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domingo, 3 de julho de 2016

Buemi campeão na Fórmula E



Não acompanhei a temporada da Fórmula E com a devida atenção, mas assisti às duas provas finais, disputadas em Londres, neste fim de semana. Lucas di Grassi e Sebastien Buemi disputavam o título.

A corrida de sábado foi sensacional, com os dois fazendo um jogo de gato e rato, se espremendo para ultrapassar adversários em busca dos pontos que garantiriam a vantagem na prova de domingo. A corrida foi vencida por Nicolas Prost, seguido por Bruno Senna. Depois de 23 anos, um Prost e um Senna juntos no pódio, de novo. Bem bacana.

A corrida de hoje prometia com os dois postulantes à taça empatados em pontos e Di Grassi levando vantagem no desempate. Buemi saía na pole, com o brasileiro em terceiro. Na largada tudo normal, mas aí, na primeira curva, Lucas tentou uma manobra inexplicávelmente suicida e atropelou o rival. Com os carros danificados só restaria aos dois pegar o segundo monoposto e tentar a melhor volta, que na F-E, garante dois pontos. E deu Buemi.

Lucas di Grassi é um piloto que passa uma imagem de enorme profissionalismo e, por isso, não consegui entender a manobra que tentou. Segundo ele, Buemi freou antes, mas o que o suiço ganharia fazendo isso? Com os dois fora, seria dele o prejuízo.

Dessa forma, o título ficou de bom tamanho, nas mãos do piloto do time de Alain Prost. Que Di Grassi coloque a cabeça no lugar e venha para a próxima temporada a fim de decidir o título na pista.

Por fim, um elogio à Fox Sports que trocou a equipe de palhaços comandada por Flávio Gomes, pelo profissionalismo e sobriedade da dupla Sérgio Lago e Rodrigo Mattar. Com muita informação e a medida certa de descontração, a dupla comandou a transmissão na exata proporção da emoção, enaltecendo os bons momentos. Assim como Téo José e Felipe Giaffone, na Indy, Lago e Mattar fazem aquele tipo de transmissão acrescenta à corrida, sem querer ser mais do que ela. Espero que sejam mantidos.

terça-feira, 11 de agosto de 2015

Jacques Villeneuve na Fórmula E

Villeneuve: carreira de altos e baixos, mas sempre com
a boca no trombone
Notícia já meio velha, mas que vale o comentário: a Venturi confirmou a contratação de Jacques Villeneuve para a próxima temporada da Fórmula E. Ele entra no lugar de Nick Heidfeld que, por sua vez, correrá na Mahindra, no lugar de Karun Chandhok. Villeneuve será o piloto de currículo mais respeitável da categoria, com uma vitória nas 500 milhas de Indianápolis, um título da Fórmula Indy e outro da Fórmula 1.

Ainda assim, vale muito mais como personagem do que como piloto. Villeneuve é um nome importante para o automobilismo, pois fala o que pensa, como pensa. Talvez por isso seja tão pouco reverenciado no meio da Fórmula 1. Dirigentes, em geral, não gostam de quem fala verdades.

Jacques Villeneuve teve uma carreira interessante, porém com muitos momentos ruins. Apareceu na Fórmula Indy, venceu uma 500 milhas e o campeonato em 95. Foi contratado pela Williams e quase venceu logo na sua estréia, em Melbourne. Fez ótima temporada em 96 e, em 97, faturou o título na polêmica decisão contra Michael Schumacher, em Jerez, quando o alemão, ao ver que seria ultrapassado, jogou o carro contra o canadense. Schumacher se deu mal e Villeneuve levantou a taça.

Depois disso, a Williams caiu e Villeneuve foi junto. Fracassou na tentativa de emplacar o projeto BAR, e a equipe só cresceu quando ele saiu, ao final de 2003. Voltou no fim do ano seguinte, para substituir o demitido Jarno Trulli, na Renault. Não fez nada de mais, mas conseguiu um contrato com a Sauber para o ano seguinte, quando foi afundado por Felipe Massa. Em 2006, seu derradeiro ano, acumulou acidentes bizarros e acabou dispensado por deficiência técnica.

Fora da F1, perambulou por categorias de turismo, participando até de provas da Stock Car. No ano passado, correu nas 500 milhas de Indianápolis.

A próxima temporada da Fórmula E será fundamental para consolidar uma categoria que nasceu muito bem. A chegada de um nome como Villeneuve só prova que os dirigentes estão no caminho certo.

domingo, 28 de junho de 2015

Prova emocionante consagra Nelsinho Piquet na Fórmula E



Nelsinho Piquet é o grande campeão da primeira temporada da Fórmula E, a categoria de carros elétricos criada no ano passado, pela FIA. O brasileiro venceu o compatriota Lucas di Grassi e o suiço Sebastien Buemi numa rodada dupla emocionante, em uma pista improvisada num parque de Londres. Uma conquista merecida, de um piloto que vem sabendo sacudir a poeira após cometer um erro grave na Fórmula 1.

Nelsinho é, de todos os pilotos brasileiros que chegaram à F1 na era pós Senna, aquele que teve as melhores condições de brilhar. Obteve resultados expressivos nas categorias de base, com o staff montado pelo tricampeão Nelson Piquet. Foi bem na GP2 e chegou a F1 em 2008 para correr pela Renault, equipe que tinha sido bi-campeã dois anos antes. Fez um ano apenas razoável (conseguiu um pódio, na Alemanha) mas envolveu-se em um dos maiores escândalos da história do automobilismo. Sob ordem de Flávio Briatore, bateu seu carro de propósito em Cingapura, entregando a vitória a Fernando Alonso, o outro piloto da equipe.

Sem que ninguém ainda soubesse da história, ganhou um novo contrato para 2009, mas a equipe fez uma porcaria de carro e Piquet não conseguiu sequer repetir seu apenas mediano 2008. Foi demitido e colocou a boca no trombone, revelando o que havia feito em Cingapura. Foi defenestrado da F1, junto com Briatore, um dos maiores escroques que já pisaram no padock da categoria.

Piquet foi refazer sua vida na Nascar e, no fim do ano passado, meio que de última hora, apostou na F-E para voltar aos monopostos. E, pelo que se viu em sua primeira temporada, apostou certo: obteve duas vitórias e fez corridas extremamente consistentes.

Na etapa final, numa pista difícil e apertada, envolveu-se numa disputa dura com seu rival Lucas di Grassi na primeira prova. Na segunda, foi prejudicado pela chuva nos treinos e partiu da 16ª colocação, para fazer uma corrida inteligente, conservando bateria para atacar no final. Deu sorte, porque o suiço Buemi rodou sozinho, perdeu uma posição para Bruno Senna e, com isso, deu adeus ao título. Tentou um ataque suicida no final, mas Bruno defendeu bem a posição e garantiu a taça a Piquet, que terminou em 7°.

Confesso não ter acompanhado todas as provas da Fórmula E este ano, mas quando vi, gostei. É uma alternativa interessante para quem gosta de corridas porque, principalmente, as provas são boas. Duas corridas curtas, vários pilotos com passagem pela F1, gente de gabarito nos boxes das equipes. É claro que o fato de os carros não fazerem barulho incomoda, mas se a corrida é boa, qual o problema? A F-E teve uma temporada de respeito, usou as redes sociais como ninguém, inovou descartando autódromos para correr em circuitos de rua montados próximos ao público.

As pessoas precisam parar de fazer comparações o tempo todo. A Fórmula E não será a Fórmula 1, ou a Fórmula Indy. Será mais uma categoria para entreter quem gosta de corrida boa. Não precisa de narrador famoso ficar chamando de “corrida de peixes”no Twitter né… Quem gosta de corrida, saúda a F-E, com barulho ou sem barulho.