostos) e 600 Hornet (Motos). Já tinha acompanhado a primeira etapa no Rio de Janeiro e, desta vez, foi possível tirar algumas conclusões sobre o evento:

Público
Infelizmente não há. As poucas pessoas que vão ao evento são convidados dos patrocinadores. As arquibancadas, mesmo sendo de graça, estavam absolutamente vazias. Mas o interessante é que o público vai chegando ao longo do evento e não vai embora, o que mostra que as corridas são interessantes e despertam interesse de quem chega a ir. Talvez com um pouco mais de divulgação seja possível atrair mais pessoas, até porque...

Organização
... as empresas que estão por trás do Racing Festival cuidam bem do seu evento. Tudo é muito organizado, há muitas opções de alimentação, stands com carros (inclusive dois modelos usados nas corridas, um Línea e um Formula Future, que despertam grande interesse do público), boa sinalização em torno do autódromo. É claro que aumentando o número de pessoas, aumenta a desorganização e quem já foi à Fórmula 1 sabe bem do que estou falando, mas há potencial para crescimento ali.

Competição
Entre as três categorias, a que mais provoca frisson entre os espectadores é o Trofeo Línea. E não é à toa: as duas corridas foram espetaculares, com muitas disputas, um grid recheado de pilotos do primeiro escalão. Acredito que o Trofeo Línea pode, perfeitamente, evoluir para uma categoria de turismo de alto nível, com participação de outras marcas, fazendo dela a principal categoria de turismo do Brasil.

A 600 Hornet também tem sua parcela de destaque. As duas provas foram bem disputadas, vimos algumas quedas, mas nada grave. É realmente interessante ver que as pessoas no Brasil gostam de corridas de moto, mesmo sabendo que nosso país não tem tradição neste tipo de evento.

Mas o que preocupa mesmo é a Fórmula Future. Os carros são bem interessantes, mas o grid é minguado, apenas 8 carros largaram (no Rio foram 9). Dessa forma não há disputas na pista e o público se desinteressa rapidinho. Não foram poucos os que aproveitaram esta corrida para fazer um lanche. É um abacaxi que os idealizadores precisaram descascar, pois o grande apelo do Racing Festival junto à CBA é realmente a formação de novos pilotos. Será necessário realizar um estudo de custos para incentivar a entrada dos pilotos que saem do Kart, caso contrário a categoria vai durar muito pouco.

Em resumo é isso: o Racing Festival decepciona como categoria escola, mas empolga com a promessa de uma categoria de turismo espetacular. Agora é preciso equilibrar esta balança. A semente já está plantada e acredito que vamos conseguir colher os frutos muito em breve.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Trofeo Línea pode representar volta do brasileiro de marcas


Trofeo Linea: competição que tem tudo para dar certo

Gosto muito de categorias de turismo, principalmente quando me identifico com os carros. E neste ponto, acho mais fácil me identificar com carros de verdade, preparados para corridas, do que com um monte de tubos cobertos por uma carenagem de fibra de carbono. Por isso fui animadamente para Jacarepaguá, no último fim de semana, assistir ao Trofeo Línea.

O resultado superou as expectativas. As duas baterias foram emocionantes, disputadas em alto nível. Com quase 20 participantes, o Trofeo Línea me parece ser a categoria mais bem estruturada do Racing Festival, que conta ainda com Fórmula Future e as motos Hornet 600.

O trabalho realizado nos carros foi de alta qualidade, eles estão belíssimos. Além disso parecem ser bem acertados e vários pilotos elogiaram a dirigibilidade. Grandes nomes do automobilismo brasileiro estão participando como Cacá e Popó Bueno, Ricardo Maurício, Antônio Jorge Neto, entre outros.

Com apoio total da Fiat, fabricante do Línea, acredito que esta categoria, se seguir da maneira como começou, pode sim representar um importante recomeço para o brasileiro de marcas. Disputado até o meio dos anos 90, este campeonato tinha grande apuro técnico, presença das principais montadoras brasileiras e consagrou alguns dos nossos maiores pilotos.

Quem sabe não está na hora delas voltarem?

terça-feira, 1 de junho de 2010

O futuro na pista


Formula Future: um sopro de esperança para o nosso automobilismo


Este fim de semana pude conferir, ao vivo, em Jacarepaguá, a primeira etapa do Racing Festival, evento apadrinhado por Felipe Massa, que traz três categorias: Formula Future, Trofeo Línea e as motos Hornet 600. Além do apoio do piloto brasileiro, grandes empresas estão envolvidas no projeto, com destaque para a Fiat.

E

m primeiro lugar é preciso dar os parabéns a todos os envolvidos. O evento é belíssimo, bem organizado, pontual, enfim, bonito de se ver. E o principal: produz boas corridas. Espero que a falta de público (automobilismo não dá mais público no Brasil, essa é uma realidade com a qual teremos que lidar. Para conseguirmos atenção para o esporte, precisaremos ter gente boa chegando à F1, o que só conseguiremos formando pilotos, e aí entra um ciclo que precisaremos encarar) não desanime as empresas e que a TV (Sportv) transmita toda a temporada.

Em relação a Fórmula Future, o grid de 10 carros parece magro, mas é preciso lembrar que a última vez que tivemos uma categoria de base além do Kart foi com a Fórmula Renault, que teve seu auge em 2002. Portanto é bom pensarmos que já é uma grande coisa reunir 10 pilotos com grana para disputar uma temporada.

As duas baterias foram interessantes, embora não exatamente disputadas. A primeira bateria foi vencida por Francisco Alfaya e a segunda pelo argentino Roberto Cúria Jr., que herdou a vitória depois de um erro do piloto Jonh Louis, que dominava a prova.

Fica a torcida para que outras empresas banquem os pilotos recém saídos do Kart. A próxima etapa da Fórmula Future será em Londrina, Paraná, local onde o público comparece mais, gosta mais de corridas. Espero que isso sirva de incentivo para os patrocinadores.

Amanhã falo do Trofeo Línea que, se seguir da maneira como foi na estréia, pode tranqüilamente desbancar a Stock Car.